Eu queria escrever.
Queria colocar para fora essa goma que me entope
queria deixar sair
mas ela empedra nos poros. E eu sufoco
eu queria a beleza do indizível
queria o apogeu do toque artístico
queria o momento perfeito e congelado da fotografia
eu queria você
queria sua boca na minha
queria deixar de ser ridícula
mudar de pele
deixar a minha
e passar para a de alguém
melhor
mais bonito
artístico
colorido
quem sabe eu pinte a minha pele pálida
quem sabe a maquiagem cubra a minha vergonha
quem sabe vire tatuagem
quem sabe você acredita.
Recebi a sua mensagem na segunda passada,
amassada
incógnita
Você tá demorando demais para chegar
sem forças vou para cama
a goma diluída já circula no meu corpo novamente
é só não tentar tirar ela de mim
é só o que tenho de você.
29 janeiro 2013
Minha pele pálida.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
No final dá na mesma mesmo
Nos últimos meses cultivei a crença de que se trabalhar mais, ganharei melhor e poderei comprar mais as coisas que me aprazem.
Contudo e porém, justamente porque trabalho muito não me sobra tempo de sair e nem de comprar nada. Nos horários que tenho livre, ou seja, antes da 9 da manhã e depois das 8 da noite, as lojas geralmente não abriram ainda ou já fecharam.
Como quando precisei de uma pasta e canetas coloridas... e do meu material de aquarela...
Porque trabalho não pude ir ao centro da cidade onde os materiais são mais baratos. O único tempo que tinha para comprá-los era o horário do meu almoço, quando rapidamente ia ao shopping onde tudo custa muito mais caro.
Conclusão: trabalho para pagar mais caro pelas coisas que não tenho tempo de comprar.
Contudo e porém, justamente porque trabalho muito não me sobra tempo de sair e nem de comprar nada. Nos horários que tenho livre, ou seja, antes da 9 da manhã e depois das 8 da noite, as lojas geralmente não abriram ainda ou já fecharam.
Como quando precisei de uma pasta e canetas coloridas... e do meu material de aquarela...
Porque trabalho não pude ir ao centro da cidade onde os materiais são mais baratos. O único tempo que tinha para comprá-los era o horário do meu almoço, quando rapidamente ia ao shopping onde tudo custa muito mais caro.
Conclusão: trabalho para pagar mais caro pelas coisas que não tenho tempo de comprar.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
25 janeiro 2013
E você? Quer?
"Hoje quando o vento bateu, entendi que que há pessoas que não conseguirão apreciar quem você é, e para elas não vale a pena falar."
Lembro-me da dificuldade encontrada para descrever quem somos. Lembro-me que o primeiro escapismo é "sou engenheiro", "sou enfermeira" ao que imediatamente é contestado com "mas perguntei o que você é, não o que você faz".
Contudo, se pensarmos que o que somos é suprimido por oito, nove, dez horas diárias em valorização do que fazemos, não é de se estranhar esse tipo de resposta.
"Você está aqui para isso!"
"Você está aqui para trabalhar!"
e se não quiser vai embora.
e se não mostrar por suas atitudes que quer.
e se não me provar que quer.
e se eu não me convencer de que você quer.
e se eu não me convencer de que você desesperadamente quer.
VOCÊ QUER???
Eu quero! EU QUERO! - respondo.
Mas o que quero mesmo?
Quero ser aceito. - concluo. Quero ser imprescindível. Quero ser importante.
Se vai se ausentar tem de garantir que sua função seja cumprida por alguém e que a peteca não caia. De jeito nenhum! - ela me diz.
Será que é tão imprescindível assim? - contesta uma voz na minha cabeça. Ou será uma polícia do medo que nos faz acreditar insubstituíveis para que sintamos um valor que não nos é agregado? Para que sintamos-nos importantes, quando na verdade o objetivo final é ter o controle sobre nós e que continuemos a fazer. De um mesmo jeito. Em um mesmo ritmo. Crescente.
Só que isso é o que faço, não o que sou. Que bom que já deu a hora de sair.
