"Hoje quando o vento bateu, entendi que que há pessoas que não conseguirão apreciar quem você é, e para elas não vale a pena falar."
Lembro-me da dificuldade encontrada para descrever quem somos. Lembro-me que o primeiro escapismo é "sou engenheiro", "sou enfermeira" ao que imediatamente é contestado com "mas perguntei o que você é, não o que você faz".
Contudo, se pensarmos que o que somos é suprimido por oito, nove, dez horas diárias em valorização do que fazemos, não é de se estranhar esse tipo de resposta.
"Você está aqui para isso!"
"Você está aqui para trabalhar!"
e se não quiser vai embora.
e se não mostrar por suas atitudes que quer.
e se não me provar que quer.
e se eu não me convencer de que você quer.
e se eu não me convencer de que você desesperadamente quer.
VOCÊ QUER???
Eu quero! EU QUERO! - respondo.
Mas o que quero mesmo?
Quero ser aceito. - concluo. Quero ser imprescindível. Quero ser importante.
Se vai se ausentar tem de garantir que sua função seja cumprida por alguém e que a peteca não caia. De jeito nenhum! - ela me diz.
Será que é tão imprescindível assim? - contesta uma voz na minha cabeça. Ou será uma polícia do medo que nos faz acreditar insubstituíveis para que sintamos um valor que não nos é agregado? Para que sintamos-nos importantes, quando na verdade o objetivo final é ter o controle sobre nós e que continuemos a fazer. De um mesmo jeito. Em um mesmo ritmo. Crescente.
Só que isso é o que faço, não o que sou. Que bom que já deu a hora de sair.
Nenhum comentário:
Postar um comentário