18 janeiro 2012

Afundando sem mergulhar.



Não que eu não queira colocar minha mochila nas costas e ir para Arraial do cabo mergulhar na companhia de mergulho que eu já vi e pagar com o dinheiro que já tenho.

Mas sei lá, bate um desânimo de ir sozinha, um medo... não é nem de ser ruim não, não tenho medo de ficar sozinha... é medo da crítica, sabe?

Quando eu penso em ir já me vem na cabeça a voz da minha mãe dizendo que estou "desempregada", que fico gastando dinheiro à toa, que eu devia guardar para qualquer outra coisa que não seja essa, que eu vou morrer, que vai chover, que vai ser uma merda, que eu devia fazer qualquer outra coisa mais útil, ou o contrário do que eu quero fazer só para... uhm... não sei, para fazer o que ela quer que eu faça?

Não é nem pelas 3 horas que vou passar no ônibus ou, caso decida ir de carro, pelo possível engarrafamento que vou pegar, já que é feriado de aniversário da Cidade do Rio. 

E se eu decidir ir de carro então, PUTA QUE PARIU! Aí não vai ser só a minha mãe a falar. O meu pai vai dizer que o carro não tá bom, que esse carro não é confiável, que o carro tá uma merda... mas quando eu digo que temos de comprar outro carro porque esse não está bom, não é confiável, poque esse carro tá uma merda, estou sendo exagerada, o carro está bomzinho, nos atende plenamente.

Porra! Aí eu fico sem entender!

Só de pensar no tanto que eles vão falar eu desanimo. Fico cansada e não quero mais ir.

Mas por que se meu irmão fosse eles não falariam tanto? Acho que é porque não estou sozinha... não, não... na verdade é porque vai parecer que é ideia de outra pessoa, e as ideias alheias são sempre mais centradas, convenientes, etc. Será que é por isso que acredito mais nas idéias alheias que nas minhas? Ou será que é porque acredito mais nas idéias alheias que nas minhas que acho que eles também o fazem?

Eu já vi tudo. Sei tudo. Cada detalhe. 
Horário do ônibus
Valor do ônibus
Onde ficar
Quanto vai custar cada mergulho

Só falta ir.

15 janeiro 2012

Beans!

Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 2012.

(começa um pouco dramática, mas melhora com o tempo, se liga não!)

Você era tudo pra mim.

E depois que você foi... o buraco que eu tinha no peito diminuiu, eu confesso, mas não fechou.

Eu tenho amigos hoje. Muito mais do que tinha quando você chegou.
Mas o que eu sinto falta mesmo é do dia-a-dia sabe?

Agora eu ando de bike sozinha pelo bairro. Escolho roupa sozinha, não tenho mais ninguém pra maquiar, pra aconselhar.
Eu não tenho mais ninguém em quem confiar 100% e que confie em mim 100% também.

Ninguém mais lê todos os textos que eu escrevo e comenta e me estimula a continuar escrevendo.
Ninguém mais me pergunta o que deve fazer e confia e ouve o que eu vou dizer.
Ninguém mais segura a barra e a porta do elevador. Não todos os dias ao menos.

Eu não quero mesmo que você se preocupe.  Eu sei que você tem várias coisas pra fazer por aí. E também sei que não adianta nada eu pedir pra vc não se preocupar, pq eu tô chorando agora, e toda vez que eu choro vc chora também.

Mas é da presença física que eu sinto falta sabe?

Eu me sinto do mesmo jeito que eu me sentia antes de você... chorando com o travesseiro e escrevendo pra desabafar.

Agora eu fico nessa busca desesperada pelo bem.... atualmente é a única coisa que tapa um pouco desse abismo. É a única coisa que preenche meu buraco.

Eu fico pensando que vou encontrar um outro alguém como você. Tá bom eu sei que você é única e tal, mas vc entendeu... alguém que partilhe do meu cotidiano como você partilhou.

Eu fiquei lendo os bilhetes que a gente trocava... 

