30 março 2013

Errada

Senta.
Levanta.
Fuma um cigarro.
Dois
Três
Quatro

Sabe aquela frase: Tenho a consciencia tranquila de que fiz o melhor que pude.?

Pois é, não sou eu. Odeio quando erro e a culpa é minha. Definitivamente não lido bem com isso.

Fudeu o Cú de Creusa

O que eu queria te dizer e não consegui é que...

Porra, sempre fui melhor escrevendo que falando. Já disse. Me repito, assim, errado mesmo.

Você falou que sempre soube que eu não estava contigo pensando em algo mais. Na verdade é o extremo oposto. Sempre pensei nisso, mas faz parte de mim extirpar o bem da minha vida.

É legal, tem sido bem legal. Só que não gosto de me esconder e você tem 18 anos, tem mais é de curtir mesmo.

Sei que você ficou mal, poxa! Foi um balde de água fria no seu chocolate quente... sei lá. Vai que não consigo retribuir?

A verdade é que estou cagada de medo, pois é... me borro. Melado.

Gosto de você, e é bem disso que estou fugindo.

Ai puta que pariu! Saber disso fode com a porra toda, me obriga a fazer algo a respeito e o certo é sempre o mais difícil, né?

Vida bandida essa nossa!

Você disse que falo pra caralho. Teu cú! Imagina se ouvisse o que penso!

Achei que estava contigo por não ter mais opções, mas acabou que te ver indo fez com que eu enxergasse que você é a minha opção: um pacotinho com tudo que quero e alguns quilinhos a mais (heheheh cruel, eu sei. Desculpa! Mas tem um duplo sentido nisso tudo.)

Amo a forma que se preocupa com todos, não porque se importe de verdade, mas porque é "importável", sua solidariedade... e ebriedade também (essa parte não gosto muito não, mas ao menos temos eu para dirigir). Amo como move céus e terras para ajudar e ao mesmo tempo consegue não muito se apegar.

Meu coração está dividido entre o conforto do lugar comum e a angústia do novo me amedrontando.

Ai caralho!

Como diria minha Tia Dinha: "Fudeu o cú de Creusa!"

E o meu junto.


26 março 2013

Soberania Extracorpórea

18:30.

- Tenho de ir embora! Tenho de dar comida pro meu filho! 
- Ih! Coitadinho! Com esse trânsito que tá hoje você vai chegar e ele já vai tá fraco de fome. É pequenininho ele? Quantos anos tem?
-Pequeno nada, tem 15 anos. Mas só como se eu der. Por isso tenho de correr, o bichinho deve estar morrendo de fome. Tchau!

....

Penso em como é desrespeitoso com aqueles que gozam de plenas condições físicas e psicológicas de se manterem serem tratados como doentes, quando, verdadeiramente doentes, damos tudo para poder por nós mesmo.

Criamos cidadãos dependentes, competentes-aleijados para satisfazer nossos próprios gozos em estender a infância que já passou, para continuar nos sentindo diretores de vidas. Esquecemo-nos apenas que eterna mesma é a condução da nossa própria engrenagem e que ao nos dedicarmos ao controle das vidas dos filhos, dos maridos, amigos, amantes esquecemos de controlar nossas próprias vidas. Abrimos mão da autenticidade da vivencia do presente em prol da falsa sensação de soberania extracorpórea.

Chega, né? Já deu.

Terapia pra quê?

Hoje no final da terapia a Maria Tereza me disse uma coisa que (como os antigos diriam) me deixou com a pulga atrás da orelha.

Ela falou: " Você já faz terapia há muitos anos, né?"
- Sim. Por quê? (tinha de ser eu perguntando o por que)
- Porque apesar dos anos de terapia você continua apresentando os mesmos sintomas.

PENSAMENTO: Puta que pariu! Que merda! Vou voltar piolho de barata na próxima encarnação em penitência por não ter evoluído o que devia nesses 8 anos de terapia.

PENSAMENTO Nº 2: Aonde estava eu que não estava evoluindo nesses últimos anos de terapia?



25 março 2013

Na terça tento fazer melhor!

Agora que a poeira baixou, o coro comeu e quem tinha de correr já correu, peço a palavra para falar.
 