Lembro-me da dificuldade encontrada para descrever quem somos. Lembro-me que o primeiro escapismo é "sou engenheiro", "sou enfermeira" ao que imediatamente é contestado com "mas perguntei o que você é, não o que você faz".
Contudo, se pensarmos que o que somos é suprimido por oito, nove, dez horas diárias em valorização do que fazemos, não é de se estranhar esse tipo de resposta.
"Você está aqui para isso!"
"Você está aqui para trabalhar!"
e se não quiser vai embora.
e se não mostrar por suas atitudes que quer.
e se não me provar que quer.
e se eu não me convencer de que você quer.
e se eu não me convencer de que você desesperadamente quer.
VOCÊ QUER???
Eu quero! EU QUERO! - respondo.
Mas o que quero mesmo?
Quero ser aceito. - concluo. Quero ser imprescindível. Quero ser importante.
Se vai se ausentar tem de garantir que sua função seja cumprida por alguém e que a peteca não caia. De jeito nenhum! - ela me diz.
Será que é tão imprescindível assim? - contesta uma voz na minha cabeça. Ou será uma polícia do medo que nos faz acreditar insubstituíveis para que sintamos um valor que não nos é agregado? Para que sintamos-nos importantes, quando na verdade o objetivo final é ter o controle sobre nós e que continuemos a fazer. De um mesmo jeito. Em um mesmo ritmo. Crescente.
Só que isso é o que faço, não o que sou. Que bom que já deu a hora de sair.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
20 janeiro 2013
Pops,
tem sido tão difícil de conversarmos desde que vc se mudou.
É tanto que conjecturo, tando que tenho a dizer que me seria impossivel digitar.
sinto falta dos banhos noturnos de mar, da maldita intimidade que me permitia dizer o que queria, como queria, do jeito que queria. Sinto tanta falta disso!
Digo que tenho escrito, tenho escrito muito. Me falta a fala e sai pelo teclado... sei que vc me lê e de alguma maneira acompanha o indizivel das mudanças da minha vida.
Tenho me descoberto. Estou lendo Clarisse, ela tem me ajudado a ser. A falar, sem precisar de um porque. Sem precisar de um ponto final.
Pops, eu odeio fazer as coisas sem ter certeza do que estou fazendo... tem essas coisas que faço sem certeza e sem perceber, essa tudo bem. Mas quando a dúvida é clara, é um tormento fazer.
Eu queria poder ouvir minha vozinha mais. Tá complicado, mas tão pouco consigo sentir que não faço nada.
Consegue um tel fixo. Eu ligo de graça pra eles...
No dia a dia, tenho trabalhado muito. O que é bom: não posso ficar parada, tava me matando.
Voltei a tentar pintar, agora em aquarela. Que dor! Que dor!
Mas aparentemente é a maneira mais saudável de enlouquecer: pela arte.
por isso escrevo.
Tenho muitas coisas para mudar e algumas que aceitar. Ainda estou trabalhando para saber qual é qual. talvez nunca saiba.
Mas o que queria mesmo era ter esse grupo de pessoas que eu pudesse dizer nojeiras e permanecêssemos juntos.
Espero que esteja tudo bem por aí. Confia em Deus que estamos no lugar certo. Online!
Beijocas!
É tanto que conjecturo, tando que tenho a dizer que me seria impossivel digitar.
sinto falta dos banhos noturnos de mar, da maldita intimidade que me permitia dizer o que queria, como queria, do jeito que queria. Sinto tanta falta disso!
Digo que tenho escrito, tenho escrito muito. Me falta a fala e sai pelo teclado... sei que vc me lê e de alguma maneira acompanha o indizivel das mudanças da minha vida.
Tenho me descoberto. Estou lendo Clarisse, ela tem me ajudado a ser. A falar, sem precisar de um porque. Sem precisar de um ponto final.
Pops, eu odeio fazer as coisas sem ter certeza do que estou fazendo... tem essas coisas que faço sem certeza e sem perceber, essa tudo bem. Mas quando a dúvida é clara, é um tormento fazer.
