18:30.
- Tenho de ir embora! Tenho de dar comida pro meu filho!
- Ih! Coitadinho! Com esse trânsito que tá hoje você vai chegar e ele já vai tá fraco de fome. É pequenininho ele? Quantos anos tem?
-Pequeno nada, tem 15 anos. Mas só como se eu der. Por isso tenho de correr, o bichinho deve estar morrendo de fome. Tchau!
....
Penso em como é desrespeitoso com aqueles que gozam de plenas condições físicas e psicológicas de se manterem serem tratados como doentes, quando, verdadeiramente doentes, damos tudo para poder por nós mesmo.
Criamos cidadãos dependentes, competentes-aleijados para satisfazer nossos próprios gozos em estender a infância que já passou, para continuar nos sentindo diretores de vidas. Esquecemo-nos apenas que eterna mesma é a condução da nossa própria engrenagem e que ao nos dedicarmos ao controle das vidas dos filhos, dos maridos, amigos, amantes esquecemos de controlar nossas próprias vidas. Abrimos mão da autenticidade da vivencia do presente em prol da falsa sensação de soberania extracorpórea.
Chega, né? Já deu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário