Maio de 2006.
À Antônio Marcos de Freitas Bastos,
Inicio esta carta com os meus sinceros votos de felicidade, sucesso e paz.
Felicidade por completares um ano mais de vida.
Sucesso para que possas completar tantos mais forem possíveis.
E paz para que esses possam ser muito bem vividos.
Desejo-te por fim, puro e simplesmente, um feliz aniversário.
Dito isso, tomo a liberdade de recomeçcar essa carta. Agora não mais com a intenção de congratular-te, porém com o objetivo de tornar claro o único ponto ainda obscuro no nosso reencontro: o motivo desse ter ocorrido.
Há dois meses atrás, deparei-me com o amor e os conflitos que esse acontecimento pode causar em um ser. No meu caso porém, a aus|ência dele me levou à questões mal resolvidas de um passado não muito distante.
Revivi minhas memórias na procura de uma faísca desse sentimento tão bizarramente encantador e cheguei a ti. Pensando, revivendo e comparando, concluí que tú me proporcionara algo similar: a paixão. Ela correu em mim por três anos. Anônima. Sem que eu pudesse perceber, ela corria e se expandia pelo meu íntimo. Há dois meses no entanto, na minha busca desesperada por esse sentimento tão comum e distante de mim, num vacilo inesperado do coração, deparei-me comigo e contigo numa sala vazia do Afonso Celso a confessar saudades depois de passarmos um curto período de férias separados. Eu no Recreio, e você em Angra com uma menina que não agia e nem beijava como eu.
Vivi emoções tão fortes as quais sempre busquei, e percebi que essas não se buscam... elas sim, nos agarram e inflamam sem pedir permissão ou desculpas. Vem e vão como bem entendem.
Procurei-te com a intenção de revivê-las - o motivo - e vi uma filosofia que carrego comigo: As pessoas entram em nossas vidas por uma razão, por uma estação ou por um motivo. As pessoas que entram nas nossas vidas por uma razão permanecem conosco por um período curto de tempo no qual trocamos um único gesto ou uma única palavra e elas se vão. Há aquelas que entram em nossas vidas por uma estação. E nessa, são feitas inúmeras trocas e são construídos passados comuns. No entando, a estação passa e com ela vão as pessoas. Existem, por fim, as pessoas que entram em nossas vidas por um motivo e este as mantém juntas até o fim, prmovendo trocas infinitas e amor incondicional.
A estação chegou ao fim, meu amigo. A primavera acabou e levou consigo todas as lindas flores que tu me mostrara. Sinto muito se essas palavras são duras, pois não tenho, de maneira alguma, intenção de te ferir. Penso apenas que a falta que te fiz é uma gota quando comparada ao oceano da falta que me fizestes. Os outonos, estações de reconstrução, que passamos separados acabaram por nos distanciar semasiado, e hoje não posso mais.
Asseguro-te que nosso reencontro não foi vão, ele me proporcionou paz e cimentou de formar definitiva a existência passada de um certo Antonio em minha vida.
Por favor, não entendas esta carta como um ponto final, mas sim como reticências prolongadas de uma biografia não publicada. Mesmo com os anos, isso continuará sendo nosso. Possiu um valor incalculável e deve ser manejado com total apreço para quem sabe no futuro, se o destino assim desejar, nos reencontrarmos em outro outono.
Sigo em frente sem culpa, mágoa ou remorso em meu coração. Espero que faças o mesmo, desejo que tu te transformes na pessoa maravilhosa a qual sempre acreditei que fostes, e se no futuro eu for teu presente gostaria de conviver com esse ser humano incrível e bom que és, deixando para tras o homem antigo e que seu jeito de estar sendo me afastara de forma tão pesarosa da sua presença.
Peço-te por fim, que não me tomes por tola por acreditar na tua bondade e virtude, pois se não o fizeste, teria eu de arrancar de meu coração todos aqueles que quero bem.
Abraço-te calorosamente,
Nany.
Janeiro de 2012.
Você tira a poesia e o galenteio de mim.
Não tem nada do antigo, somente lembranças que insistem em ser abertas. Hoje, por acaso você saltou.
Eu li esta carta com os olhos do espectador curioso e me descobri autora no final. Não pude deixar de arriscar o reavivamento do momento morto, era bonito, inocente, puro e sincero d+ para ficar lá.
A lembrança daquela sala, depois das férias... eu sorri.
De alguma maneira eu te amava. Da minha maneira eu te amava. E aqui está essa carta para provar isso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário