29 agosto 2011

Eu só quero que vocês se sintam bem.



O que eu posso fazer para promover o máximo de conforto físico e psicológico para vocês?

A parte mais bonita de descobrir aquilo que você quer da vida é saber que independentemente da quantidade de dinheiro que você tem e possa vir a ter, fazer Aquilo será sempre uma opção. Pode-se ajudar as pessoas a se sentirem bem de tantas maneiras distintas, das mais simples às mais complexas: num gesto de carinho, no meu sorriso ao te ver, a oitava a mais da minha voz ao chamá-lo de meu bem, na acessibilidade do meu projeto, no meu telefone sempre ligado, no cobertor que dobrei, na água que peguei. Recebendo ou não por isso. Do projeto ergonômico ao travesseiro mais alto. Em ambos a promoção do conforto está em igual proporção.

Tornei-me por opção designer e meu histórico médio me permitiu pensar em ser útil através do clássico caminho seguido pelos jovens da minha classe: Escola > Faculdade de design > Pós em ergonomia> Mestrado em psicologia... Contudo afirmo que meu conforto maior vem do pensar que, mesmo que não privilegiada como sempre fui ou cem vezes mais, poderei continuar minha busca por promover o bem estar.

Inexplicável e quase compulsivamente enquanto escrevo, penso muito em um amigo que dedica sua vida ao estudo da (in)segurança pública e das diferenças sociais. Ele sempre foi uma referência para mim, por mais que a sensação que tenho ao pensar nele pensando em mim seja de repúdio e asco, por que - quem sabe talvez - eu sou burguesa, e acredito que tão somente porque pude considerar possibilidades, esse privilégio se estende a todos do mundo Escravos x Senhores Em Proporções Desiguais.

Ironicamente, ele tinha tudo para ser um desgraçado, mas foi justamente por não se ver como um escravo, que ele lutou e acabei eu, que só queria vê-lo bem, escrevendo sob a masmorra do não-olhar do meu senhor.




11 agosto 2011

15 minutos.

No Futuro todos terão 15 minutos de privacidade.

No futuro poderemos dormir sem que ninguém nos veja dentro do quarto. Teremos o direito de brigar e discutir sem que nossos vizinhos dos apartamentos de cima, baixo e lados possam ouvir. Teremos problemas conjugais, e estes restringir-se-ão a nossos conjugues apenas e ninguém mais.

No futuro, a notícia do novo bebê demorará mais que os 15 minutos gastos entre pisar fora do consultório do obstetra e o pressionar do ENTER do teclado.

No futuro será mais fácil administrar amizades, estas se reduzirão de 495 amigos do facebook para 05 ou 10 amigos no dia-a-dia e estas sim, terão acesso às fotos do nosso final de semana em Búzios e saberão dos pormenores de cada uma nossas fobias e alegrias.

No futuro, poderemos guardar alguns segredinhos, bem pequeninos e privados. Poderemos passear no corredor e dialogar com nossos eus líricos sem que o responsável pela segurança do edifício conteste mentalmente nossa sanidade.

No futuro haverá uma linha e saberemos onde a pessoa do outro lado encontra-se ao falar.

No futuro poderemos escolher livremente chorar ou rir, privada ou publicamente e desconsideraremos terminantemente a patologia da solitude.

No futuro.