Do céu ao inferno no espaço de uma semana, por Nany Pereira
Impressionante como se pode estar no céu, descer ao inferno, deitar-se com o capeta e ainda assim entendê-lo.
Não vou julgar se e quando será minha hora de ser feliz. (Será que existe uma hora para a felicidade?)
Estive radiante por um tempo.
O céu tem por cenário apartamento alto de frente para o mar. Botões... primeiro um, depois o outro. A camiseta desliza lentamente pelos ombros flertivos que se revelam nus. Suaves. Caminhamos vagarosos pelas nuvens fofas. Nele, o pecado original ainda não aconteceu, a nudez é natural. Própria. Envoltos na atmosfera celestial, refletidos no espelho os corpos são curvas perfeitas, sinuosas e convidativas. No paraíso ficamos unidos por um canal que se abre diretamente do coração, e como gravidade somos puxados um para o outro. Rosa, verde e amarelo com nuances de laranja, essa é a cor do amor lá em cima. Quem olha bem fundo, olho no olho, vive o que o outro sente. Olhando nos olhos, escuta-se com a alma o que o outro pensa. No céu as pontas dos dedos são sensores, demarcadores deslizantes que conquistam centímetro a centímetro a geografia do indivíduo. Lá o tic-tac do tempo bate junto, o meu e o seu. Sincronizados. As manhãs são extensas em cama grande. Os dias não acabam, possuem a luz eterna do final da tarde. Somos brilho.
Anjo caído.
Uma mensagem e volto ao chão, para descer um pouco mais logo em seguida. Penetrando solo abaixo, é loucura dizer que tanta dor vale a pena. Desfragmento-me pelo caminho, a primeira hora me acerta com uma forte pancada no ombro esquerdo que cai. A segunda e a terceira abrem uma cova que me rasga do pescoço ao ventre. As horas subsequentes trabalham para extrair o que um dia existiu dentro de mim, usurpar-me. Oca. O buraco negro que se abriu um pouco abaixo de onde antes era pura gravidade me suga. Pleno de espaços parcamente preenchidos por dois maços, o inferno é uma cova de lodo fedido. Lá, o SUS também montou filial, e o demônio fez questão de me fazer esperar pelo remédio de esclarecimentos que eu tanto precisava para melhorar. Não foi em uma fração de segundos que desci. Na verdade, a viagem durou um dia inteiro, de onze da manhã às nove da noite, quando o capeta encontrou espaço na sua agenda para me atender. Conversamos. Num espaço comum, do lado de fora do que um dia fui eu e você, ele podia me entender.
Uma mensagem e volto ao chão, para descer um pouco mais logo em seguida. Penetrando solo abaixo, é loucura dizer que tanta dor vale a pena. Desfragmento-me pelo caminho, a primeira hora me acerta com uma forte pancada no ombro esquerdo que cai. A segunda e a terceira abrem uma cova que me rasga do pescoço ao ventre. As horas subsequentes trabalham para extrair o que um dia existiu dentro de mim, usurpar-me. Oca. O buraco negro que se abriu um pouco abaixo de onde antes era pura gravidade me suga. Pleno de espaços parcamente preenchidos por dois maços, o inferno é uma cova de lodo fedido. Lá, o SUS também montou filial, e o demônio fez questão de me fazer esperar pelo remédio de esclarecimentos que eu tanto precisava para melhorar. Não foi em uma fração de segundos que desci. Na verdade, a viagem durou um dia inteiro, de onze da manhã às nove da noite, quando o capeta encontrou espaço na sua agenda para me atender. Conversamos. Num espaço comum, do lado de fora do que um dia fui eu e você, ele podia me entender.
Terra.
Um outro tipo de força me empurra à superfície. Instantaneamente os reconheço! São fios que me envolvem por inteira, coloridos. Vivazes. Meus amigos, meus pais. Descanso em braços confortáveis. A cama é pequenina com dois gatinhos manhosos fazendo bolinha para dormir e se esquentar. Mansidão.
Um outro tipo de força me empurra à superfície. Instantaneamente os reconheço! São fios que me envolvem por inteira, coloridos. Vivazes. Meus amigos, meus pais. Descanso em braços confortáveis. A cama é pequenina com dois gatinhos manhosos fazendo bolinha para dormir e se esquentar. Mansidão.
Fui, eterna. Hoje, oscilo.
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