São 3:54 da manhã dessa segunda-feira de trabalho às 9:00 e minha mente inquieta não me permite o sono. Ela quer pensar! E é ao som de The Smiths e do ronco do Leo é que escrevo esse texto.
 
A Simone hoje disse que me ama. Sim, ela estava bêbada, mas depois desse longo processo de entrada na casinha, tá valendo!
 
Brinco com as pessoas dizendo que ela curou em 3 meses traumas que 7 anos de terapia não deram jeito. A porrada, é claro!
 
Entrar na casinha foi muito difícil.
 
Antes de começar a trabalhar na Telasul eu era perfeccionista, culpável, egocêntrica - eu realmente acreditava que dava conta de tudo -, arrogante e questionadora. Só que a Telasul (agora Casa Brasileira) é uma empresa com muito a se fazer, e se você é do tipo que aceita todas as incumbências sem questionar, bem... vão haver mais pessoas te entregando mais coisas para fazer. Lembra que eu disse que era egocêntrica? Pois é, a sobrecarga foi tão grande que aprendi a não ser.
 
Não tenho como descrever o que é tentar fazer uma planilha pela primeira vez com vários descontos diferenciados, somatórias que não casavam, duas empresas diferentes, duas lojas diferentes e a Simone me dando esporro porque estava errado. É possível que fosse só o jeito ogresco dela de falar, mas eu era perfeccionista e culpável e nossa! aquilo soava como uma declaração de incompetência perpétua aos meus ouvidos doentes.
 
Deixa eu tentar explicar para vocês o que é um esporro para alguém como eu: Tento (quer dizer, tentava. A Simone me curou) fazer tudo certo. A última coisa que queria no mundo era ouvir alguém reclamando de algo que fiz. Sempre fui extremamente insegura e elogios e críticas têm o peso de 1 ton na minha avaliação pessoal. E ela sempre dependeu do que os outros diziam. Minha mente é tomada por pensamentos de suicídio recorrentes e uma vontade de chorar que sempre levo a cabo. Ouvir que fiz algo errado, significava que eu toda estava errada. E pra Simone, eu estava toda errada. Mesmo.
 
Chorei do Recreio até a Barra. Fui no ônibus morrendo de dó de mim mesma verdadeiramente tentada a dar cabo na existência do fracasso encarnado em mim. Eu sabia que não havia jeito: eu jamais melhoraria. Era completamente dispensável (como me foi dito mais de uma vez). Eu não merecia mais viver! E isso tinha de acabar! E ia ser naquele dia. Entre o Recreio e a Barra.
 
Havia um pouco de trânsito e minha mente inquieta começou a trabalhar, e trabalhando me levou a pensar: A Simone é uma grossa! A Simone é uma grossa, porra! E o Leo é esquecido! Falei com ele já 4 vezes sobre o pedido que ele tinha de entregar no Recreio e ele esqueceu! E ele é esquecido, e isso não vai mudar! E ela é grossa! e tampouco vai mudar. E... e eu? Por que então não posso ser aquela que faz as coisas erradas? Por que não posso ser aquela que esquece o desconto na planilha, que não lembra a ordem dos vendedores, que nem sabia que tinha de fazer a ordem dos vendedores? Por que todos tem o direito de ter defeitos, de serem imperfeitos e eu não? Ah! Vai tomar no cú! Defeitos todos têm! E esse é o meu! Gostou, gostou. Não gostou, me demite! Não, não! Melhor! Eu me demito! Nessa loja com essa grossa eu não fico mais!
 
hehehe, Deus é muito bom! Acabou que não fiquei mesmo na loja do Recreio. Fui pra Barra e por lá fiquei por mais uns 2 meses. Longe da Simone. Amém!
 
Problema perfeccionismo: Curado!
 
Tenho também essa tendência de cuidar do mundo, a achar que tudo me concerne, que tudo devo resolver. Mais esporro, é claro.
 
A Simone me explicou de uma maneira bastante grosseira que nem tudo me diz respeito.
 
