14 setembro 2011

Parla!



O programa A Liga, com o Rafinha Bastos mostrou no dia 20 de julho de 2011 a situação do transporte público no RJ e em SP.

Eram 15 minutos de caminhada, 4 conduções (ônibus, trens, metrô), 30 minutos de caminhada e só depois de 3 horas, 3 horas e 30 chega-se ao trabalho ou de volta à casa. Isso fez com que olhasse pro seu esquema de "Como Melhorar o Meu Futuro" e sentisse vergonha.

Pensa em sua rotina: Acordar às 7:00, 10 min de caminhada, 1 hora e 50 no ônibus, 20 minutos de caminhada e chega ao trabalho. Ou 10 min de caminhada, 1 hora no primeiro ônibus, 10 minutos de caminhada mais meia hora no segundo ônibus. Sentada em ambos os casos. De 3 a 4 conduções. 8 horas de sono.

Para voltar: 20 minutos de caminhada, 1 hora no ônibus, em pé. 2 horas e vinte na combi. Sentada.

Depois quando decidiu estudar para tentar passar para uma universidade, tentar um futuro maior: Acordar às 7:00, chegar no trabalho às 10:00, sair do trabalho às 18:00 e ir para o curso, sair do curso às 22:20, chegar em casa às 23:40. 4 conduções. 6h e 30 de sono.

É... 3 h e 10 para ir e voltar à casa. Não está muito ruim não. A questão é: Por que de tanta culpa e vergonha de duas constantes análises, esquemas e buscas de melhorias? Deveria tentar esse trabalhador reportado melhorar se tivesse a oportunidade de fazê-lo? Se tivesse a oportunidade de morar mais perto, de gastar menos tempo no trânsito e aproveitar um pouco mais o que restaria livre? Logicamente, sim.

O que há de errado então? Por que de tanta culpa e vergonha? 

Por reclamar no lugar de sentir-se satisfeita por não estar pior. Se tivesse a oportunidade de melhorar: Claro que o faria! Se ela não existisse é justo que se pensasse em imaginá-la, mas sem sofrer por ainda não ser.

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