Eu queria poder ouvir minha vozinha mais. Tá complicado, mas tão pouco consigo sentir que não faço nada.
Consegue um tel fixo. Eu ligo de graça pra eles...
No dia a dia, tenho trabalhado muito. O que é bom: não posso ficar parada, tava me matando.
Voltei a tentar pintar, agora em aquarela. Que dor! Que dor!
Mas aparentemente é a maneira mais saudável de enlouquecer: pela arte.
por isso escrevo.
Tenho muitas coisas para mudar e algumas que aceitar. Ainda estou trabalhando para saber qual é qual. talvez nunca saiba.
Mas o que queria mesmo era ter esse grupo de pessoas que eu pudesse dizer nojeiras e permanecêssemos juntos.
Espero que esteja tudo bem por aí. Confia em Deus que estamos no lugar certo. Online!
Beijocas!
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
Das Pequenas Nojeiras Cotidianas
Esta foto refere-se ao hábito que adquiri de escrever o que penso, como penso, na folha que tenho. Geralmente ocorre nos livros que leio e Clarisse é um prato cheio para isso.
Um dos meus passatempos prediletos é coçar a cabeça e colecionar as caspas que saem na unha.
Tiro-as, faço bolinhas e coloco na blusa ou na mesa, e depois jogo fora. quando consigo uma casquinha é uma felicidade, coloco-a em um lugar separado na blusa ou mesa, depende do que estou usando como balcão de análise. E ela tem um lugar especial ali. Opa! Consegui uma! Que felicidade!
Ao mesmo tempo considero tudo muito nojento da minha parte e me sinto menos digna de ser amada por isso.
Uma vez um ficante me confessou que gosta de tirar melecas ao dirigir. Eu senti um nojo! e hipocritamente o critiquei, logo eu que prefiro as mais sólidas que formam bolinhas com calombos que gosto de ficar rolando entre o indicador e o polegar.
Não sei, mas tenho tido a sensação ultimamente que todas as vezes que sou invadida pelo ímpeto de modificar quem sou por medo de não agradar, é porque quem sou não vai agradar mesmo.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
Um bom dia!
Hoje foi um bom dia, aniversário do meu pai na terça e saimos para almoçar hoje.
Não fiz muito. Na verdade não foi nada de especial. O ponto alto do meu dia foi deitar na cama enquanto aguardava para sairmos e ler. Li deitada, com tempo e paz. Ah! Há quanto tempo foi mesmo que me senti tão feliz?
À noite conversamos, e e minha mãe.
Foi um dia bom. Foi um boníssimo dia.
Não fiz muito. Na verdade não foi nada de especial. O ponto alto do meu dia foi deitar na cama enquanto aguardava para sairmos e ler. Li deitada, com tempo e paz. Ah! Há quanto tempo foi mesmo que me senti tão feliz?
À noite conversamos, e e minha mãe.
Foi um dia bom. Foi um boníssimo dia.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
Guto
Guto,
Eu não sei, cara.
O único exemplo que recebi de relacionamentos é o dos meus pais. E é um exemplo de brigas, ofensas e confusões.
Eu não quero ter um relacionamento assim, mas é só assim que sei me relacionar.
Desculpa no telefone... eu fiquei sem saber como agir.
Eu tenho essa vontade avassaladora de ter uma familia e de viver uma historia feliz, mas eu não sei. Não sei como construir.
Eu não sei, cara.
O único exemplo que recebi de relacionamentos é o dos meus pais. E é um exemplo de brigas, ofensas e confusões.
Eu não quero ter um relacionamento assim, mas é só assim que sei me relacionar.
Desculpa no telefone... eu fiquei sem saber como agir.
Eu tenho essa vontade avassaladora de ter uma familia e de viver uma historia feliz, mas eu não sei. Não sei como construir.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
19 janeiro 2013
Fabricio, cara de anjo.
Fabricio é o nome dele. Como meus atributos na arte da conquista são limitados solicitei a ajuda de um amigo para conquistá-lo. Ah! conquistá-lo.
