25 março 2013

Na terça tento fazer melhor!

Agora que a poeira baixou, o coro comeu e quem tinha de correr já correu, peço a palavra para falar.
 
São 3:54 da manhã dessa segunda-feira de trabalho às 9:00 e minha mente inquieta não me permite o sono. Ela quer pensar! E é ao som de The Smiths e do ronco do Leo é que escrevo esse texto.
 
A Simone hoje disse que me ama. Sim, ela estava bêbada, mas depois desse longo processo de entrada na casinha, tá valendo!
 
Brinco com as pessoas dizendo que ela curou em 3 meses traumas que 7 anos de terapia não deram jeito. A porrada, é claro!
 
Entrar na casinha foi muito difícil.
 
Antes de começar a trabalhar na Telasul eu era perfeccionista, culpável, egocêntrica - eu realmente acreditava que dava conta de tudo -, arrogante e questionadora. Só que a Telasul (agora Casa Brasileira) é uma empresa com muito a se fazer, e se você é do tipo que aceita todas as incumbências sem questionar, bem... vão haver mais pessoas te entregando mais coisas para fazer. Lembra que eu disse que era egocêntrica? Pois é, a sobrecarga foi tão grande que aprendi a não ser.
 
Não tenho como descrever o que é tentar fazer uma planilha pela primeira vez com vários descontos diferenciados, somatórias que não casavam, duas empresas diferentes, duas lojas diferentes e a Simone me dando esporro porque estava errado. É possível que fosse só o jeito ogresco dela de falar, mas eu era perfeccionista e culpável e nossa! aquilo soava como uma declaração de incompetência perpétua aos meus ouvidos doentes.
 
Deixa eu tentar explicar para vocês o que é um esporro para alguém como eu: Tento (quer dizer, tentava. A Simone me curou) fazer tudo certo. A última coisa que queria no mundo era ouvir alguém reclamando de algo que fiz. Sempre fui extremamente insegura e elogios e críticas têm o peso de 1 ton na minha avaliação pessoal. E ela sempre dependeu do que os outros diziam. Minha mente é tomada por pensamentos de suicídio recorrentes e uma vontade de chorar que sempre levo a cabo. Ouvir que fiz algo errado, significava que eu toda estava errada. E pra Simone, eu estava toda errada. Mesmo.
 
Chorei do Recreio até a Barra. Fui no ônibus morrendo de dó de mim mesma verdadeiramente tentada a dar cabo na existência do fracasso encarnado em mim. Eu sabia que não havia jeito: eu jamais melhoraria. Era completamente dispensável (como me foi dito mais de uma vez). Eu não merecia mais viver! E isso tinha de acabar! E ia ser naquele dia. Entre o Recreio e a Barra.
 
Havia um pouco de trânsito e minha mente inquieta começou a trabalhar, e trabalhando me levou a pensar: A Simone é uma grossa! A Simone é uma grossa, porra! E o Leo é esquecido! Falei com ele já 4 vezes sobre o pedido que ele tinha de entregar no Recreio e ele esqueceu! E ele é esquecido, e isso não vai mudar! E ela é grossa! e tampouco vai mudar. E... e eu? Por que então não posso ser aquela que faz as coisas erradas? Por que não posso ser aquela que esquece o desconto na planilha, que não lembra a ordem dos vendedores, que nem sabia que tinha de fazer a ordem dos vendedores? Por que todos tem o direito de ter defeitos, de serem imperfeitos e eu não? Ah! Vai tomar no cú! Defeitos todos têm! E esse é o meu! Gostou, gostou. Não gostou, me demite! Não, não! Melhor! Eu me demito! Nessa loja com essa grossa eu não fico mais!
 
hehehe, Deus é muito bom! Acabou que não fiquei mesmo na loja do Recreio. Fui pra Barra e por lá fiquei por mais uns 2 meses. Longe da Simone. Amém!
 
Problema perfeccionismo: Curado!
 
Tenho também essa tendência de cuidar do mundo, a achar que tudo me concerne, que tudo devo resolver. Mais esporro, é claro.
 
A Simone me explicou de uma maneira bastante grosseira que nem tudo me diz respeito.
 
Foi doloroso, contudo libertador. Agreguei uma quantidade incontável de conhecimento ao longo dos anos, os pensamentos foram tantos que no fim não conseguia mais dormir. Só que a partir do momento que nem tudo me diz respeito e que nem de tudo preciso saber (como ela deixou bem claro ao me explicar sobre os grupos dos modulados, porque os modulados tem grupos sabiam? Isso quer dizer que não foi a Todeschini que sacaneou os clientes, mas um grupo específico, dono de umas lojas específicas que o fez. Mas as pessoas não sabem disso e acham que foi a Todeschini inteira que fez isso e provavelmente por ignorância não vão comprar mais lá, com pessoas possivelmente honestas até. Mas elas não sabem disso. E eu sei, viu Simone? Tinha um porque!) me livro de ter de resolver coisas, pois se não me concernem não é problema meu e se não é problema meu, lavo minhas mãos. 
 
Problema carregando o mundo nas costas: Curado!
 
 
Eu era arrogante, achava que tinha de dar conta de tudo, que podia dar conta de tudo, que era capaz de fazer tudo certo, mas a Simone me ajudou de uma maneira muito torta - que só a escrita do nosso Altíssimo Senhor Deus seria capaz de realizar - que também sou humana, que tudo bem errar e me lembrou de como são mesmo feitas as amizades: com a superação das dificuldades através do perdão e da segunda chance.
 
Mudei sim, bastante. Contudo meus porquês apesar de reduzidos ainda aparecem vez ou outra, volta e meia lanço algo errado na planilha, a vez então nem se fala! acho que nunca vou conseguir fazer isso direito! Saber onde cada vendedor este então, nem se fala! Não tenho mesmo talento pra cuidar da vida dos outros. Mas amanhã vou sentar na mesa da frente, vamos ver se finalmente consigo abordar todos os clientes que entram na loja!
 
Simone, Deus escreve certo por linhas tortas, e por algum motivo Ele nos colocou juntos na casinha. Desfrutemos, então!
 
 
Ah! devo chegar atrasada amanhã. São 5 da manhã e vou tentar dormir agora, mas não briga comigo não, foi por um bom motivo: esse texto!
 
E ah! tenho de ir numa montagem também ver uns pontos de hidráulica e elétrica que especifiquei, mas o pedreiro mudou. E devo ficar meio cansada por ter dormido pouco e sair mais cedo da loja.
 
É possível que amanhã eu seja uma péssima funcionária, mas não briga comigo não! Vou tentar fazer melhor na terça, tá?
 
Beijos! e obrigada.

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