26 outubro 2012

Praia

Praia é um negócio estranho, na verdade a faixa branca de areia e as ondas quebrando na beirada da imensidão azul é de inefável beleza, é naquilo que a praia foi transformada que eu acho estranho.

Uma vez ouvi uma senhora comparar as pessoas na praia ao churrasco: molha-se um pouco no sal, torra de um lado, depois do outro, mais um pouco de sal, torrando mais um pouco. Se quiser passa no molho a campanha, buzunta de farofa e pronto. 

Tem criança correndo sob a melodia do "coca, água, skol". Biquínis minúsculos enterrados na cratera mor de bundas lunáticas. A cratera é grande, bem o sei, contudo ela não dá conta das ondas. Então a cada onda, começa uma busca implacável na qual duas mãos não são suficientes para manter no lugar linhas, que não seguram nem pensamento, quiçá tetas. E assim charmosas elas saem se ajeitando sob os olhares das bermudas de tectel com suas faixas de cuecas azuis, brancas e que Deus nos proteja das vermelhas! A gente reza para não ser aquela zorba enrrugadinha em cima. Sabe aquela do comercial do pintinho amarelo que saía de dentro dela. Lembra disso? Sinceramente não sei o que é pior: o enrrugadinho ou o a idéia do pinto saindo do pinto. Na sequência, o surfista dá uma corridinha até o mar com sua sensual tattoo coberta com uma camada espessa de pasta d´água, formando um borrão branco num fundo marrom. Resta-nos apenas concluir o óbvio: Malevich é um idiota. Para quê branco sobre branco se o marrom de fundo é o que há? Desfila-se na PRAIA com isso, estão todos usando. É uma tendência nacional.

E como se não fosse suficiente, quando chega à praia a cidadã trajando vestimenta apropriada para o confronto com as marés, calçando sapatos fechados nas laterais para proteger da invasão de areia quente que inevitavelmente ocorre na utilização das sandálias da marca líder, portando acessório protetor de cabeça (à prova d´água e ondas) e filtro solar FPS 110 - uma camada do FPS 50 mais outra de FPS 60 -, senta-se em uma cadeira forrada por uma tolha grossa, debaixo do guarda-sol, é vista com estranheza. São 17,9 milhões de Km² abertos bem em cima de nossas cabeças e ela que é estranha. Não a lua de fio dental, não a zorba enrrugadinha rolando de um lado para o outro na grelha ao ar livre. Não, não, nenhum deles merece nossa atenção. É para aquela alí, a de maiô, que a gente vai olhar.


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