30 outubro 2012
Cartas para Rafael: 3 (?)
... e por que isso agora?
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
Bandido Bom é Bandido Morto.
- Dum!Dum!Dum!Dum!
Um dos tiros acertou a cabeça de Binha, que caiu de bruços com o rosto sobre a marmita de comida. Teve morte instantânea.
[...]
Todos correram em direção ao beco que levava à área dos barrancos, menos Nein, o primeiro a ser ferido. [...] O Águia voava em círculos para o vento das hélices abrir espaço entre as folhas das árvores e facilitar a perseguição.[...] Tentou fugir pelo meio do campo. Não era dos mais velozes, mas escapou de vários tiros. Correu em ziguezague, tentando se esquivar dos disparos que levantavam pontos de poeira cada vez mais perto dele.
Ele conseguiu escapar do Tortinho. Mas, em seguida, foi atingido por um tiro de fuzil na perna, quando corria em direção à casa da sogra, onde estavam a sua mulher e a filha. Elas viram quando ele passou pela frente da casa arrastando uma das pernas, sempre perseguido pelo helicóptero que continuava a disparar de lá de cima.
[...] Bastante machucado e sujo de sangue, parou em frente ao barraco da endolação. Bateu na porta, bateu na janela, mas nenhum dos amigos estava lá dentro.
Outros tiros acertaram Nein quando ele estava quase chegando no ponto de venda de drogas. [...] no meio da praça Raimundinho, onde Nein acabou de ser fuzilado.
[...] Poucos conseguiram ver o momento em que o Águia levantou vôo da praça, levando o corpo [...] do adolescente de 15 anos pendurado pelo cabo de aço.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
26 outubro 2012
Praia
Praia é um negócio estranho, na verdade a faixa branca de areia e as ondas quebrando na beirada da imensidão azul é de inefável beleza, é naquilo que a praia foi transformada que eu acho estranho.
Uma vez ouvi uma senhora comparar as pessoas na praia ao churrasco: molha-se um pouco no sal, torra de um lado, depois do outro, mais um pouco de sal, torrando mais um pouco. Se quiser passa no molho a campanha, buzunta de farofa e pronto.
Tem criança correndo sob a melodia do "coca, água, skol". Biquínis minúsculos enterrados na cratera mor de bundas lunáticas. A cratera é grande, bem o sei, contudo ela não dá conta das ondas. Então a cada onda, começa uma busca implacável na qual duas mãos não são suficientes para manter no lugar linhas, que não seguram nem pensamento, quiçá tetas. E assim charmosas elas saem se ajeitando sob os olhares das bermudas de tectel com suas faixas de cuecas azuis, brancas e que Deus nos proteja das vermelhas! A gente reza para não ser aquela zorba enrrugadinha em cima. Sabe aquela do comercial do pintinho amarelo que saía de dentro dela. Lembra disso? Sinceramente não sei o que é pior: o enrrugadinho ou o a idéia do pinto saindo do pinto. Na sequência, o surfista dá uma corridinha até o mar com sua sensual tattoo coberta com uma camada espessa de pasta d´água, formando um borrão branco num fundo marrom. Resta-nos apenas concluir o óbvio: Malevich é um idiota. Para quê branco sobre branco se o marrom de fundo é o que há? Desfila-se na PRAIA com isso, estão todos usando. É uma tendência nacional.
E como se não fosse suficiente, quando chega à praia a cidadã trajando vestimenta apropriada para o confronto com as marés, calçando sapatos fechados nas laterais para proteger da invasão de areia quente que inevitavelmente ocorre na utilização das sandálias da marca líder, portando acessório protetor de cabeça (à prova d´água e ondas) e filtro solar FPS 110 - uma camada do FPS 50 mais outra de FPS 60 -, senta-se em uma cadeira forrada por uma tolha grossa, debaixo do guarda-sol, é vista com estranheza. São 17,9 milhões de Km² abertos bem em cima de nossas cabeças e ela que é estranha. Não a lua de fio dental, não a zorba enrrugadinha rolando de um lado para o outro na grelha ao ar livre. Não, não, nenhum deles merece nossa atenção. É para aquela alí, a de maiô, que a gente vai olhar.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
25 outubro 2012
Banho de salão
Estava hoje no bazar do centro conversando com as meninas que frequentam a casa e fazem os estudos comigo. Elas falavam sobre como é complicado encontrar roupas para gordos - tamanho 54, etc -, que as roupas são caras, coisa e tal. Uma delas dizia que recentemente estivera no hospital com seu marido e quando saiu sentiu que precisava de um banho de salão, uma prática comum entre as mulheres que para sentir-se bem, vão ao salão de beleza, pintam o cabelo, fazem a unha, depilação. Ela teve uma reação alérgica ao esmalte e por isso não podia usar cordão no pescoço. O que ela disse foi:
- Porque já não besta estar velha e gorda, com o cabelo branco e essa cara de hospital ainda não posso nem usar algum penduricalho que me melhore um pouquinho.
