03 março 2013

Sobre a ineficiência produtiva.

Sou eficiente.

Sou muito eficiente. E isso é um problema.

Certa vez no colégio, eu reclamava a uma amiga. Dizia que me sentia mal porque havia tirado um seis e meus pais - acostumados a ver meus oitos e noves - consideraram que havia algo errado comigo e com meu seis. Eu provavelmente não havia me dedicado o suficiente àquela prova.

Lembro até hoje da Aninha me dizendo: "Nossa! É por isso que não acostumei meus pais mal! Como sempre chego com quatros, um seis é uma vitória!"

Ah! a ineficiência produtiva!

As pessoas estão acostumadas a me ver resolvendo coisas, principalmente as que não me competem: o computador que não quer ligar, a planilha do excel que não sabem editar, a caixa de som que não sai som, o flyer, a impressora, os óculos, suas vidas e a minha. E a minha?

De repente resolver é meu comum, é minha obrigação. Como assim você não fez?

Até hoje não sei quais são minhas funções no trabalho. Até hoje não sei aonde começo e termino por lá. 

Me rio quando penso nisso. Justamente não sabe-las me torna ineficiente por excesso de eficiência em outras áreas. 

No bom português eu diria que me meto no que não sou chamada. Se ficasse no meu quadrado, evitaria muitos conflitos.

Confesso que há algo de bom nisso tudo. Aprendi muito com minha curiosidade. Tornei-me capaz, e cansada. 

Quero um meio termo. 

Não sei se ligo mais pro que os outros pensam. Deixarei que me acreditem incapaz e em paz. 

De repente sobra mais tempo pra me dedicar à mim.

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