Não sei se são os remédios que estão baixando minha pressão e me colocando nesse estado de agonia. Talvez a febre alta abra algum canal entre a realidade e o que tento esconder, mas fato é que estou em pânico.
É um desespero que vai e volta em meio ao frio e ao suor.
Acho que estou delirando.
Ansiedade.
As soluções do projeto da cliente de ontem. Dor. Vira para um lado. Para o outro.
As soluções para a minha vida. Frio seguido de suor.
Medo.
O pânico me domina. Penso que vão descobrir que na verdade é de propósito, que isso tudo poderia ter sido evitado se eu tivesse mais autocontrole.
O pânico aumenta. E se descobrirem?
Só preciso ter uma vida mais regrada. É só tomar o suco verde de manhã, o chá da imunidade, comer arroz integral, legumes, não fumar.
Sei a solução.
Vou contar um segredo: a verdade é que assim me sinto mais eu. Debilitada, incapaz, com dores, zonza.
Assim é que me sinto na minha pele. Assim que me sinto eu de verdade.
Cada vez que trago o cigarro sinto minha energia ir embora, e me sinto eu.
Quando estou bem, quando saio com pessoas que gosto e temos uma boa conversa, quando assistimos um filme bobo e engraçado, parece a vida de outrem, não a minha. A minha é doída, verde escura.
Estou na cama com febre e dor de garganta vivendo a vida que escolhi pra mim.
queria escolher algo diferente, queria viver como outra pessoa e me sentir eu. Sei lá.
Suor.
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