Elas divagaram então sobre como na juventude - as meninas estão todas na faixa dos 55 - 60 anos - só saiam de rimel, blush, salto, brincos e pulseiras. Com o passar do tempo perderam o interesse por essas coisas. Envelheceram.
Achei isso muito interessante, pois quanto mais envelheço, mais sinto vontade de usar essas coisas, rimel, blush, brincos. Que caminho no sentido inverso das que adornavam demasiado.
Penso que minha vontade de auto prazimento está diretamente ligada à melhora na minha convivência comigo mesma, quanto mais bem lido comigo mesma mais vontade tenho de adornar-me.
É bem provável que tenha sido isso mesmo que aconteceu com elas ao longo da vida. Elas se desentenderam.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
21 outubro 2012
Lágrimas furtivas
Fomos olhar um carro hoje. Com 10 minutos de conversa o proprietário tinha os olhos mareados, a lágrima transbordava e ele chorava.
Não sei o que foi pior: vê-lo chorar ou chorar também.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
18 outubro 2012
Diálogos com uma psicóloga imaginária.
- Eu tenho essas vozes na minha cabeça...
- E o que você acha que é?
- Eu não sei... Ainda vou pensar sobre isso. Na verdade, não me importo muito com o que é... mas o que isso faz. Isso tira a minha paz. É uma ruminação louca de pensamentos e lembranças que não me fazem chegar a qualquer conclusão, só tiram a minha energia e ocupam a minha mente. São discussões, ponderações sobre algo que ouvi. São conversas que tive e as imagens e falas ficam repetindo na minha mente como um filme que vai e volta, quando termina, recomeça e depois corta para uma parte no meio e volta para o início. E essas conversas acontecem debaixo da minha mente, como se estivéssemos tendo essa conversa agora e, como uma música de fundo esses filme passasse. E passa tão rápido e constante que não identifico o seu conteúdo, mas no fim, sinto-me exausta por ter usado minha fala e pensamento em dobro: com você e no filme de fundo.
- Você já conseguiu identificar alguma vez o conteúdo desses pensamentos?
- Essa semana foi o encontro com o Rafa na quinta passada e 10 bilhões de outras coisas que não tem qualquer relevância, entre fatos e hipóteses. Tudo misturado. Tento me lembrar do que exatamente acordei essa manhã pensando, para ser mais exata fui acordada por esses pensamentos, eles vão aumentando de volume na minha cabeça até que se torna impossível permanecer na cama. Já levanto exausta.
- E por que você acha que tem vozes o tempo todo na sua cabeça?
- Não sei... mas me vem algo como eu ter de estar sempre fazendo alguma coisa. Quando tudo o que eu podia fazer fora feito, mas mesmo assim não consigo parar de tentar. Sempre acho que tem algo a mais que eu podia ter feito e não fiz.
- E o que na conversa que você teve com o Rafa, você podia ter feito e não fez?
-Tê-lo convencido a me amar.
- Você acha que pode convencer alguém a te amar?
- Não, não acho. Mas tampouco consigo aceitar que ele não me ame e deseje como eu gostaria.
- E por que você quer que ele te ame e deseje?
- Quero acabar com isso logo. Quero ser feliz de uma vez. Ter minha família, meu trabalho, minha vida.
- E você acha que vai conseguir isso se ele te amar?
