03 março 2011

Free As a Fly.


Minha primeira tentativa de me enxergar como verdadeiramente sou:

Descobri esses dias que sou uma pessoa muito vaidosa. Mas é uma vaidade fantasiosa.

Me vejo como um ser humano perfeito desses de filme, no qual a mocinha é ao mesmo tempo doce, forte, linda, gostosa, sarada, independente, e no momento certo frágil. E por me enxergar dessa maneira penso que "se eu existo, alguém assim deve existir lá fora pra mim também!"

Será que eu sou romântica ou mais do tipo racional?

A questão é que eu ainda fico oscilando de acordo com as pessoas que me rodeiam. Por exemplo: Perto da Fulana eu viro uma criança.

Em que situação será que estou mais próxima de mim? Será que quando não tenho ninguém que conheço por perto e ajo livremente sem interferências?
Nesse caso, tirando por exemplo a ser examinado minhas experiências fora do país quando ninguém me conhecia e eu podia ser o que queria, eu sou do tipo não muito preocupado, gosto de casualidade, de desapego.

Eu não precisava estar perdo de ninguém que me apoiasse ou acolhesse. Era bom quando tinha, mas não era uma necessidade.

Eu estava aqui, e se desse vontade, mudava, conseguia sentir no meu coração o que queria.

Não precisava de ter ninguém do meu lado. Eu conhecia pessoas aqui, pessoas ali. E ia vivendo.

Sofri algumas decepções, me senti enganada, mas nunca abandonada, solitária. Eu tinha os meus guardiões pra quem ligar.

Com meninos eu não me apegava, não acreditava que ia encontrar alguém... tava ali pra curtir... Eu estava pro que desse e viesse.

Tinha momentos de pensar, momentos de planejar, mas quando tava tudo pronto tinham momentos de viver.

E quando sabia que ia encontrar uma dificuldade, respirava fundo e mergulhava. Ia. Como quando passei 3 dias no aeroporto, sem banho, dormindo no chão do corredor às 2 da manhã quando o movimento diminuia bastante e acordando às 4 com os primeiros checkin, sem perspectiva, sem vôo. Sabia que tinha de dar certo. Precisava dar certo. Eu não aceitaria outro resultado que não esse.

Eu tinha um objetivo claro, encontrar um emprego, conhecer pessoas e zuar. Talvez eu só devesse ter adicionado na lista não guardar tanto dinheiro e viajar mais. Mas a verdade é que meus pais não iam me dar qualquer centavo a mais. E eu queria uma câmera e uns perfumes. Então Nova Iorque teve de ficar pra depois. Difícil curtir sem grana.

Quando eu sentia que não me encaixava eu mudava. Mudava de casa. De círculo de conhecidos. Quando o ar começava a ficar muito denso eu saía. Como quando começou muita fofoca no grupo do Beltrano, ele que ficou com a menina e depois ficou comigo e ele não queria mais ela e um amigo dele queria ficar comigo também, e eu achava a menina tão legal, não queria que ela fosse mal tratada pelo ele, muito menos por mim! Eu só me lembro que achei a situação confusa d+ e que era hora de ir. Peguei a chave do carro e fui embora... dei uma desculpa esfarrapada e saí à francesa. Será que isso faz de mim uma pessoa volúvel?

Eu era mais corajosa. E ia atrás do que queria, e sabe que no final dava certo? Eu não tinha rios de dinheiro, nem gastava como as meninas. Meu padão de vida era bem estudante de intercâmbio fudida. Mas eu nem precisava de muito não, sabe? Os meus interesses e padrões eram diferentes.

Eu pagava as minhas contas em dia, e fazia o que dava na telha. Eu era mais livre.

Eu pensava no que queria fazer, me preparava o melhor possível e ia. Eu não sentia medo da dor.

O que será que me prende aqui? Será que se eu descobrir o que é vai me ajudar a me libertar ou eu simplesmente continuarei presa, mas não mais na ignorância?

Acho que me sentia segura pra arriscar, porque se tudo desse errado eu tinha pra onde voltar. E agora eu já estou aqui.

Como voltar a esse estado de espírito?

Primeiro não me prender a ninguém. Eu tenho tanto medo de magoar e desapontar as pessoas que fico me tolindo por elas.
Como por exempro essa sexta feira que a Fulana quer sair. E eu não to afim. Quero ir pra casa. Domiiiiiiiiiiiiir. O DL me deixou exausta... Tenho me preocupado muito, não quero saber de compromissos e horários.

Aliás. Odeio compromissos e horários. Até poque chega na hora e eu não quero ir!

Eu não gosto de quem sou aqui. Prefiro ser quem sou lá.

Aqui eu estou preocupada, desgostosa, cansada o tempo todo.
Eu tenho sempre algo na cabeça. Uma preocupação. Um prazo. Uma neurose. Um menino.
Aqui eu estou sempre presa a prazos, horários. Obrigações.
Aqui eu magoo. Decepciono. Envergonho.
Aqui eu nunca sei. Estou sempre na dúvida. Insegura.
Aqui eu sou um cachorrinho filhote esperando que alguém me acaricie.
Lá eu sou um passarinho. Admirada e tocada somente pelos mais carinhosos e gentis.

Aqui eu sou chata. Marrom.
Lá leve. Gotículas de água na luz.

Aqui eu sou prepotente. Vaidosa. Intocável.
Lá eu sou acessivel. Shaped on my own and particular way.

Mas como eu vou voltar a ser quem eu era lá só que estando aqui?

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