Recebi um PPS sobre aceitação, bem agora,
Logo agora que não tenho sono quando acho que deveria estar dormindo.
Não aceito essa quebra de padrões, não aceito que a noite se desenrole
diferentemente de como planejei.
Planejei acordar cedo, fazer algo de proveitoso no meu dia, ajudar a minha tia, regressar ao lar e às 10:00 estar dormindo.
Acordei ao meio-dia, fui ajudar minha tia, quando voltei já eram 7 da
noite, estava me sentindo mal e tudo que queria era dormir. Quando
deitei, fiquei por 2 horas na cama e não tive mais sono. Foi um sono de 2
horas, um sono agitado; O que me frustrou. Meu sono TEM de ser
tranquilo. E TENHO de dormir bem.
E esse não cumprimento de padrões, foi o suficiente para me desestabillizar. A vida não sair como eu planejei é enlouquecedor.
Mas eu me pergundo, e quando foi que ela saiu?
E quando ela saiu, será que foi tão boa assim?
Eu quero controlar tudo, até a espontaneidade eu quero controlar.
Não aceito as coisas que acontecem assim, ao acaso. Não as valorizo.
Tudo tem de ser pesado e medido.
Tudo tem de ser previsto.
Eu tenho de estar preparada para tudo.
Ai acontecem coisas como essas.
Uma coisa boa acontece e não sei lidar com o fato dela ter sido um tira gosto e nada mais.
Não sei improvisar. Não sei trabalhar sem planejamento.
Não sei ser espontânea.
Logo eu que a incerteza dos fatos me mata, e a certeza deles me corroi.
Quero estar no controle e ser surpreendida. Mas quero que a suspresa
seja aquela que eu gostaria de ter. Quero ser surpreendida com algo bom
que eu sempre esperei.
E quando não é do jeito que ensaiei na minha mente não server. Não vale.
Quantas dores de estomago por conta disso. Quantas dores que podiam ser evitadas.
Não me surpreender que essa pessoa que espera sempre as surpresas boas
esteja tão abalada com a falta de respostas dele. Por mais previsivel
que isso fosse, não estava no meu programa. Não era exatamente o que eu
queria. Mas eu não sei trabalhar com o imprevisto. Eu só sei programar.
Até quando vou me deixar levar por essa lógia burra que só me faz sofrer?
Até quando vou considerar uma noite de insonia uma maldição, quando essa podia ser uma noite de inspiração?
Até quando vou sofrer por não ser amada do jeito que quero ser amada por quem quero que me ame?
Até quando vou me punir por não conseguir atender ao padrão que eu mesma criei?
Até quando vou me culpar e irritar porque as coisas não sairam como o planejado?
Até quando vou brincar de Deus?
Até quando vou me punir por ser espontânea?
Ate quando vou me culpar pelo e-mail que mandei, pelas coisas que disse, por mais sinceras que fossem?
Até quando vou me culpar por não ser o robô que planejei ser?
Até quando vou me culpar por gostar de quem não gosta de mim?
Até quando vou me negar a aceitar as pessoas apenas de quem elas são e assumir que eu também não sou perfeita?
Até quando vou sentir essa dor insuportável no maxilar?
Até quando?
É tão ilógico o que eu faço.
É tão burro
E é tão meu.
Não quero me criticar mais,
não quero pensar se é certo ou errado eu tomar um calmante num dia como esse
O mundo é doido, e se a gente for tentar ser normal nele, enlouquece.
O que vou fazer com relação a Ele?
Muito provavelmente nada. Não depende mais de mim.
Aceito que essa é uma situação que não posso controlar.
Aceito que por maior e melhor que sejam os meus sentimentos ele tem o
direito de não estar preparado para aceitar, ou saber lidar com eles.
Aceito que por mais que eu queira sentir o que senti outra vez, não
posso passar por cima dele, não posso forçá-lo, não posso pressioná-lo.
Não seria correto.
Aceito que é sim possível que eu tenha de sofrer para não desrespeitar outrém.
Aceito que é sim possível que eu não faça idéia do que passe na cabeça
do outro. E que terei de lidar com isso da melhor maneira que puder, e
que essa melhor maneira pode não ser a mais bela aos olhos dos críticos,
mas sem sombra de dúvidas ela vai ser minha!
Aceito que eu não sei.
Aceito que estou com dor, e vou fazer o que tiver de ser feito para ela passar.
Aceito a responsabilidade sobre mim de sempre buscar fazer o melhor que
posso, e que esse melhor pode não ser suficiente, que esse melhor pode
ser feio, que esse melhor pode ser vergonhoso, que esse melhor pode
passar mil km longe do ideal. Mas foi o melhor que eu pude fazer.
Aceito que esse texto pode não ser o mais bonito.
Aceito que provavelmente ele não o é, mas ele é sincero.
Aceito que sou humana.
Aceito que não sou o melhor que um dia haverá de mim, mas sou o melhor que posso ser hoje.
Tenho convicção de que me esforço o máximo que posso para ser a melhor versão de mim mesma e que isso tem seu valor.
Aceito quem eu sou.