"Eu que não sei quase nada do mar, descobri que não sei nada de mim."
Sempre me descrevi como essa pessoa não impulsiva que faz as coisas devagar. A metáfora que eu usava era a de alguém que chega na beirada do lago, pisa na areia e volta para o deck para ponderar. Num outro dia eu chegaria mais perto, molharia o pé, e mais uma vez deck. Descrevia-me num processo longo de muitas idas e vindas, cada vez molhando uma parte maior do corpo até que mergulhasse a cabeça na água.
Que nada...
Meus momentos de angústia e experimentação são sempre marcados por excessos. Tenho certeza que a gordura, o açúcar e a nicotina contribuem para potencializar meu estado de crise, mas é sempre proposital. Eu já estava entupida, remexida e enojada, e mesmo assim acendi mais um. O mais perto que chego, mais me entupo. Nada de lago, é no oceano mesmo que me jogo. Vou caminhando mar adentro, molhando a roupa enquanto me nego o peso do jeans molhado, o frio e o medo. Cada passo que dou encontro novas justificativas criativas para dizer que na verdade não estou entrando e quando quiser posso sair, é só querer. Já tendo água pelo nariz, não conseguindo mais caminhar ou respirar, recuo.
Busco, busco, busco. Breco e volto. Sentada na areia, tremo de frio e me obrigo a ver o sol nascer na praia. "Tem de haver algo bom nesse 'sofrimento' todo", penso. Sofrimento imposto que fique claro.
Mas o que eu queria mesmo era me afogar.
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