19 janeiro 2011

Minha amiga Dani.

A Dani é a Dani em qualquer situação. Não que ser Dani seja ser algo bonito, agradável aos olhos, ouvidos e ego, calmo, tranquilizador. Muito pelo contrário!

A Dani parece um guinomo. Ela tem 1,49m, cabelo colorido e sorriso largo. As roupas dela sempre chamam muita atenção - no melhor estilo 'O que é um pontinho colorido andando no meio da rua?' - e ela sempre tem algum elemento surpresa na indumentária, seja uma bolsa do Miró, uma camiseta da Frida, um tênis com pelo menos 5 cores fluorescentes. Ela sempre consegue chamar a atenção independentemente da baixa estatura.

A Dani normalmente não fala coisas agradáveis. Quero dizer, ela diz coisas agradáveis, mas também não poupa ninguém das coisas desagradáveis. E eu que o diga! A minha bailarina não terminou de ser desenhada até hoje!

Para quem não sabe a Dani era minha professora de pintura. Naquela época - eu tinha 16 anos - e estava desenhando uma bailarinha. Eu já tinha feito outros desenhos e tava me interessando bastante por arte e decidi procurar um curso. Aí cheguei até o lugar que a Dani trabalhava. E em nosso primeiro contato, fui eu toda feliz e contente como qualquer leigo se sente ao produzir algo que possa ser considerado um pseudo-projeto-de-desenho e não somente um racunho em si, falar com " a professora de desenho". O laudo pericial condenou completamente meu anteprojeto: o eixo tava errado, a posição do braço não condizia com a realidade, o traço estava picado d+, a sombra pobre. Em suma: Tava uma merda!

Olha vou dizer que decepção foi pouco para o que senti naquele momento. Eu senti como uma flor que você arranca do solo e depois coloca ela na frente de uma fornalha a 1200ºC. Eu murchei! E piooooor, traumatizei tanto que nunca mais consegui enconstar na bailarina! Eu pintei algumas coisas consideradas boas depois, inclusive ganhei alguns prêmios, mas a bailarina, meu bem, continua até hoje intocada! (Vou botar uma foto dela aí para vocês verem!)

Mas aí você pensa comigo: Porra, quem vai querer ser amigo desse filhote de diabo destruidora de pseudos-projetos-de-desenho com sorriso largo e coberto de porpurina? Eu!

Não que ela não destrua os pseudos-projetos-de-desenho. Não que tenha sido só comigo - pode perguntar pra qualquer aluno dela. Todo mundo tem um trauma pós-primeiro Dani -, na verdade o foco da Dani não está nos pseudos-projetos-de-desenho. O foco dela está nas ilusões. Sabe aquelas ilusões gostosas que a gente adora alimentar e se lambuzar de tanto se enganar? São um prato cheio para ela! E agora que ela está fazendo mestrado em Psicanálise, filho, tá foda ligar para ela se lamentando a respeito do que quer que seja!

Não que você não queira matar e dar pros cachorros comerem quando ela faz isso. Porque é muito (muito) irritante ver todas as ilusões que você esmerou por dias, meses até anos, serem lavadas com água e sabão freudianos assim: De uma hora pra outra!

Não que ela não seja odiada por muitos. E que não tenha arrumado, e ainda arrume, muita confusão por ser quem e como ela é. Mas é que a Dani é a Dani. E ela tem tanto orgulho disso que nem se incomoda em se envergonhar ou se preocupar com os outros.

Na verdade a minha teoria sobre a Dani chama-se "Tão Você" e diz assim:

Tão você. Você é tão você em qualquer situação, porque você tem muito orgulho de ser quem você é. Quando a gente se envergonha de quem é, a gente tende a mudar de acordo com as pessoas para parecer mais bonito um pouco. Mas você não.

Claro que ela tem muitas outras qualidades. Que acho melhor chamar de características, pois elas são muito peculiares:

A Dani consegue ser a pessoa que mais acredita piamente em algo hoje e amanhã mudar de idéia. Não que ela seja influenciável. Mas ela é um misto de rigidez e flexibilidade. Quando ela acredita, ela acredita mesmo em algo, mas não ao ponto de negar burramente algo que obviamente o contradiz e detém a razão.

A Dani quando ela fala essas coisas ela fala com carinho. E sempre reconhece quando você faz algo legal. Seja a blusa que ficou bonita ou uma superação pessoal tipo vencer-os-seus-medos-e-atingir-um-objetivo-mega-importante.

A Dani escuta com interesse genuíno tudo que você tem a dizer.
A Dani sempre diz quando não gosta. E isso ajuda muito a aprender a confiar nela.
A Dani chora com você se for preciso.
A Dani vai te buscar onde você estiver para te defender da sua mãe que acabou de descobrir da pior maneira possível que você é lésbica e está tentando te bater.
A Dani revê as crenças dela e continua sendo amiga e gostando mesmo depois de descobri que você é gay.
A Dani te leva a exposições de artes e explica toda a história do pintor e de qualquer outro que você perguntar. E com isso te poupa de ler 3 ou 4 livros para entender um quadro.
A Dani esquece que eu já tenho 23 e sei me virar sozinha. Ela ainda se sente responsável por mim.

A Dani consegue se responsabilizar tanto pelos outros, que faz com que a gente se importe com ela também. Mas não no sentido de ficar preocupado com o que ela pensa da gente - até porque isso ela geralemente fala sem a gente muitas vezes consultar (nesse caso as coisas boas. Acho que as ruins que a gente deve mudar ela sé perde tempo mesmo com os amigos) -, mas no sentido de querer bem.

A Dani se torna eternamente responsável por quem ela cativa. Aliás, acho que o Exupréry escreveu isso pensando em você.

Te amo muito, desde quando você destruiu minha primeira ilusão.
Continuei a te amar naquele momento difícil para todos nós no Madame Butterfly.
Reafirmei meu amor quando viajamos juntos em outubro e destruistes mais um pouco das minhas ilusões.
Declaro isso agora, depois de ir na astróloga que você indicou e começar, finalmente, a escrever.
E continuarei a te amar por todos os caminhos montanhescos, empedregulhados e tenebrosos que ainda percorreremos.

Lembra disso nesse ano de planetinhas confusos. E leva uma cópia no bolso pros momentos difíceis de Nextel fora de área!

Abraço-te Carinhosamente com todo o amor que há em mim,
Nany!





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