- Não, tenho de conseguir sozinha. Ele me amar ou não, não me exime das minhas responsabilidades. E mesmo se ele o fizesse, mesmo que ele me desse de bandeja família, trabalho e vida eu rejeitaria. Por que me saboto então pensando nele e que ele me amar resolveria quando sei que não resolveria nada?
- Por quê?
- Eu tenho medo de mim.
- Medo de você?
- É. As pessoas dizem tantos impropérios, né? Já ouvi coisas tão absurdas. Como quando esse ano tive uma crise nervosa e fiquei sem dormir uma noite inteira. Eu vinha tendo dificuldades para dormir há alguns meses, mas aquela noite foi o ápice da minha insônia, e às 5 da manhã minha mãe acordou e me viu varrendo o quarto – meu quarto tinha passado por uma reforma e havia 2 ou 3 semanas que não era limpo, então decidi limpar para ter o que fazer já que não dormia – e minha mãe insinuou que eu cheirava cocaína e que era por isso que não conseguia dormir. Essa declaração entrou como um punhal no meu peito. Que ela não saiba que eu só vi cocaína uma vez na minha vida, quando estava em um bar e saí para falar ao telefone, e vi do outro lado da rua dois homens cheirando. Que ela não saiba que entrei em pânico, que petrifiquei e assim que consegui pensar novamente, corri para o bar e fui embora para casa. Tudo bem, eu entendo. Mas como ela, minha mãe, que convive comigo todos os dias, que teoricamente conhece meu caráter, meus hábitos, que tornou a minha adolescência um inferno, me afastou dos meus amigos porque eles fumavam maconha, me entupiu de culpa até o ânus para que eu nunca – nunca – usasse qualquer tipo de entorpecente. Ela que me viu indo para psicóloga toda semana nos últimos 7 anos para tentar organizar a bagunça que sempre foi a minha cabeça e tentar não botar uma bala nela ou tomar alguma substância – lícita ou não - que me desligasse por um minuto que fosse. Como que essa louca! tem a coragem de insinuar uma coisa dessas? Não é possível! Tem olhos e não vê! Não sabe mesmo quem é sua filha! Ou quando, no fim de um relacionamento, adotei um gato de rua e meu então parceiro disse que eu já podia terminar com ele, pois tinha o gato agora para transar. De boa, qual é a pessoa que pensa uma coisa dessas? E, por favor, quais são os mecanismos internos que permitem sua boca articular tamanha asneira? Vou mais fundo: como alguém pode ser tão sujo internamente ao ponto de cultivar algo assim? Como? Tenho outra muito boa também! Viajávamos juntos eu, uma amiga lésbica, sua filha, um ficante meu. Em algum ponto da viagem ele me disse: “Mas não tem uma pessoa aqui que não pense que vocês [eu e minha amiga] já ficaram!”. Minha cara de “ahn?” e, bom... existe algo que possa ser dito depois de ouvir isso? Eu não consigo pensar em nada! O... cidadão, tinha uma verruga no pênis. Eu havia feito sexo oral nele umas duas vezes antes de efetivamente ver sua genitália. Quando vi tomei um susto! Senti um nojo daquilo! Imediatamente pensei que era um câncer, DST, sei lá, e perguntei se ele já havia levada para algum médico ver e dizer se era maligno, sei lá! Falei que era grosseiro e tinha um aspecto muito particular, a frase foi: “Cara, sei lá, vai ver essa parada, porque além de feio é nojento e pode ser um câncer!”, ao que ele me respondeu “É, mas você adorou enquanto meteu a boca aí.”. Eu queria ter dito a verdade, que eu não curti tanto assim não, que aproveito mais quando a genitália é... Como posso dizer? Gigantesca e grossa, e que aí sim eu me lambuzo. Que na verdade optei por essa expressão de prazer a dois porque ele tinha um problema nas costas, ele sentia muita dor e brochava. Contudo, não queria ofender, ao que respondi com um risinho, “É, mas tava escuro!”