Uma festa de criança, O município de Caxias e as pessoas estranhas da rua.
Honestamente não reconheço o sinal que emana de mim e, como o perfume doce que chama abelhas, atrai os loucos dessa Terra. Sei que unido ao do Leo (um outro amigo fora da casinha) termina em situações como a de hoje, quando o momento trivial de três amigos saírem para fumar durante um aniversário de crianças se transforma num relato detalhado da lua-de-mel frustrada de um homem, no caso, o segurança.
- A culpa é toda do GPS! GPS, não funciona não! Dizia ele.
Não me perguntem como chegamos ao GPS, a teve início com algo em torno de "Alguém está na frente do hotel Ferraz tentando chegar aqui..." E aí ele começou.
- Sabe rapaz, eu ganhei de presente da casamento ficar na casa de um amigo em Cabo Frio...
Pensei: "Puts! Que história é essa?"
- ... aí peguei o carro, programei o GPS e fomos eu e minha esposa pra lá. Andamos, andamos, andamos, e quando o GPS disse: Chegou! A gente tava dentro de uma favela, cara.
"Bom, até ai tudo bem." Simpática, comentei:
- Ah! Mas é assim mesmo, GPS no Brasil só serve pra levar a gente de uma cidade a outra, mas quando a gente entra tem de ser perguntando mesmo.
Só que ele não entendeu a marca de simpatia de um estranho que faz um comentário genérico para encerrar uma conversa que não quer ter. Continuou...
- Pô, cara! Parei o carro, aí! Mó favela estranha! Assim que estacionei, um cara passou correndo atrás do outro com um facão na mão.
"Porra", pensei! "Que merda de lugar é esse?"
- Aí entrando na casa... a casa cheia de mofo, não tinha nem cama, era só um colchão no chão.
"Tá bom, já ouvi o suficiente! Tá vendo? É por isso que eu odeio conversar com pessoas que eu não conheço!" Absolutamente constrangida, não sabia se jogava o cigarro fora ou fumava mais de tão tensa com a situação. "Senhor! Por que eu tô ouvindo isso?" Rezei.
- Pô! O chuveiro era elétrico, uma água fria do cacete! A tv era como? A imagem toda cinza que ficava subindo assim...
Nesse ponto, rendida, comecei a rir. Nossa! Como assim? O cara sai pra lua-de-mel, pára dentro de uma favela, com um cara correndo atrás do outro com um facão na mão na porta da casa que ele ia ficar? Casa sem cama, água quente e fedia a mofo? Em Cabo Frio! Não deu! Mas minha vingança veio na forma de propaganda eleitoral.
- Minha mulher queria ir embora, queria ir embora, e eu falando não. Que isso! Pô, ficamos lá naquela noite e no dia seguinte fomos para Saquarema, aluguei uma casa lá e ficamos por lá mesmo.
"Menos mal!"
- Pô, foi provação, hein! No dia do casamento o fotógrafo não tinha ido e o que salvou a gente foi uma amiga com uma câmera pequenininha que registrou lá o momento... Minha mulher ficou com raiva, né? Nem a roupa especial quis colocar, foi dormir com a camisa do deputado! Pô, olhei pra ela e perguntei: " Que camisa é essa aí com a foto do deputado nas costas?"
O cara andava de um lado pro outro fazendo mímicas da fotógrafa, da camisa e eu, sem opção, rindo.
Surpreendentemente, continuam casados. Isso já tem dois anos.