Logo fui imaginando como seriamos juntos.... é difícil, mas preciso começar a assumir para alguém esse lado torto da minha personalidade: que eu comesse com o papel. Tenho pouca tolerância a parcialidade humana.
Nossa! eu me sinto muito envergonhada de dizer isso e espero sinceramente que nenhum amigo meu leia essas palavras... penso correr sério risco de perder suas amizades. Acho que depois das minhas palavras eles, de tanto me estranhar, optarão pelo afastamento dessa louca que finge ser alguém que eles nunca viram. Mas voilá:
eu transei com um rapaz MEGA gostoso no 29 de dezembro. Foi um momento de libertação que mereceria um texto inteiro se eu ainda fosse quem eu era, mas como já mudei: digo apenas que me libertei. Dei. Gostei. Repeti 2 vezes. E hoje encontro-me na paranoia infundada da minha possível gravidez. Digo infundada porque minhas certezas e dores baseiam-se no fato da primeira camisinha que usamos ter estourado. Estourou. Ele tirou. Colocamos outras 3 que funcionaram perfeitamente bem.
Lembro da fala de um amigo enquanto surtava:
- Porra, espermatozoide não é formiga não!
me rio. Digo "me rio" assim, errado mesmo, soa melhor com minha risada!
Mas nem a constatação de que espermatozoides e formigas não pertencem ao mesmo filo animal, nem sei se o espermatozoide é considerado um animal, mas enfim.... isso não me impede de acordar todos os dias pensando que estou grávida. Nem de criar histórias com o Fabricio!
O Fabricio não é o mesmo da verruga não... esse é outro! Loiro, estatura mediana, carinha de anjo.
(aliás, uma ps aqui... eu realmente tenho medo dos carinha de anjo... os bonzinhos no final sempre me dizem que se eu não fosse bonita e magra não estariam comigo. Logo eles gordos e feios... mas todos com jeitinho de bom moço)
Ai! Tô perdendo o foco... deve ser essa vergonha louca que sinto de assumir que crio histórinhas na minha cabeça....
Bom...
Na historia da minha cabeça eu sou essa jovem mulher que engravida desse caso de uma noite. Ele duvida que o filho seja dele, afinal foi uma noite só e nunca mais. Bobinho ele!!!... em pensar que o último cara que transei foi o Fabricio, o da verruga, em fevereiro. E pra uma devassa de one night stand eu até que passo muito tempo sem dar.
Bom, na minha cabeça eu lido bem com isso... na verdade fico feliz de verdade quando penso na possibilidade da gravidez. Meu coração verdadeiramente enche de amor, mesmo pensando que estarei sozinha nessa, e pensando que ele, o Mega Gostoso, acha que sou uma puta que deve dar pra todos como deu pra ele (Mal sabe ele a sorte que deu por ter um pirocão. Preciso assumir: Adoro pau grosso! E grande então! Fico louca!! Detesto pão durice peniana!) Me faturou de primeira!)
Penso que tudo bem, não posso obrigar ninguém a assumir seu papel de pai. No fundo penso que é ele quem está perdendo, quando a imagino - na história da minha cabeça é uma menina - meu olhos enchem d´água.
Nesse meio, entre estar grávida e descobrir que estou, entra o Fabricio, o da cara de anjo, começamos a ficar e depois de uns 3 meses juntos descubro que estou grávida, aquela parte do inicio toda acontece, o outro não assume, combinamos que quando a criança nascer vamos fazer um teste de paternidade e eu, super bem resolvida, vou conversar com o Fabricio, o da cara de anjo, que estou grávida, que é de outro homem, que aconteceu antes dele e que entendo se ele não quiser ficar comigo. É claro que ele vê quem eu sou, admira a minha atitude (porque nesse meio eu resolvo tudo de forma mega adulta! Me viro mesmo!!! Sem a ajuda de ninguém, mesmo me oferecendo muito!) e, justamente por isso, quer ficar comigo.
