22 fevereiro 2012

"No final das contas, o ato de escrever é uma tentativa de compreender as próprias circunstâncias e esclarecer a confusão da existência, inquietações que não atormentam as pessoas normais, mas somente os inconformistas crõnicos."

Meu País Inventado - Isabel Allende

Nesse quinto dia de operada já pensei e revi tanta coisa. Afinal, meu ritmo é mesmo acelerado. Isso, somado a uma capacidade de aprendizado elevada me tornam um gênio ansioso e impaciente. Em pequena escala, é claro! Não chego em inteligência e perspicácia aos pés de um Da Vinci ou um Newton. Fato que me alegra (em parte). Quão perturbados em sua vida pessoal eles não era? Eu sou muito.

Saber esperar. Respeitar o tempo e o ritmo do outro. Respeitar que ele não possui a mesma habilidade e não desenvolve as tarefas com a mesma afinação. Contudo entender que, mesmo não sendo eu, ao longo dos seus anos de vida, ele foi capaz de aprender e desenvolver projetos.

Fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Aprender rapidamente. Tudo tem um custo... E paguei com paz meu ritmo acelerado.

Em um sonho distante vi-me praticando yoga, sendo fonte de tranqüilidade e paz! Hehehehe sonho distante! Como estou longe da calma yogue!

Penso em uma analogia para explicar meu atual enfrentamento... Seria como: não é só porque você tem uma Ferrari que você vai sair dirigindo a 200km/h o tempo todo. Tem momento e local certo para correr e utilizar todo a potência dessa máquina. Contudo no trânsito do dia a dia, no meio de pessoas comuns, de carros comuns, é educado e aconselhável a utilização de um veículo menos potente ou caso não seja possível, uma velocidade mais apropriada!

Como equilibrar isso?

Pensei no trabalho, palavra essa que me angustia tanto!

Difícil foi entender que o outro não sou eu. Que a minha habilidade está muito acima da habilidade dos outros. Finalmente consegui o que queria! Só não pensei que me tornar quem eu idealizei me traria tantos contratempos. No momento de concepção do "Eu Projeto" levei em conta o prós da atividade cerebral avançada e da capacidade de aprendizado potencializada. Não imaginei que seria preciso uma dose de ansiedade extra p/ concretização desse processo, tão pouco imaginei que me afastaria tanto da massa e o real significado desse afastamento. Vivi uma solidão provocada e hoje me pego pensando em artimanhas como assistir a novela das 20:00 para quem sabe assim me sentir mais humana e mulher. Sacal o dramalhão global!

Ao mesmo tempo enfrento preconceitos próprios que me impediam de ver que sob muitos aspectos ainda me encontro na forma humana feminina. Talvez devo estimular meu gosto pelos sapatos coloridos e salões de cabeleireiro.

Fico em paz ao pensar que talvez ainda seja possível aprender uma nova forma de viver. Afinal não é esse meu grande porém? Aprender.

Alegro-me de pensar que existem outras Ferraris para comigo passear. Alegro-me de pensar que você está aí e que ler isso também faz parte de quem nós somos.

Com todo meu amor,
Nany.




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