14 agosto 2013

Edivaldo

Há quem diga que tudo acontece por um motivo. Há quem discorde. 


Passei a semana inteira me perguntando porquê seria eu a única funcionária da empresa a trabalhar no dia dos pais. A resposta não tardou a chegar.
Passei a tarde de hoje com o Edivaldo, o segurança do plantão de hoje na loja. Edivaldo é casado com a Nete, com quem tem o Eric e a Ana Beatriz. É pai também da Rayane e do Ricsson, mas estes são seus filhos do primeiro casamento e já são mais velhos. Rayane trabalha para a Petrobrás e o Ricsson vai fazer prova para o batalhão de operações especiais (BOPE), que Deus o guarde!
Edivaldo me fez chorar como um bebê, no dia de hoje. Não só porque ele é pai e me deu a oportunidade de ver como os pais babam quando falam dos filhos, não só porque tem doze irmãos e uma história de vida de muito trabalho, ele me emocionou pelo que não se pode dizer.
Chegou assim meio cabisbaixo, e eu que não sou muito de conversas com estranhos, no meu canto fiquei. Mas tinha algo naquele homem que chamava para ser ouvido. Foi mais que ver a angústia dele. Senti. Como há algum tempo não sentia por ninguém. Confesso que levantei para chorar no banheiro. Até que ele mesmo chorou na minha frente ao que aguentei firme, afinal, já era suficientemente constrangedor um de nós chorar, imaginem os dois?

Ele tá pra sair do emprego regular que tem, trabalhou 25 anos, mas depois que o dono da empresa faleceu e os herdeiros assumiram, as coisas mudaram. Ele disse.
Edivaldo precisava de uma palavra de ânimo. Disse-me mais de uma vez que sempre ajudou as pessoas sem querer nada em troca, e acabou por receber desagrados de volta. Ele sabe que a vida é assim mesmo, fazemos o bem aqui e é lá na frente, muitas vezes pelas mãos de outras pessoas que nem imaginamos, que somos ajudados. Edivaldo foi hoje ajudado. Passei o telefone de uma advogada amiga minha, é à contragosto que provavelmente moverá contra o filho do seu falecido patrão um processo. Edivaldo foi ouvido e me agradeceu. Morri de vergonha. Morri de chorar.
Edivaldo é um homem bom, dava para perceber assim só de olhar, mas o melhor de tudo hoje foi pensar que o bem mesmo, é esse que a gente faz na rua, na hora que a oportunidade passa. Há quem diga que tudo acontece por um motivo. Há quem discorde.

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