. Sei que não tenho muito tato ao falar, principalmente de coisas tão delicadas como a impotência fálica alheia. E é aí que tenho medo de mim, hoje me arrependo um pouco de não ter dito o que penso, mas aí me lembro de como me sinto quando escuto esse tipo de impropérios e não queria causar o mesmo constrangimento às outras pessoas, aquele velho “Não faça com os outros o que não queria que fizessem com você”, que vou me igualar, etc, etc. A culpa me domina e eu escrevo no lugar de falar, mas os pensamentos continuam como um filme no backgound a me perturbar. Ao mesmo tempo penso que escolho me ofender, que me falta um pouco mais de confiança para afirmar o óbvio: morro de medo de me viciar em drogas, jamais contrairia coito com um animal e que a sexualidade dos meus amigos não interfere na minha. E que se tivesse essa confiança esse tipo de coisa passaria por mim sem ferir. E que é uma escolha deles se ofender também e eu, bom, não tenho nada a ver com isso. Mas eles revertem o jogo e eu me deixo levar, o que mais lembro dos 2 meses em que eu e o Fabrício, o da verruga, passamos juntos é a respeito de suas críticas à minha candura, ao fato de falar o que pensava e que não podia ser assim, que era errado e dele me xingando enquanto eu tentava desligar o telefone. Agressividade e xingamentos me penetram como um tiro de 762 numa folha de papel.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
15 outubro 2012
Achismos
Eu sempre tive medo de me apaixonar porque achava que se me apaixonasse, ficaria burra, cometeria os maiores impropérios e me diria amando. Deixaria meus valores de lado e daria um jeitinho de engambelar minha psique para justificar a presença do meu "amor" e as atitudes equivocadas que cometeriamos juntos. Justificaria o mal caratismo do meu amante com um infância difícil. Passaria uma camada de verniz nas agressões físicas para manter meu objeto de desejo perto. Não aceitaria palpites que não estivessem em concordância com minhas atitudes destrutivas.
Bom, não foi bem assim que aconteceu... Sim, eu me apaixonei. De um jeito torto e fulminante eu era caidinha por ele!
Um dia descobri que sua história pessoal era muito estranha. Nada se encaixava. História cheia de explicações voluptuosas, porém nada consistentes. Descobri também que não estava mais conseguindo fazer um bom julgamento da situação e, quando pensei que seria prepotente e não permitiria a interferência de quem quer que fosse, chamei pessoas de minha confiança que julgaram por mim. E quando achei que cederia meus valores e faria de tudo para justificar nossa permanência juntos, o deixei. Quebrei em mil naquele dia, levei 2 anos para juntar os cacos e agi exatamente como achei que deveria. Meus valores e crenças vigoraram plenamente, inclusive os que se referem à mágoa e como ela é destrutiva para nós mesmos e que por isso devemos perdoar. E perdoei.
Eu pensava que era fraca, mas na verdade só dou pouco crédito a quem sou.
E esse pouco crédito que me dou é que faz com que eu tenha tanto medo de pegar grandes responsabilidades, como aquela máxima que diz: "Se você quer conhecer o verdadeiro caráter de um homem, dê-lhe poder." No fundo acho que vou me corromper, embora não haja um histórico que comprove isso.
Interessante: Nada no meu backgound aponta para o desvio de caráter. Nenhuma das minhas atitudes me aproxima daqueles que acreditam que o dinheiro tem o poder de pô-los acima da lei e das pessoas. Não encontro em minhas atitudes a soberba dos que segragam pelo português, pela cor ou logadouro. Talvez seja apenas uma questão de humildade, de me enxergar como realmente sou.
Lembro-me de uma peça de teatro na qual minha mãe trabalhava, onde os atores em uníssono perguntavam: "Em que esquina ficou perdida a minha face?"
A Dani no sábado me perguntou porque mudo com as pessoas, se acho que quem sou é ruim e por isso preciso esconder-me. E em seguida ela disse: "Porque entre as duas Nanys eu prefiro mil vezes essa que está aqui comigo agora!"
Eu fiquei meio quieta quando ela me disse isso, nem sei se aquieci por fora, mas por dentro o fiz. Eu realmente penso que quem acho que sou é tão feio, que precisa ser mascarado. Observe que disse: "quem acho que sou"... mas quem acho que sou não é quem sou. Eu acho que sou aquela pessoa de lá do início.
... (rs) achismos.
... (rs) achismos.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
13 outubro 2012
Ó Pedaço de Mim!
