Eu sempre tive medo de me apaixonar porque achava que se me apaixonasse, ficaria burra, cometeria os maiores impropérios e me diria amando. Deixaria meus valores de lado e daria um jeitinho de engambelar minha psique para justificar a presença do meu "amor" e as atitudes equivocadas que cometeriamos juntos. Justificaria o mal caratismo do meu amante com um infância difícil. Passaria uma camada de verniz nas agressões físicas para manter meu objeto de desejo perto. Não aceitaria palpites que não estivessem em concordância com minhas atitudes destrutivas.
Bom, não foi bem assim que aconteceu... Sim, eu me apaixonei. De um jeito torto e fulminante eu era caidinha por ele!
Um dia descobri que sua história pessoal era muito estranha. Nada se encaixava. História cheia de explicações voluptuosas, porém nada consistentes. Descobri também que não estava mais conseguindo fazer um bom julgamento da situação e, quando pensei que seria prepotente e não permitiria a interferência de quem quer que fosse, chamei pessoas de minha confiança que julgaram por mim. E quando achei que cederia meus valores e faria de tudo para justificar nossa permanência juntos, o deixei. Quebrei em mil naquele dia, levei 2 anos para juntar os cacos e agi exatamente como achei que deveria. Meus valores e crenças vigoraram plenamente, inclusive os que se referem à mágoa e como ela é destrutiva para nós mesmos e que por isso devemos perdoar. E perdoei.
Eu pensava que era fraca, mas na verdade só dou pouco crédito a quem sou.
E esse pouco crédito que me dou é que faz com que eu tenha tanto medo de pegar grandes responsabilidades, como aquela máxima que diz: "Se você quer conhecer o verdadeiro caráter de um homem, dê-lhe poder." No fundo acho que vou me corromper, embora não haja um histórico que comprove isso.
Interessante: Nada no meu backgound aponta para o desvio de caráter. Nenhuma das minhas atitudes me aproxima daqueles que acreditam que o dinheiro tem o poder de pô-los acima da lei e das pessoas. Não encontro em minhas atitudes a soberba dos que segragam pelo português, pela cor ou logadouro. Talvez seja apenas uma questão de humildade, de me enxergar como realmente sou.
Lembro-me de uma peça de teatro na qual minha mãe trabalhava, onde os atores em uníssono perguntavam: "Em que esquina ficou perdida a minha face?"
A Dani no sábado me perguntou porque mudo com as pessoas, se acho que quem sou é ruim e por isso preciso esconder-me. E em seguida ela disse: "Porque entre as duas Nanys eu prefiro mil vezes essa que está aqui comigo agora!"
Eu fiquei meio quieta quando ela me disse isso, nem sei se aquieci por fora, mas por dentro o fiz. Eu realmente penso que quem acho que sou é tão feio, que precisa ser mascarado. Observe que disse: "quem acho que sou"... mas quem acho que sou não é quem sou. Eu acho que sou aquela pessoa de lá do início.
... (rs) achismos.
... (rs) achismos.
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