A questão é que eu não sou essa pessoa bem resolvida. Eu provavelmente morreria de angustia por pensar que a minha filha vai crescer sem pai, ou pior, que na certidão de nascimento dela não vai constar nome de um homem. Eu jamais me sentiria a altura de um Fabricio-cara-de-anjo, e sabe por quê? Eu fumo. Eu parei há uns dois anos, mas volta e meia eu volto. E qual Fabricio-cara-de-anjo vai querer ficar com uma fumante que não tem muitos modos à mesa no cotidiano? Se fosse numa festa chique, por uma noite ainda dá pra fingir ser cinderela, mas todo dia... é dificil!
E eu super não resolvo as coisas sozinha. Eu tipo que resolvo, quando estou sozinha. Mas bastou me mimar um pouquinho que viro uma criança indecisa, dependente e chata.
Aliás, preciso manifestar minha incredulidade na Cara de Anjo, apesar da minha crença nela. Ao mesmo tempo que acredito que não estou a altura de um cara-de-anjo, não encontrei nenhum bomzinho que não me apunhalasse.
Chega de confissões vexatórias por hoje.
Logo fui imaginando como seriamos juntos.... é difícil, mas preciso começar a assumir para alguém esse lado torto da minha personalidade: que eu comesse com o papel. Tenho pouca tolerância a parcialidade humana.
Nossa! eu me sinto muito envergonhada de dizer isso e espero sinceramente que nenhum amigo meu leia essas palavras... penso correr sério risco de perder suas amizades. Acho que depois das minhas palavras eles, de tanto me estranhar, optarão pelo afastamento dessa louca que finge ser alguém que eles nunca viram. Mas voilá:
eu transei com um rapaz MEGA gostoso no 29 de dezembro. Foi um momento de libertação que mereceria um texto inteiro se eu ainda fosse quem eu era, mas como já mudei: digo apenas que me libertei. Dei. Gostei. Repeti 2 vezes. E hoje encontro-me na paranoia infundada da minha possível gravidez. Digo infundada porque minhas certezas e dores baseiam-se no fato da primeira camisinha que usamos ter estourado. Estourou. Ele tirou. Colocamos outras 3 que funcionaram perfeitamente bem.
Lembro da fala de um amigo enquanto surtava:
- Porra, espermatozoide não é formiga não!
me rio. Digo "me rio" assim, errado mesmo, soa melhor com minha risada!
Mas nem a constatação de que espermatozoides e formigas não pertencem ao mesmo filo animal, nem sei se o espermatozoide é considerado um animal, mas enfim.... isso não me impede de acordar todos os dias pensando que estou grávida. Nem de criar histórias com o Fabricio!
O Fabricio não é o mesmo da verruga não... esse é outro! Loiro, estatura mediana, carinha de anjo.
(aliás, uma ps aqui... eu realmente tenho medo dos carinha de anjo... os bonzinhos no final sempre me dizem que se eu não fosse bonita e magra não estariam comigo. Logo eles gordos e feios... mas todos com jeitinho de bom moço)
Ai! Tô perdendo o foco... deve ser essa vergonha louca que sinto de assumir que crio histórinhas na minha cabeça....
Bom...
Na historia da minha cabeça eu sou essa jovem mulher que engravida desse caso de uma noite. Ele duvida que o filho seja dele, afinal foi uma noite só e nunca mais. Bobinho ele!!!... em pensar que o último cara que transei foi o Fabricio, o da verruga, em fevereiro. E pra uma devassa de one night stand eu até que passo muito tempo sem dar.
Bom, na minha cabeça eu lido bem com isso... na verdade fico feliz de verdade quando penso na possibilidade da gravidez. Meu coração verdadeiramente enche de amor, mesmo pensando que estarei sozinha nessa, e pensando que ele, o Mega Gostoso, acha que sou uma puta que deve dar pra todos como deu pra ele (Mal sabe ele a sorte que deu por ter um pirocão. Preciso assumir: Adoro pau grosso! E grande então! Fico louca!! Detesto pão durice peniana!) Me faturou de primeira!)
