14 setembro 2014

Inquieta



"Sou inquieta..." assim começa o Sobre Mim do meu currículo. O que para mim não é apenas uma forma muito característica de começar a me descrever, mas uma das únicas maneiras possíveis.

Por muito tempo acreditei que era dessas pessoas que se acomodam, das que empurram tudo com a barriga, deixam o tempo passar... Me rio pensando nisso. Que ilusão! 

Minha inquietude transborda em acessos de "Não sei mais o que fazer!". Precedido, é verdade, de desculpas sinceras, mas quem foi que disse mesmo que precisava consertar? E justamente por essa deficiência de esperar que me lasco. Eu tento, tento, tento, e quando me vejo sem mais saídas, desisto. Mas não pela desistência que aguarda, é uma desistência que abre mão, abandona. 

Recebi esse fim de semana uma amiga que está sempre de bem com a vida. Ana é assim porque tem problemas demais. Parece paradoxal, mas sabe que não. Na verdade, ela já aceitou que é assim mesmo, que não dá pra resolver tudo, que os problemas vão aparecer e desaparecer para dar espaço a novos problemas. Mais criativos e difíceis de se lidar. Contou-me que acorda e dorme feliz! Como pode isso!?!? Parece tão distante de mim que entre o despertar e o adormecer experimento de tudo um pouco. Céu, inferno, limbo e o que mais minha cabeça pode criar. 

Sinto que errei mais uma vez da mesma antiga maneira. Erro por não saber esperar, não poder me distrair enquanto as coisas naturalmente se acomodam. Será mesmo que se acomodam? Com isso me exaspero, desgasto, morro devagar.

Maria Teresa, minha terapeuta, sempre pergunta por que escrevo. Ela diz que tenho de falar. Escrevo porque transborda, fato já conhecido por todos nós. Mas escrevo, também, porque a vida tem essa incrível habilidade de ocupar todos os meus amigos quando preciso desabafar. Ou não atendem ou estão no trânsito ocupados com algo que, por mais que seus belos corações queiram, torna impossível para eles me ouvir. Aí escrevo. É um jeito de sublimar essa vontade louca que me dá de por pra fora coisas tão confusas que passam aqui dentro que se não fosse a escrita fariam de mim uma ilha. 

Maria Teresa me pergunta também porque fumo. Digo pra ela que é impossível enxergar o mundo e não sentir, mesmo que de leve, vontade de se matar. 

Uma parte de mim implora por perdão. A outra me questiona: "Perdoar pelo quê?". Ao que a primeira contesta, por não ser melhor. 

Hoje me desculpo por não saber esperar. Sou inquieta e tem sido muito (muito) difícil me modificar.


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