Foi doloroso, contudo libertador. Agreguei uma quantidade incontável de conhecimento ao longo dos anos, os pensamentos foram tantos que no fim não conseguia mais dormir. Só que a partir do momento que nem tudo me diz respeito e que nem de tudo preciso saber (como ela deixou bem claro ao me explicar sobre os grupos dos modulados, porque os modulados tem grupos sabiam? Isso quer dizer que não foi a Todeschini que sacaneou os clientes, mas um grupo específico, dono de umas lojas específicas que o fez. Mas as pessoas não sabem disso e acham que foi a Todeschini inteira que fez isso e provavelmente por ignorância não vão comprar mais lá, com pessoas possivelmente honestas até. Mas elas não sabem disso. E eu sei, viu Simone? Tinha um porque!) me livro de ter de resolver coisas, pois se não me concernem não é problema meu e se não é problema meu, lavo minhas mãos. 
 
Problema carregando o mundo nas costas: Curado!
 
 
Eu era arrogante, achava que tinha de dar conta de tudo, que podia dar conta de tudo, que era capaz de fazer tudo certo, mas a Simone me ajudou de uma maneira muito torta - que só a escrita do nosso Altíssimo Senhor Deus seria capaz de realizar - que também sou humana, que tudo bem errar e me lembrou de como são mesmo feitas as amizades: com a superação das dificuldades através do perdão e da segunda chance.
 
Mudei sim, bastante. Contudo meus porquês apesar de reduzidos ainda aparecem vez ou outra, volta e meia lanço algo errado na planilha, a vez então nem se fala! acho que nunca vou conseguir fazer isso direito! Saber onde cada vendedor este então, nem se fala! Não tenho mesmo talento pra cuidar da vida dos outros. Mas amanhã vou sentar na mesa da frente, vamos ver se finalmente consigo abordar todos os clientes que entram na loja!
 
Simone, Deus escreve certo por linhas tortas, e por algum motivo Ele nos colocou juntos na casinha. Desfrutemos, então!
 
 
Ah! devo chegar atrasada amanhã. São 5 da manhã e vou tentar dormir agora, mas não briga comigo não, foi por um bom motivo: esse texto!
 
E ah! tenho de ir numa montagem também ver uns pontos de hidráulica e elétrica que especifiquei, mas o pedreiro mudou. E devo ficar meio cansada por ter dormido pouco e sair mais cedo da loja.
 
É possível que amanhã eu seja uma péssima funcionária, mas não briga comigo não! Vou tentar fazer melhor na terça, tá?
 
Beijos! e obrigada.

12 março 2013

Pintura Mental

Tenho lido Clarisse ( com c ou s, tanto faz: ela sabe que é a ela que me refiro) e estou com esse sentimento de acaba logo, mas por favor não termine!

Quero acabar o livro. Terminar de descobri-lá por completo. Mas não quero que o livro se acabe e que venha outro que me afaste dela.

Clarice escreveu muitos livros. Será que um dia escreverei algum também?

Desde já me sinto pressionada a escrevê-lo. 

Engraçado que ela afirma escrever poque não sabe pintar. Já eu que sei, acho que tem coisas que a abstração não descreve. Ou descreve, sei lá!

Só quero dizer o que penso das coisas. Como é esse mundo que vejo, talvez alguém consiga ler minha pintura mental. 

10 março 2013

Um podre meu.

É estranho saber que me lêem, e ao mesmo tempo uma necessidade. Eu realmente precisava que soubessem o que se passa aqui.

Fico lembrando de Clarisse me dizendo que passava pelo mesmo constrangimento. Só sei escrever sobre mim, sobre como é lá fora pra mim.

Hoje fugi.

hihi

Vim embora assim que soube que ele chegaria. 

Saí correndo, mas isso é força de expressão. Só troquei de roupa o mais rápido possível e fiquei apressando minha carona para irmos. Senti um alívio!

Eu sinceramente não confio na minha capacidade de me manter longe de um bom pau. Principalmente em tempos de excitamento pré-menstrual. Não sei o que é, mas parece que o corpo da gente implora pela fecundação nesses últimos dias que precedem a perda de um outro óvulo. E foi por isso que quis ir-me.

Na verdade não foi não. Eu conseguiria resistir, mas dá tanto trabalho! É cansativo levantar quando o outro senta, propositalmente não dar conversa quando se queria conversar só para não dar mais esperança. E eu estou cansada. Mesmo.