Penso que tudo bem, não posso obrigar ninguém a assumir seu papel de pai. No fundo penso que é ele quem está perdendo, quando a imagino - na história da minha cabeça é uma menina - meu olhos enchem d´água.
Nesse meio, entre estar grávida e descobrir que estou, entra o Fabricio, o da cara de anjo, começamos a ficar e depois de uns 3 meses juntos descubro que estou grávida, aquela parte do inicio toda acontece, o outro não assume, combinamos que quando a criança nascer vamos fazer um teste de paternidade e eu, super bem resolvida, vou conversar com o Fabricio, o da cara de anjo, que estou grávida, que é de outro homem, que aconteceu antes dele e que entendo se ele não quiser ficar comigo. É claro que ele vê quem eu sou, admira a minha atitude (porque nesse meio eu resolvo tudo de forma mega adulta! Me viro mesmo!!! Sem a ajuda de ninguém, mesmo me oferecendo muito!) e, justamente por isso, quer ficar comigo.
A questão é que eu não sou essa pessoa bem resolvida. Eu provavelmente morreria de angustia por pensar que a minha filha vai crescer sem pai, ou pior, que na certidão de nascimento dela não vai constar nome de um homem. Eu jamais me sentiria a altura de um Fabricio-cara-de-anjo, e sabe por quê? Eu fumo. Eu parei há uns dois anos, mas volta e meia eu volto. E qual Fabricio-cara-de-anjo vai querer ficar com uma fumante que não tem muitos modos à mesa no cotidiano? Se fosse numa festa chique, por uma noite ainda dá pra fingir ser cinderela, mas todo dia... é dificil!
E eu super não resolvo as coisas sozinha. Eu tipo que resolvo, quando estou sozinha. Mas bastou me mimar um pouquinho que viro uma criança indecisa, dependente e chata.
Aliás, preciso manifestar minha incredulidade na Cara de Anjo, apesar da minha crença nela. Ao mesmo tempo que acredito que não estou a altura de um cara-de-anjo, não encontrei nenhum bomzinho que não me apunhalasse.
Chega de confissões vexatórias por hoje.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
16 janeiro 2013
nudez
Por que não me depilo, ele perguntou.
No momento não soube bem responder. Acho que porque me sinto mais feminina assim, em pelos.
Por que olhar e sentir nojo do que me torna mulher? eu não era assim quando menina.
o mais interessante é que, ao escrever, o raciocínio parecia-me limpo e pleno.
Ao reler, contudo, resta-me somente a vergonha do animal humano que tão consciente de sua nudez, tenta ocultá-la, chamando assim mais atenção ainda sobre ela.
No momento não soube bem responder. Acho que porque me sinto mais feminina assim, em pelos.
Por que olhar e sentir nojo do que me torna mulher? eu não era assim quando menina.
o mais interessante é que, ao escrever, o raciocínio parecia-me limpo e pleno.
Ao reler, contudo, resta-me somente a vergonha do animal humano que tão consciente de sua nudez, tenta ocultá-la, chamando assim mais atenção ainda sobre ela.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
09 janeiro 2013
LICENÇA POÉTICA E COERÊNCIA INTERNA.
Como poderia eu falar a respeito de algo que não detenho profundo conhecimento?
Sempre senti-me muito pouco para emitir uma opinião.
Hoje, ainda receosa, peço desculpas pela minha ignorância. Fundamento o que digo no que sinto e em como sinto, nada mais.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
08 janeiro 2013
Algo que já sabia
E lendo Clarisse descubro que o que quero, o que realmente quero, é algo que já sabia, algo que já quis uma vez e julguei inalcançável e deixei de querer.
Que se dane os cursos, que se dane o mundo e sua forma de viver. E parafraseando O Rappa: eu não me pareço com você! Eh!
Hoje dou um intervalo na vida para trabalhar. Quero um trabalho que me complete o viver. E quando à casa retornar criar. Não tenho tempo de criar. Dou intervalos ao viver para estar com os meus também. É, é possível que eu entenda por vida algo diferente da maioria. E quem é a maioria?
