04 julho 2011

"Eu ainda vou te amar, mesmo que você seja por ele ignorada. Eu ainda vou te amar."

Eu não sei como isso aconteceu... num minuto eu queria muito ficar com ele e estava sangrando por dentro por acreditar piamente que ele jamais desejar-me-ia, e no minuto seguinte estavamos aos beijos no carro sob juras de longo tempo de espera e desejo mútuos.

(Desculpe o tom romântico, mas não encontro melhor forma de narrar esse momento que me foi tão inacreditável que tive de mirar o hematoma que ficou no meu seio durante uma semana inteira para acreditar que acontecera de verdade... Até que ele se foi, e com ele a minha crença na veracidade dos fatos)

E no instante seguinte eu estava querendo aproveitar cada segundo ao máximo, por crer que aquela ser-me-ia oportunidade única e derradeira (palavras ditas pelo próprio, de forma menos polida, porém igualmente clara: "Eu sou assim mesmo, agora eu estou aqui, daqui a pouco eu estou ali. Eu fiquei com a sua amiga, mas hoje eu não quero mais, eu quero ficar com a sua outra amiga..."

Então pensei: "Hoje ele quer ficar comigo, amanhã não vai querer, então é melhor eu aproveitar tudo que posso...". E foi então, nesse momento que me dirigi à casa, peguei a chave do meu apartamento antigo e transformei-o em alcova.

No início acho que nem ele mesmo acreditou que estávamos lá e que eu chegaria às vias de fato, mas é impressionante o que somos capazes de fazer quando não temos nada a perder. E eu não tinha nada a perder...Só não cria eu que não ter o que perder não te impede, sob quaisquer aspectos, de ganhar. E foi aí que eu me fodi!

O que ganhei foi carinho, acompanhado de um olhar... Recebi um beijo nas costas e tivemos as mão dadas no ato sexual. Ganhei uma nova versão do sexo. Ganhei um novo desejo. Ganhei uma nova obsessão.

Num momento eu estava lá, completamente entregue à irrealidade do toque que passei a vida a procurar, e no momento seguinte eu estava defronte um muro de pedras sem equipamentos para escalá-lo... e construindo o meu.

Coloquei um lago de incertezas ao redor, e a coragem está estocada para tempos de guerra apenas. E por maior que seja meu desejo de ir ao encontro daquilo que, agora que meu hematoma se foi parece-me um sonho nebuloso, cada passo que dou em sua direção as heras se fecham mais e me impedem de vislumbrar dentro daquela fortaleza de pedras.

Encontrei-o por duas vezes já depois do ocorrido, na primeira estava tão nervosa que não sou capaz de narrar qualquer sensação além do alívio que senti ao sair. Na segunda, não esperava encontrá-lo. Foi uma surpresa. No início agradável, um misto de expectativa e esperança. Depois preocupada. Medrosa. E finalmente a paralisação total e a fuga de qualquer olhar cruzado. Mal o encarei; E ele por sua vez, nada fez. Agiu com naturalidade, talvez? Essa naturalidade distante de quem não nunca ligou para nada. Ou retribuiu meu acanhamento com acanhamento também? Na verdade não sei. Tenho motivos pra acreditar que sim:

-Por que você não me disse isso antes?. Disse ele no carro.
-Por quê? Como assim por quê? Porque eu tinha certeza absoluta que vc nunca ia querer ficar comigo! Por que vc não disse isso antes?
-Podíamos estar fazendo isso há muito mais tempo! Por que você não me disse isso antes?. Repetiu.
- Eu não sou muito boa demonstrando sentimentos.
- Pois é, eu também não. Por que vc não disse isso antes?

Quero d+ acreditar que a pessoa que me tocou mora dentro desta que mal me olha, e que existe um motivo melhor que a pura indiferença e descartabilidade para nossos olhares não se cruzarem mais. Caberia dentro de um mesmo ser tanto carinho e estranheza? Coexistiriam estes pacificamente?

Nossos olhares se cruzaram por um segundo na sexta-feira, os dele me diziam algo que não consegui entender. O mesmo olhar daquele 11 de junho subtraídos o gozo e o encantamento. Os meus se distanciaram, um segundo mais e eu não seria capaz de manter meus pés imóveis; Seguiria em sua direção.

Na mesma sexta-feira, um pouco mais cedo porém, enviei-lhe O Melhor de Mim sob forma de carta. Cumpria uma promessa que seria vã se não partisse dessa que te fala: Prometi-lhe enviar uma carta, confessei não tê-la feito antes por pensar que não a responderia e diante da confirmação da não-resposta, mas certificação da felicitação pelo recebimento, confirmei o futuro envio. E 20 dias mais tarde, seguiam em 4 envelopes um bilhetinho, o trecho mais bonito do Pequeno Principe, os rascunhos da minha casa dos sonhos - com todos os detalhes mais íntimos da disposição física da morada do meu corpo - e uma justificativa que sustentava o envio na intenção de fazê-lo sorrir, ler e aproximar-nos. Não assinei, pois o mais importante é que ele vivencie essa emoção e não quem a proporcionou.

A carta está prevista para chegar hoje, segunda-feira 04 de julho de 2011. Meu coração está na boca, e um mantra repete-se segundo a segundo em minha mente:

"Eu ainda vou te amar, mesmo que você seja por ele ignorada. Eu ainda vou te amar."


Nany.

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