03 novembro 2013

...mesmo assim eu quero ficar com você.

Vi o filme do Fábio Porchat, Meu Passado me Condena, ao contrário das histórias de amor de cinema, no final ele fica com a esposa dele mesmo. Ele é infantil, pobre, atrapalhado, sem noção. Ele chata, rabugenta, séria, de luxo. Mesmo assim eles ficam juntos, e de alguma maneira essa história me pareceu mais crível que as hollywoodianas. O mocinho e a mocinha eram reais, com virtudes e defeitos, prós e contras, coisas com as quais o outro terá de aprender a lidar, e isso está muito mais próximo ao que encontramos no dia-a-dia do que o homem lindo, maravilhoso, destemido, protetor.

Lembro dos casais próximos com os quais convivo. Meu irmão, mesmo depois de casado, ainda tem medo de escuro. Quando éramos pequenos, para ir à cozinha, acendíamos as luzes da sala, do corredor e da cozinha, só para não ir no escuro. Ele continua o mesmo medroso de sempre, apesar de pagar as contas em dia, ser "o homem da casa". Meu pai é um frouxo quando o assunto é hospital. Nunca vi alguém passar mal só de pensar que vai ter de passar por lá. Nesse aspecto durona mesmo é a minha mãe, ela faz químio e toma todos os remédios. Pode ser injeção, amargo, demorado, não importa, ela vai. Confesso que nesse aspecto puxei papai, qualquer febre mais alta estou certa que é meu fim. Numa dessas terminei, só esse ano, umas 3 vezes já.   

Na minha história com A. já entendi que não devemos ficar juntos. Têm coisas que ele precisa aprender, melhor dizendo, tem o que ele quer viver, e eu não caibo lá. 

Contudo, passa que enquanto nos despedimos, na tentativa de encontrarmos um jeito de romper sem ter de se afastar, vou aprendendo sobre essas gostosuras do "se relacionar". Sou dessas de sentimentos lentos, escuto algo hoje que só me dói daqui dois dias, como foi o caso da garota no bar. 

Em 2013, não tenho mais teorias sobre o amor. Entretanto, aventurando-me pelo desconhecido, diria que o amor de verdade é diferente desses da tela de cinema. O amor da vida real é composto pelo agrupamento infinito de paradoxos cotidianos colados com "...mas mesmo assim eu quero ficar com você".




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