1 - Não imaginei quando escrevi que, 9 anos depois, eles seriam tão importantes pra mim.
2- Eu tinha tão poucas barreiras com vc...

Eu vi uma palestra que diz que somente somos livres no pensamento, pq lá não tem filtro... e vc ouvia o que eu pensava... exatamente como pensava... e gostava de mim...

Eu sei que tô chorando muito agora... mas não liga não.. interferência da carne...

No espírito eu tô, como Gabriel Garcia Marques gosta de colocar: taciturna, calada e triste. Mas não muito. Eu sei que você está aí... eu te vejo... e sei que enquanto escrevo isso vc de alguma maneira tem acesso. Mas eu sou boba e teimosa como uma mula... vc sabe q não confio na intuição, menos ainda na visão... eu sei que é um erro, mas é abstrato d+ pra mim agora. E por ser teimosa como uma mula (a gente sabe q eu sou, e mimada tb) eu quero matéria. Eu quero vc esmagando meu peito nos seus ossos e eu reclamando.

Eu quero resmungar e vc saber que esse é meu jeito quando eu gosto, pq quando eu não gosto sou educada e distante. 

Eu sei que já acontece, mas vc sabe que eu tenho essa dificuldade de deixar as pessoas entrarem. Eu tento, eu faço terapia, mas é foda... eu sou... porra... eu sou foda com essas paradas.

Eu tô sentindo melhor de escrever sim... mas sabe como é, né? 

Porra Feijão, que falta que tu faz, cara.

Eu encontrei a Clara esses dias (ontem p/ ser mais exata)... eu gosto dela. Empatia é o que eu sinto. Mas eu fico com medo de colocar uma expectativa grande, de encontrar e fazer da pessoa minha amiga e depois o negócio não crescer, sabe? 

Eu sei que eu não devo ter medo, que tem de fazer... p/ ver qual que é... mas você sabe que eu sou foda com essas coisas... porra eu machuco fácil p/ caralho e depois p/ consertar é mó merda. Eu sou cheia dessas viadices de mágoa. Eu não queria ser assim, mas... sei lá... acabo sendo.

Eu tenho muito medo de ser lésbica Beans... Acho isso por que eu só consigo criar essa conexão e deixar entrar amigas... e você sabe que com o espírito geminiano que eu tenho somado ao nível baixo de preconceitos...... Porra, é claro que eu gosto de pica... mas os homens sempre me trataram tanto como objeto (ou eu me senti assim, mesmo sem eles me tratarem de propósito) que eu travo.

Só com o Yuri foi diferente... e eu queria TANTO que você estivesse aqui p/ me dizer o que fazer. TANTO. TANTO. TANTO.

Só com ele eu senti... eu pensei amada... mas não sei se essa é a palavra que mais bem define o que eu quero dizer. Mas vou te falar, foi há tanto tempo que já tô até esquecendo... tá ficando só aquela sensação de "eu acho que eu vi um gatinho", sabe? Tipo quando você sente falta de algo que nunca teve. Ou uma vaga lembrança de algo que eu quero MUITO!

  Então... é assim que eu sinto...

Eu sei que você define tudo como falta de sexo, mas lá no centro espírita eles dizem que quando a gente sonha, na verdade tá acontecendo mesmo só que no plano espiritual, e se isso é verdade... caraca... eu dou pra caraca! Uhulll! hehehehehHEHEH

Bom, agora como eu não posso mais endereçar as cartas p/ sua casa eu tipo que publico elas num blog que eu criei no ano que você morreu. Eu sempre acho que ninguém lê, mas sempre torço que alguém leia. Tipo, ALGUÉM PRECISA SABER O QUE TÁ ACONTECENDO! Na verdade eu intimamente espero que alguém leia, só não comente comigo que leu, ao menos não logo de cara... assim.

É, eu sei, sou difícil de lidar pra caraleo!