Dormi a tarde inteira. A galera reclamou que armei a festa e não aproveitei dela. Bobinhos! Mal sabem eles que não haveria prazer maior que deitar-me limpinha no ar condicionado e assistir TV entre um cochilo e outro. Melhor mesmo só se tivesse sido na minha própria cama, mas como aqui em casa a TV nem na tomada está ligada, minha utopia não estaria completa mesmo que à casa retornasse. Por isso, conformada aceitei a cama, o ar e a TV a cabo de uma amiga. Grata Si!

Não faço esse tipo de coisa para mim. Faço festa pros outros. Meu divertimento está em organizar, pensar como vai ser, deixar tudo bonitinho para quando todos chegarem verem tudo. 

Tá bom! A terapia me impede de dizer isso!

Faço pelos elogios! Adoooooooooooooro ouvir que está tudo lindo, que todos gostaram e a aniversariante ficou mega feliz com a festa.

Ai! Ai! Tanto tempo me tratando e ainda me minto uma bondade inexistente.

Eu realmente não sou tão legal quanto pareço! 

Nossa! Já que estou abrindo meu coração vou contar alguns podres meus. Já está na hora das pessoas saberem quem eu realmente sou.

Algumas pessoas se surpreendem de saber que estou solteira. Afinal de contas, sou inteligente, bonita e, segundo os padrões internacionais de beleza, só um pouco acima do peso. Trabalho, ganho meus dinheiro, etc. Então por que cargas d'água estou solteira?

Hahaha. Me rio por dentro (assim, errado mesmo).

Nossa quando as pessoas me perguntam isso tenho vontade de dar uma gargalhada dessas tipo HA!

Sou uma pessoa horrível de se conviver. Alguma coisa acontece quando estou namorando que faz com que acredite que a pessoa tem de receber toda a água que tenho represada de uma vez só, sabe?

Não disponho de qualquer estrutura emocional. Em um relacionamento, se estou com sono é muito, mas muito fácil mesmo que eu chegue aos prantos por esse motivo. Pela menor das frustrações já estou desabando e chorando e reclamando e fazendo drama e enchendo o saco.

Não consigo me conter. Tudo o que guardo sai, de um jeito muito feio em cima da pessoa. É feio de se ver.

Não à toa todos os namorados que já tive eram passivos nível asiático para dar conta de me aguentar.

Tudo me irrita, não quero fazer nada, não me sinto confiante de fazer nada. Fico raivosa. 

Por favor não me entendam mal. Desfruto desses sentimentos no cotidiano. Mas por que meus amigos nunca me vêem assim?

Porque escondo, ora essa! 

Guardo, represo. 

Tenho mesmo muito medo de ninguém gostar de mim se me vir dando um dos meus shows. E não sem motivos: eu mesma não toleraria alguém que agisse assim. Porque é bem desrespeitoso.

Eu sinceramente não quero pensar agora no que me faz agir assim em relacionamentos íntimos. Digo íntimos porque minha forma de agir com meus pais e irmãos é o mesmo.

Não sei, mas é algo como se eu explicar o que é mesmo não vão entender.

Sei lá...

Deixa isso para a terapia. Chega de podres meus por hoje também!







06 março 2013

A luz e o Caminho

E se eu estiver no caminho certo?

E se o que quero está aqui, assim na minha frente?

Meus amigos bêbados me apoiam. Sóbrios também, é verdade.

O sono foi embora, quero pegar o carro e ir encontrá-los. 

é isso! Como não me ocorreu antes?

Ai, Senhor! E agora pra dormir?

04 março 2013

Quando me tiraram da casinha



A expressão "fora da casinha" é amplamente utilizada em meu trabalho para caracterizar pessoas que não procedem em conformidade, que não estão de acordo... as que não fazem parte do clubinho.

E hoje, meus caros, tiraram-me da casinha. Foram as três ao cinema. Sem mim.

Eu as considerava! Sim! Sim! Eu as tinha no meu clubinho!

Tá certo que quem chega por último não senta na janela, mas e o meio? tapando um pouco da vista do retrovisor? Já servia para mim.

Achei que o problema seria meu deslocado gosto cinematográfico, confesso minha simpatia por musicais e documentários. Talvez até por documentários musicados, por que não?

Mas não! Ela nem sabiam o filme que iam assistir!

- Vamos decidir na hora, disseram-me.

