27 setembro 2012

Cão sarnento

Há homens que dividem as mulheres entre as que servem para ficar e as que servirão para casar. 
Assim passam o tempo: a ficar. 
Então, um dia, como era de se esperar, encontram uma mulher para casar. 
Dedicam-se, e verdadeiramente esforçam-se para a ela agradar. 
Contudo, esquecem-se que a vida toda imprimiram em seus caracteres a podridão de um presente de coisificação.
Ora, rapazes! Não sejais ingênuos! Não muda-se quem se é, só porque ela é linda, inteligente e rica: um ótimo cartão de visita, bem o digo!
Vivestes na fartura das mãos que passeiam pelas curvas de corpos inabitados. 
Deliciastes-vos na personificação das capas de revistas e marcas de biquíni.
Agora suma, cão!
Já ganhastes a vossa recompensa.

  

Bis II

Não queria sentir o que sentiu, novamente.

O coração despedaçando-se em mil, as pernas ruindo enquanto descia ao encontro do chão.

Não queria sentir o que sentiu, novamente. Evitou o máximo que pode. Fugiu. Escondeu-se... mas no final sentiu o que sentira, novamente.

Descobriu que não há remédio, não há como se proteger. 

Que respire e tenha coragem então de, antes de sentir o que não quer sentir, novamente, sentir o que quer sentir, novamente. E quando o coração despedaçar-se, as pernas ruírem e o chão encontrar, lembrar-se de que de qualquer maneira alí estaria. Mas, contudo e porém desta vez, sentiu o quer queria sentir. Novamente.  

26 setembro 2012

Bis


Queria sentir o que sentiu, novamente.
Queria ficar boba, fazer algo estúpido... e foi aí que o beijou.
Fez sem pensar. Não raciocinou. Não cogitou. Não mediu. Viveu.

E agora esse filme fica passando na minha cabeça, como se tivesse sido eu quem o protagonizara. Os raios rosa claro que emanavam de sua aura. Aquele segundo em que não sabia-se o que fazer com as mãos... Seu lábio... e o meu.

É claro, a mente estúpida prega-me peças e tira-me a coragem, mas minha mente estúpida e suas peças esvanecem, quando fecho os olhos e sinto o que senti.

Queria sentir o que sentiu, novamente. Sentiu. E quero sentir o que senti, novamente.