Pô, to fazendo várias paradas, mas tipo que tô na mesma merda.. a parte boa é que as questões que eu tinha na pré-adolescencia ou foram respondias ou ainda estão na minha cabeça.... o que prova que elas eram importantes p/ mim e que.. eu ainda penso nelas... e que eu não era louca, ou ao menos não deixei de ser. hehehehe

Eu tiro fotografias agora. Além de pintar e falar 3 idiomas e EU ESTOU FINALMENTE CONSTRUINDO MEU ATELIÊ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Depois de 10 anos desejando ardentemente ter um, eu só precise casar meu irmão, expulsar meus pais do antigo quarto deles, travar 5 mil batalhas hercúlias para que o armário deles saísse e tanãnnnnnn esperar a Etna entregar (depois de quase 2 meses) a mesa e tudo certo! Ateliê da Naninha de pé (tá certo que a metade dele é um escritório também), mas é meu território! Todo meu!!! Meu! Meu! Meu! Meu domínio! Para fazer o que eu quiser. Escrever, ler, pintar, navegar na net, trabalhar, responder e-mails... tudo! Num só lugar! Olha que legal!

Você devia ver isso! Pede uma autorização especial pro homem aí de cima, alega que você é uma boa aluna, gente finissima, que pode perguntar pra geral aqui da Terra que você é super bem quista (gostou? do fundo do baú a expressão!) e chega mais!! Mas não liga pra zona não... estamos em fase de mudança... meu quarto p/ variar está de cabeça p/ baixo (pq agora ele só vive assim.. irônico, não?) Vou anexar uma foto do ateliê/escritório, só p/ o caso de vc estar numa missão fijônica muito importante e não puder dar um chega por aqui!

Fotos prometidas:








 Tá vendo aquela mala alí? É a razão dessa budega toda! Eu tava esvaziando e encontrei vaaaaaaaaaaaarias cartas da nossa época.. aí fiquei assim: emotiva!

Tem umas cartas que você tipo que escreveu p/ outras pessoas e por algum motivo ficaram comigo... depois vê ai se vc consegue me dizer se quer ou não que eu entregue. Tem uma pro tio de quando ele tava voltando pro Chile e tal... bom vc quem sabe, só me fala depois...

Agora já tô melhorzinha.... deixa eu ir lá pq ainda estou de toalha e tem evangelho no lar daqui a pouco. Vou rezar por você!

Te amo muito!
Um abraço muito apertado de esmgar meus peitos fartos!

Nany!

Antonio Marcos

Maio de 2006.


À Antônio Marcos de Freitas Bastos,


     Inicio esta carta com os meus sinceros votos de felicidade, sucesso e paz.
     Felicidade por completares um ano mais de vida.
     Sucesso para que possas completar tantos mais forem possíveis.
     E paz para que esses possam ser muito bem vividos.
     Desejo-te por fim, puro e simplesmente, um feliz aniversário.

     Dito isso, tomo a liberdade de recomeçcar essa carta. Agora não mais com a intenção de congratular-te, porém com o objetivo de tornar claro o único ponto ainda obscuro no nosso reencontro: o motivo desse ter ocorrido.
     Há dois meses atrás, deparei-me com o amor e os conflitos que esse acontecimento pode causar em um ser. No meu caso porém, a aus|ência dele me levou à questões mal resolvidas de um passado não muito distante. 
      Revivi minhas memórias na procura de uma faísca desse sentimento tão bizarramente encantador e cheguei a ti. Pensando, revivendo e comparando, concluí que tú me proporcionara algo similar: a paixão. Ela correu em mim por três anos. Anônima. Sem que eu pudesse perceber, ela corria e se expandia pelo meu íntimo. Há dois meses no entanto, na minha busca desesperada por esse sentimento tão comum e distante de mim, num vacilo inesperado do coração, deparei-me comigo e contigo numa sala vazia do Afonso Celso a confessar saudades depois de passarmos um curto período de férias separados. Eu no Recreio, e você em Angra com uma menina que não agia e nem beijava como eu. 
     Vivi emoções tão fortes as quais sempre busquei, e percebi que essas não se buscam... elas sim, nos agarram e inflamam sem pedir permissão ou desculpas. Vem e vão como bem entendem.