Há 02 metades de mim. Há essa metade que quer entender como as coisas funcionam, essa metade que quer ter um PhD. Por quê? Nem eu sei! Teria de perguntar para ela, mas ela é uma metade calada e risonha, todas as vezes que pergunto algo, ela calada se ri. E há essa outra metade de mim: faladeira, extrovertida, adora dar ordens, guiar as pessoas pelos caminhos que devem seguir. Essa metade de mim é o touro que me puxa quando eu caio e não quero levantar. É um furacão cheio de força e vitalidade. Essa outra metade gosta de porpurina, ação. A minha outra metade de reclusão, mas não é dessa metade que eu quero falar. Quero falar da minha metade prática, que precisa tomar uma decisão. Minha metade prática precisa trabalhar. Precisa de dinheiro. Mas como a minha outra metade exerce grande influência nessa minha metade, ela quer dinheiro, mas não pode ser qualquer dinheiro, quero dizer... o dinheiro pode ser qualquer um... dinheiro é dinheiro. A forma de ganhar que é importante. Ela quer trabalhar com design de interiores mesmo! Ela quer ver como é que é... criar... trabalhar com isso. E depois organizar.. e mandar! Ela gosta disso! Ou acha que gosta! Vamos ver como fica quando experimentar de verdade! Ela já tipo que sente que vive essa loucura das pessoas que não param quietas, ela está querendo viver isso mais completamente.
Estou tentando não pensar nas minhas dúvidas. Pensar nelas faz com que elas cresçam, percebi isso esses dias!
Vamos pensar nas certezas: PhD, se possível dividir o que aprendeu com alguém que queira ouvir. Criar, uma casa e alguma paz.
Listo!
Estou tentando não pensar nas minhas dúvidas. Pensar nelas faz com que elas cresçam, percebi isso esses dias!
Vamos pensar nas certezas: PhD, se possível dividir o que aprendeu com alguém que queira ouvir. Criar, uma casa e alguma paz.
Listo!
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
12 outubro 2012
Quando mentir é preciso
Ontem fui assistir à uma aula do Rafa em Niterói. Tive boas idéias ao longo de sua explanação:
Quero entender os acordos não ditos. O porque que o tempo todo é dito de forma indireta (acordos não ditos) o que podemos ou não fazer o que devemos ou não fazer. Quero descobrir onde aquilo que eu acredito que deveria ser entra em choque com aquilo que me é dito de forma não verbal que deve ser. Quero saber se estou ou não sozinha nisso? Será que alguém mais passa por esse conflito? Existe mais gente aí querendo aflorar e sente-se tolido desde a terna infância? (Instituições que forjam caráter e comportamento: Escolas, universidades, prisões)
Foucault estuda e fala sobre como tudo começou. A loucura foi produzida num momento histórico em que era interessante deslocar quem destoava e concentrar-los longe. (ler Foucault). O que mais foi produzido com objetivos não ditos?
Confesso que desprezava um pouco esse estudo da sociedade, mas ontem vi que movimentos coletivos ajudam a explicar a sistemática da sustentação dos processos doentios individuais.
Quero criticar os que falam difícil (lutar internamente para não passar a falar difícil com o tempo). O estudo científico fica preso ao campo acadêmico."Vocês falam muito difícil!" Será que consigo falar mais fácil? Sim, consigo. Só entendo quando é simples.
O que preciso para conseguir isso? O que preciso para realizar o que quando criança já havia traçado como meta: Poliglota e PHD? (Poliglota: check!)
Sim, saber muito, mas saber muito de quê? Quero entender como as coisas funcionam e porque nos é tão difícil aflorar e seguir o que a vozinha diz. Quero saber como é que a banda toca, para tentar minimamente mudar esse soneto.
Como "devemos ser a mudança que queremos ver", a primeira cobaia do meu estudo sou eu. Preciso entender como as coisas funcionam... não, não... preciso aflorar... pensar depois... organizar só no mestrado.
Mas não quero que seja doloroso.. acho que penoso é a palavra mais adequada. Como as línguas, quero que flua naturalmente. "É só não ter pressa", ela me diz.
É um projeto de vida, bem o sei. Um projeto de vida que já começou.
Não patinarei sobre o fino gelo das minhas inseguranças. Tão pouco explanarei sobre minhas incapacidades. A meta está traçada. A missão vai ser cumprida (lembro do funk, não consigo me conter: sorrio).