Tá certo que nos jogos do colégio eu era uma das últimas a ser escolhidas... minha constância nas aulas de educação física eram bimestrais. Fui a única aluna do Colégio Alfa Recreio a fraturar todos os dedos no primário.

Mas elas nem sabiam disso! Como pode ser?

Como será nossa relação a partir de agora? Havia uma relação até agora? Devemo-nos tratar por senhoritas? Devemo-nos nos destratar?

Ai Senhor! estou fora da casinha! Como poderei eu, Deus, um dia entrar?

Mas não as desejo mal. Não, não! Minh'alma cristã não permite. Que tenham um bom filme, logo hoje que vai chover.


03 março 2013

Sobre a ineficiência produtiva.

Sou eficiente.

Sou muito eficiente. E isso é um problema.

Certa vez no colégio, eu reclamava a uma amiga. Dizia que me sentia mal porque havia tirado um seis e meus pais - acostumados a ver meus oitos e noves - consideraram que havia algo errado comigo e com meu seis. Eu provavelmente não havia me dedicado o suficiente àquela prova.

Lembro até hoje da Aninha me dizendo: "Nossa! É por isso que não acostumei meus pais mal! Como sempre chego com quatros, um seis é uma vitória!"

Ah! a ineficiência produtiva!

As pessoas estão acostumadas a me ver resolvendo coisas, principalmente as que não me competem: o computador que não quer ligar, a planilha do excel que não sabem editar, a caixa de som que não sai som, o flyer, a impressora, os óculos, suas vidas e a minha. E a minha?

De repente resolver é meu comum, é minha obrigação. Como assim você não fez?

Até hoje não sei quais são minhas funções no trabalho. Até hoje não sei aonde começo e termino por lá. 

Me rio quando penso nisso. Justamente não sabe-las me torna ineficiente por excesso de eficiência em outras áreas. 

No bom português eu diria que me meto no que não sou chamada. Se ficasse no meu quadrado, evitaria muitos conflitos.

Confesso que há algo de bom nisso tudo. Aprendi muito com minha curiosidade. Tornei-me capaz, e cansada. 

Quero um meio termo. 

Não sei se ligo mais pro que os outros pensam. Deixarei que me acreditem incapaz e em paz. 

De repente sobra mais tempo pra me dedicar à mim.

01 março 2013

Ar.

É, Ela está esperando para viver. Ela tá ali, parada, esperando a missão acabar pra começar a vida dela. Eu a entendo.
Ela trabalha, volta pra casa. Cumpre um pouco mais da sua missão. Um pouco a cada dia.

Eu? Eu não.

Agora me lembro. O único objetivo que eu tinha na vida era de tirar a minha mãe da tirania que sempre foi a vida dela com meu pai.

Minha mãe sofria tanto. Tanto! que todos os dias eu acordava, ia para o colégio pensando que um dia eu ia crescer, trabalhar, ganhar dinheiro e tirá-la de lá. Poder dar uma casa como ela sempre quis. Arrumada, cheirosa, bonita.

Dia após dia eu acordei, fui ao colégio - eu realmente não faltava, nem mesmo doente. Só quando estava muito doente - tirei as melhores notas, me esforcei muito nesse aspecto: estudos.

Eu precisava ser a melhor pra passar pra melhor faculdade, pra ser a melhor lá também, e ter o melhor emprego.

Não lembro bem exatamente quando isso aconteceu... acho que foi um processo que começou quando me disseram que a Feijão tinha morrido. Depois da morte dela fui fazer terapia.

E comecei a ver as coisas de uma forma diferente.

Acho que foi só depois disso que pensei pela primeira vez no que EU quereria fazer da minha vida.

Na verdade eu nunca tinha pensado no que queria pra mim. E tipo que não pensei até agora.

Viajar foi bom. Viajar é bom, mas não cria raízes. Eu quero raízes. Quero algo que me segure, me prenda. Eu voo muito.

E pra ser sincera, não sei. Tudo que queria mesmo era ver minha mãe feliz. Ter descoberto que a infelicidade dela foi causada e é mantida por sua própria vontade foi uma decepção muito grande. Um choque. Um baque que confesso ainda me deixa tonta.

Acho que senti vontade de me descobrir. Repetir quem sabe coisas boas que já havia feito.

Não me parece à toa ter rompido com tudo que era antes: arte.

Confesso que não sei aonde estou e onde começam eles.