     Procurei-te com a intenção de revivê-las - o motivo - e vi uma filosofia que carrego comigo: As pessoas entram em nossas vidas por uma razão, por uma estação ou por um motivo. As pessoas que entram nas nossas vidas por uma razão permanecem conosco por um período curto de tempo no qual trocamos um único gesto ou uma única palavra e elas se vão. Há aquelas que entram em nossas vidas por uma estação. E nessa, são feitas inúmeras trocas e são construídos passados comuns. No entando, a estação passa e com ela vão as pessoas. Existem, por fim,  as pessoas que entram em nossas vidas por um motivo e este as mantém juntas até o fim, prmovendo trocas infinitas e amor incondicional.
     A estação chegou ao fim, meu amigo. A primavera acabou e levou consigo todas as lindas flores que tu me mostrara. Sinto muito se essas palavras são duras, pois não tenho, de maneira alguma, intenção de te ferir. Penso apenas que a falta que te fiz é uma gota quando comparada ao oceano da falta que me fizestes. Os outonos, estações de reconstrução, que passamos separados acabaram por nos distanciar semasiado, e hoje não posso mais.
     Asseguro-te que nosso reencontro não foi vão, ele me proporcionou paz e cimentou de formar definitiva a existência passada de um certo Antonio em minha vida.
    Por favor, não entendas esta carta como um ponto final, mas sim como reticências prolongadas de uma biografia não publicada. Mesmo com os anos, isso continuará sendo nosso. Possiu um valor incalculável e deve ser manejado com total apreço para quem sabe no futuro, se o destino assim desejar, nos reencontrarmos em outro outono.
     Sigo em frente sem culpa, mágoa ou remorso em meu coração. Espero que faças o mesmo, desejo que tu te transformes na pessoa maravilhosa a qual sempre acreditei que fostes, e se no futuro eu for teu presente gostaria de conviver com esse ser humano incrível e bom que és, deixando para tras o homem antigo e que seu jeito de estar sendo me afastara de forma tão pesarosa da sua presença.
     Peço-te por fim, que não me tomes por tola por acreditar na tua bondade e virtude, pois se não o fizeste, teria eu de arrancar de meu coração todos aqueles que quero bem.


Abraço-te calorosamente,


Nany.




Janeiro de 2012.

     Você tira a poesia e o galenteio de mim.
     Não tem nada do antigo, somente lembranças que insistem em ser abertas. Hoje, por acaso você saltou. 
     Eu li esta carta com os olhos do espectador curioso e me descobri autora no final.  Não pude deixar de arriscar o reavivamento do momento morto, era bonito, inocente, puro e sincero d+ para ficar lá.
     A lembrança daquela sala, depois das férias... eu sorri.
     De alguma maneira eu te amava. Da minha maneira eu te amava. E aqui está essa carta para provar isso.





08 janeiro 2012

Fogo e Gelo

É tudo uma grande mentira


Eu quero muito.


Quero muito mesmo querer que você suma
Quero muito querer não mais você. MÃO. BOCA. OLHO. PELE na minha
Eu queria querer que você sumisse.
Queria querer te olhar e não sentir nada.
Eu quero querer te transformar num qualquer. Um amigo qualquer. Um ser qualquer. Humano. Animal, tanto faz.


Eu queria querer te esquecer, romper esse fio mental que me conecta à sua imagem na horizontal


Eu quueRIA MUUUUUUUUITO QUERER TE ESQUECER.


EU QUERIA QUERER ELE, QUE ME QUER
EU QUERIA OLHAR E ... nada.
Queria viver a indiferança que mascaro ao te ver


eu queria ser gelada.... e que você viesse me esquentar.