Ontem, foi meu
aniversário. E, como em todos os anos depois que a Feijão se foi, eu não quis
fazer nada. Porém no final do dia minha mãe telefonou e pediu que passasse no
mercado para comprar o bolo e ingredientes para fazer cachorro quente,
concretizava-se a hipótese que levantamos na semana anterior: faríamos algo,
nem que fosse só um bolinho.
Assim, meio em
cima da hora, convidei alguns amigos. Na
festa correu tudo bem, as pessoas conversando, meus pais vendo TV, meu sobrinho
neto rabiscando o quadro branco, o chão, as paredes. Davi é uma graça. E para
mim, que não entendo de crianças, uma incógnita. Davi fala uma língua estranha:
“pesta” pode significar presta, como “presta a atenção!” ou “me empresta?”. A
lógica do seu raciocínio permite montanhas com árvores - o que dá para
compreender -, porém no alto dela tem um monte de cadeiras, quebradas.
A noite foi
confusa, ele desenhava coisas que para mim não faziam qualquer sentido apesar
dos meus conhecimentos em arte abstrata. E, lá para o fim da festa, convidei-o para
soprar as velinhas. Primeiramente concordou, depois discordou e no fim ficou
parado bem em frente ao bolo do outro lado da mesa para tão logo o “... muitos
anos de vida...ÊÊÊÊÊÊÊÊ” acabar, soprá-las.
Coloquei o
que, proporcionalmente ao seu tamanho, era um balde de sorvete, no final da
noite levei-o para casa. Na despedida ganhei um beijo e a noite.
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