Ainda não a perdoei por ter-me feito sofrer tanto. Realmente chorei cada uma de suas mágoas.

E não foram poucas.

Meu querer mais urgente foi deixar essa loucura toda de lado. Dar a Cesar o que é de Cesar. Digo isso assim lá em casa: "Vocês que se casaram, vocês que se entendam! Eu não disse sim pra ninguém na frente do Juíz!"

Lá em casa.

Ainda é lá. Quanto tempo será que vai levar pra ser aqui?

Me afastei, achei que estava começando, no primeiro susto corri pra casa.

Mais descobertas.

Mais longe estava eu de tirá-la das garras do meu pai: ela não quer sair.

Quer ficar. Na verdade eles são felizes assim. E eu também.

E eu também.

Quero experimentar um outro tipo de felicidade. Uma felicidade que não conheço.

Como procurar algo que não se vê? Pois não o vejo.

Quero algo que não vejo. Nem sinto. Sei só que é diferente.

Acho que quero ser eu. Quem eu sou? hehehe

Essa, sei responder.

Não vejo diferença entre pessoas. Pessoas são pessoas, ora essa! Homem, mulher, tanto faz. Beijo é beijo. E quando toca. Toca!
Adoro cigarros. Adoro sentar com amigos e conversar por horas e horas, aspirando e expirando fumaça. Meu maior prazer de cada dia é chegar em casa, sentar na varanda e fumar 1 cigarro.
Não gosto muito quando fumo demasiadamente o dia todo. Fumar demais tira o prazer de fumar.
Gosto de fazer presentes. Criar coisinhas com amor para pessoas que nutro sentimentos positivos.

Eu não gosto de artes, mas preciso delas.
Gosto de cigarros, mas não preciso deles.

Ai conflito!

Fiz um presente hoje pra uma amiga. Estou com 1 mês de atraso quase... é q estou voltando agora... procuro não me pressionar mais. Ir à escola todos os dias - e não faltar! - nos meus primeiros 16 anos de vida sugou minha determinação.

Sou dessas que ama tecnologia. Todas as facilidades que elas trazem pra gente. Comigo não é mesmo dinheiro jogado fora.

Não vejo drama, normalmente acho as coisas como podem ser: preto. Preto. Branco. Branco. Nada de bom ou ruim. Porém, tão pouco ajo em conformidade com o que percebo.

Sou dessas que não esquenta muito. Até esquentar.
Ah! Quando quero ser cri cri! Nossa! Nem eu mesma me suporto!

Fico enquanto está bom! Nenhuma disposição em me ater ao que me faz mal. Tenho aprendido sobre construção, que passa pelo bom e pelo mal. Sei também que se vale ou não a pena a gente só descobre lá na frente, mas os amigos dão boas dicas no início. (essa é pra Simone)

Tenho preguiça. Odeio fazer faxina. Atraio-me muito mais pelo trabalho intelectual, confesso.

Sou boa. E sou porque me faz bem, só por isso mesmo. Simples assim.

Sou dessas que procura não se apegar. Porque sou do tipo que cuida, e é trabalhoso demais cuidar de todos.

Talvez eu não queira nada que já não tenha.

É bem possível que o invisível que procuro seja essa doença que sempre tive. Sinto-me fraca e disposta a concordar com o que já tenho. Sonhar me cansou. Sonhei em ter uma empresa de design. Sonhei em fazer algo grandioso da minha vida. Sonhei que ela valeria a pena. Estou cansada.


Talvez seja disso mesmo que eu goste. Essa bagunça, esse brigar que sempre apoia quando é preciso apoiar, esse companheirismo de vários anos que apesar de todos os pesares não deixa a peteca cair. 

Assumo que vi, em cada um dos momentos que foram necessários, eles suportando e levantando um ao outro. Nos momentos mais difíceis. Nos momentos de dúvidas e medos mútuos. 

Não posso negar ter visto minha mãe acompanhando e suportando as dificuldades juntos. Em questão de caráter é inegável a concordância dos dois. Eles não cedem nem um milímetro. Não posso deixar de admirá-los por isso. De uma maneira estranha e torta eles estão na mesma sintonia. 

Talvez eu só tenha crescido e como todo passarinho que cresce quer voar por seus próprios ares.