Mandela me ensinou que sou o mestre do meu destino / a capitã da minha alma. Ontem aprendi com ele a "dar la cara". A coragem pode ser forjada: pode ser mentida, num momento de medo, e pode também ser construída pela repetição desta mentira... ou acabamos apenas mentindo por uma vida toda. Como isso vai ser feito não me importa mais. Nasci frouxa. Cresci mole. Resta-me somente a dissimulação.
I'm the captain of my fate
I'm the master of my soul.
Quero entender os acordos não ditos. O porque que o tempo todo é dito de forma indireta (acordos não ditos) o que podemos ou não fazer o que devemos ou não fazer. Quero descobrir onde aquilo que eu acredito que deveria ser entra em choque com aquilo que me é dito de forma não verbal que deve ser. Quero saber se estou ou não sozinha nisso? Será que alguém mais passa por esse conflito? Existe mais gente aí querendo aflorar e sente-se tolido desde a terna infância? (Instituições que forjam caráter e comportamento: Escolas, universidades, prisões)
Foucault estuda e fala sobre como tudo começou. A loucura foi produzida num momento histórico em que era interessante deslocar quem destoava e concentrar-los longe. (ler Foucault). O que mais foi produzido com objetivos não ditos?
Confesso que desprezava um pouco esse estudo da sociedade, mas ontem vi que movimentos coletivos ajudam a explicar a sistemática da sustentação dos processos doentios individuais.
Quero criticar os que falam difícil (lutar internamente para não passar a falar difícil com o tempo). O estudo científico fica preso ao campo acadêmico."Vocês falam muito difícil!" Será que consigo falar mais fácil? Sim, consigo. Só entendo quando é simples.
O que preciso para conseguir isso? O que preciso para realizar o que quando criança já havia traçado como meta: Poliglota e PHD? (Poliglota: check!)
Sim, saber muito, mas saber muito de quê? Quero entender como as coisas funcionam e porque nos é tão difícil aflorar e seguir o que a vozinha diz. Quero saber como é que a banda toca, para tentar minimamente mudar esse soneto.
Como "devemos ser a mudança que queremos ver", a primeira cobaia do meu estudo sou eu. Preciso entender como as coisas funcionam... não, não... preciso aflorar... pensar depois... organizar só no mestrado.
Mas não quero que seja doloroso.. acho que penoso é a palavra mais adequada. Como as línguas, quero que flua naturalmente. "É só não ter pressa", ela me diz.
É um projeto de vida, bem o sei. Um projeto de vida que já começou.
Não patinarei sobre o fino gelo das minhas inseguranças. Tão pouco explanarei sobre minhas incapacidades. A meta está traçada. A missão vai ser cumprida (lembro do funk, não consigo me conter: sorrio).
Mandela me ensinou que sou o mestre do meu destino / a capitã da minha alma. Ontem aprendi com ele a "dar la cara". A coragem pode ser forjada: pode ser mentida, num momento de medo, e pode também ser construída pela repetição desta mentira... ou acabamos apenas mentindo por uma vida toda. Como isso vai ser feito não me importa mais. Nasci frouxa. Cresci mole. Resta-me somente a dissimulação.
I'm the captain of my fate
I'm the master of my soul.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
03 outubro 2012
Isso também vai passar.
- E aí filha, ainda dói?
- Não muito... na verdade dói pouco, mas eu fico pensando que ainda não passou, que não parou de doer em absoluto. Pronto. Nunca mais. E aí dói.
...e veja você que nunca mais é só até a próxima vez. ´Nunca mais´ é esse espaço de tempo entre um remédio e outro. Não dá para pensar em quando não vai mais doer em absoluto. Não dói agora. Dói depois. Mas isso também vai passar.
- Não muito... na verdade dói pouco, mas eu fico pensando que ainda não passou, que não parou de doer em absoluto. Pronto. Nunca mais. E aí dói.
...e veja você que nunca mais é só até a próxima vez. ´Nunca mais´ é esse espaço de tempo entre um remédio e outro. Não dá para pensar em quando não vai mais doer em absoluto. Não dói agora. Dói depois. Mas isso também vai passar.
"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania; depende de quando e como você me vê passar.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
(Clarice Lispector)
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