01 março 2013

Ar.

É, Ela está esperando para viver. Ela tá ali, parada, esperando a missão acabar pra começar a vida dela. Eu a entendo.
Ela trabalha, volta pra casa. Cumpre um pouco mais da sua missão. Um pouco a cada dia.

Eu? Eu não.

Agora me lembro. O único objetivo que eu tinha na vida era de tirar a minha mãe da tirania que sempre foi a vida dela com meu pai.

Minha mãe sofria tanto. Tanto! que todos os dias eu acordava, ia para o colégio pensando que um dia eu ia crescer, trabalhar, ganhar dinheiro e tirá-la de lá. Poder dar uma casa como ela sempre quis. Arrumada, cheirosa, bonita.

Dia após dia eu acordei, fui ao colégio - eu realmente não faltava, nem mesmo doente. Só quando estava muito doente - tirei as melhores notas, me esforcei muito nesse aspecto: estudos.

Eu precisava ser a melhor pra passar pra melhor faculdade, pra ser a melhor lá também, e ter o melhor emprego.

Não lembro bem exatamente quando isso aconteceu... acho que foi um processo que começou quando me disseram que a Feijão tinha morrido. Depois da morte dela fui fazer terapia.

E comecei a ver as coisas de uma forma diferente.

Acho que foi só depois disso que pensei pela primeira vez no que EU quereria fazer da minha vida.

Na verdade eu nunca tinha pensado no que queria pra mim. E tipo que não pensei até agora.

Viajar foi bom. Viajar é bom, mas não cria raízes. Eu quero raízes. Quero algo que me segure, me prenda. Eu voo muito.

E pra ser sincera, não sei. Tudo que queria mesmo era ver minha mãe feliz. Ter descoberto que a infelicidade dela foi causada e é mantida por sua própria vontade foi uma decepção muito grande. Um choque. Um baque que confesso ainda me deixa tonta.

Acho que senti vontade de me descobrir. Repetir quem sabe coisas boas que já havia feito.

Não me parece à toa ter rompido com tudo que era antes: arte.

Confesso que não sei aonde estou e onde começam eles.

Ainda não a perdoei por ter-me feito sofrer tanto. Realmente chorei cada uma de suas mágoas.

E não foram poucas.

Meu querer mais urgente foi deixar essa loucura toda de lado. Dar a Cesar o que é de Cesar. Digo isso assim lá em casa: "Vocês que se casaram, vocês que se entendam! Eu não disse sim pra ninguém na frente do Juíz!"

Lá em casa.

Ainda é lá. Quanto tempo será que vai levar pra ser aqui?

Me afastei, achei que estava começando, no primeiro susto corri pra casa.

Mais descobertas.

Mais longe estava eu de tirá-la das garras do meu pai: ela não quer sair.

Quer ficar. Na verdade eles são felizes assim. E eu também.

E eu também.

Quero experimentar um outro tipo de felicidade. Uma felicidade que não conheço.

Como procurar algo que não se vê? Pois não o vejo.

Quero algo que não vejo. Nem sinto. Sei só que é diferente.

Acho que quero ser eu. Quem eu sou? hehehe

Essa, sei responder.

Não vejo diferença entre pessoas. Pessoas são pessoas, ora essa! Homem, mulher, tanto faz. Beijo é beijo. E quando toca. Toca!
Adoro cigarros. Adoro sentar com amigos e conversar por horas e horas, aspirando e expirando fumaça. Meu maior prazer de cada dia é chegar em casa, sentar na varanda e fumar 1 cigarro.
Não gosto muito quando fumo demasiadamente o dia todo. Fumar demais tira o prazer de fumar.
Gosto de fazer presentes. Criar coisinhas com amor para pessoas que nutro sentimentos positivos.

Eu não gosto de artes, mas preciso delas.
Gosto de cigarros, mas não preciso deles.

Ai conflito!

Fiz um presente hoje pra uma amiga. Estou com 1 mês de atraso quase... é q estou voltando agora... procuro não me pressionar mais. Ir à escola todos os dias - e não faltar! - nos meus primeiros 16 anos de vida sugou minha determinação.

Sou dessas que ama tecnologia. Todas as facilidades que elas trazem pra gente. Comigo não é mesmo dinheiro jogado fora.

Não vejo drama, normalmente acho as coisas como podem ser: preto. Preto. Branco. Branco. Nada de bom ou ruim. Porém, tão pouco ajo em conformidade com o que percebo.

Sou dessas que não esquenta muito. Até esquentar.
Ah! Quando quero ser cri cri! Nossa! Nem eu mesma me suporto!

Fico enquanto está bom! Nenhuma disposição em me ater ao que me faz mal. Tenho aprendido sobre construção, que passa pelo bom e pelo mal. Sei também que se vale ou não a pena a gente só descobre lá na frente, mas os amigos dão boas dicas no início. (essa é pra Simone)

Tenho preguiça. Odeio fazer faxina. Atraio-me muito mais pelo trabalho intelectual, confesso.

Sou boa. E sou porque me faz bem, só por isso mesmo. Simples assim.

Sou dessas que procura não se apegar. Porque sou do tipo que cuida, e é trabalhoso demais cuidar de todos.

Talvez eu não queira nada que já não tenha.

É bem possível que o invisível que procuro seja essa doença que sempre tive. Sinto-me fraca e disposta a concordar com o que já tenho. Sonhar me cansou. Sonhei em ter uma empresa de design. Sonhei em fazer algo grandioso da minha vida. Sonhei que ela valeria a pena. Estou cansada.


Talvez seja disso mesmo que eu goste. Essa bagunça, esse brigar que sempre apoia quando é preciso apoiar, esse companheirismo de vários anos que apesar de todos os pesares não deixa a peteca cair. 

Assumo que vi, em cada um dos momentos que foram necessários, eles suportando e levantando um ao outro. Nos momentos mais difíceis. Nos momentos de dúvidas e medos mútuos. 

Não posso negar ter visto minha mãe acompanhando e suportando as dificuldades juntos. Em questão de caráter é inegável a concordância dos dois. Eles não cedem nem um milímetro. Não posso deixar de admirá-los por isso. De uma maneira estranha e torta eles estão na mesma sintonia. 

Talvez eu só tenha crescido e como todo passarinho que cresce quer voar por seus próprios ares. 

















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