Que se dane os cursos, que se dane o mundo e sua forma de viver. E parafraseando O Rappa: eu não me pareço com você! Eh!
Hoje dou um intervalo na vida para trabalhar. Quero um trabalho que me complete o viver. E quando à casa retornar criar. Não tenho tempo de criar. Dou intervalos ao viver para estar com os meus também. É, é possível que eu entenda por vida algo diferente da maioria. E quem é a maioria?
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
07 janeiro 2013
Como Zaquieu.
Nunca me vinculei a religião alguma por conta das imposições feitas aos membros.
Nunca me vinculei a religião alguma por causa da hipocrisia dos que pregam a paz e o respeito através da guerra e da opressão.
Contudo e com tempo, digo que imposições, hipocrisia e guerra não são a religião, mas os religiosos.
Confesso que fiquei com raiva. Senti muita raiva. Quis berrar. Mas segundo o que me foi ensinado - e porque aprendi -, sei que a maneira mais eficaz de destruir a intolerância, a ofensa e o desrespeito é não mostrando como é que se faz. Eh! Eu sei como é que se faz. Sou boa nisso.
Só que não vou fazer.
Eu sei que não tenho direito de julgar a atitude de alguém que não eu mesma.
Eu sei que somos julgados pelo esforço que fazemos.
Sei que a intolerância e o pré-julgamento nunca farão parte do céu.
Sei que um dia todos entenderão.
Sei que um dia você entenderá, e se desprenderá do que te levou a me julgar e ferir.
Sei que um dia não vou mais me deixar ferir.
O dia chegou. Sigamos em paz.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
04 janeiro 2013
Assassinato por estupro, uma troca justa?
"Ela era uma estudante
Tinha 23 anos.
Sua culpa, dizem que foi ter subido no ônibus errado.
E, ah sim!
Ela era uma mulher... Seis homens a violaram um por um
e então usaram uma barra de ferro para rasgar a vagina
O intestino delgado e o intestino grosso saíram de seu corpo
Deixaram-na sofrendo na pista, nua e com feridas expostas.
Sequer voltaram para vê-la, nem se preocuparam em jogar um manto sobre o corpo destroçado da jovem, que se não estivesse morrido! Nunca poderá ter uma vida conjugal normal. Antes de morrer ainda entrou em coma cinco vezes desde 16 de dezembro estava inconsciente, em situação crítica.
Mas não se preocupe:
Ela não era sua irmã.
Ela não era sua filha.
A brutalidade tem que parar aqui.
Estas pessoas merecem a pena capital por seu ato atroz,
Perverso.
Ela morreu no sábado 28 de dezembro de 2012
Descanse em paz
E rezo para que seus assassinos obtenham o pior castigo possível.
Isto não ocorre só na Índia,mas em todos os países do mundo.
É assim que tratamos as nossas mulheres?
Estupro e tortura com requintes de crueldade? Eu sou a favor da pena de morte!!
O equívoco?
"Ensinar nossas meninas a evitarem o estupro ao invés de ensinar nossos meninos a não estuprarem".
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
03 janeiro 2013
Um lado. O outro
É dessa culpa que queria me livrar
É a barreira que falta para me libertar,
o portal a transpor
ela me domina e policia
a todo instante me diz que estou fazendo algo errado
Você não vai ser aceita a menos que cumpra o que eu falo, ela diz.
E eu acredito.
Se me esforçasse um pouco mais
se eu trabalhasse e não reclamasse
se fizesse tudo que me pedem
se mutasse...
esforço-me
e não consigo.
e fico com os braços esticados
puxados de um lado
puxado do outro
eu rasgando
e eu nunca rompo
só estico
e mais uma vez ela diz
você nao vai chegar a lugar nenhum se não fizer algo
faça algo
de um lado
de outro
meus órgãos aparentes escorrem
mas eu não morro
adoeço
choro
e não morro
sei que o puxar de lado a outro que tem de acabar
minhas mãos estão atadas em uma corda invisível
que se estende ao infinito
não alcanço
não tenho forças
não sou ninguém
um lado
o outro
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
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