Encontrei por acaso esse site na internet com uma reportagem sobre o Project Unbreakable (Projeto Inquebrável) o qual mostra fotografias de pessoas que sofreram abuso sexual segurando frases ditas pelo violentador.
Nesse site algumas das frases foram traduzidas, mas se pode ter acesso ao projeto todo (em inglês) em sua página.
Acabei lendo uma por uma e infelizmente o número de fotografias é gigantesco e maior ainda de casos. É claro que tive meus olhos inundados enquanto as via (sempre assim até com comercial de margarina, literalmente! Um dia conto isso!), contudo depois de ler e reler os relatos, num misto de empatia, dor e indignação, o que me chamou mais atenção - e considerei de influência determinante aos que sobreviveram aos abusos - foi a reação dos que primeiro receberem a notícia do estupro.
Por favor observem:
![]() |
| "Ele estava bêbado. Não foi nada demais. Relaxa! - a primeira pessoa que contei. |
![]() |
| " Ah! Tudo bem, é só um antigo trauma de infância!" - Amigo em resposta a mim ao fato de ter sido estuprada aos 5 anos de idade. |
![]() |
| "Não conte a ninguém! Isso será nosso segredo." - Eu tinha 9 anos. Contei aos meus pais 16 anos depois, após uma tentativa de suicídio. Eles não disseram nada. Nunca. |
Ser estuprada - imagino - já é traumático. Quando penso em perder a soberania de mim mesma, ter alguém controlando meu corpo, minha vivência e usando mal! Causando-me ferimentos físicos e emocionais! É uma invasão tão grande, um desrespeito. Somados à vergonha de ter de assumir que "permiti" que alguém me fizesse tão mal. Digo isso, porque - não sei vocês, mas eu - tenho a crença de que tudo na minha vida posso controlar e de que tudo depende unicamente de mim para ser solucionado e que se algo aconteceu eu poderia ter evitado. Essa certeza é derivada de egocentrismo e um déficit de humildade, ou seja, da capacidade de ver as coisas como realmente são, bem o sei. Todavia, fato é que as atitudes alheias nos são impossíveis de controlar e algumas pessoas, munidas desta certeza, utilizam-na para nos subjugar e submeter. É provável que não tenhamos meios no momento de evitar a violência, entretanto como nos sentiremos depois e o que faremos a partir disso pode sim ser moldado.
O que escutamos imediatamente após qualquer ato de violência ou situação traumática daqueles que escolhemos confiar é determinante para reafirmar as ofensas e humilhações ou quebrar com essa inverdade.
No momento em que os pais dessa menina brigam com seu avô por conta do estupro ao qual ele a submeteu, mas depois voltam a falar com ele, é possível que ela entenda que um grande ato de violência deva ser aceito. Não estive lá com essa menina, tampouco sei em que circunstâncias se deu essa reaproximação. Não sei se o avô chegou a pedir desculpas ou se isso faria qualquer diferença para ela. Porém, o uso de desculpas baratas, o pouco caso e a omissão são fermentos para o trauma e insegurança. Pensa comigo: Fui até alguém pedir ajuda, confusa, perdida, ferida e escuto "Isso não é nada", "Ele estava bêbado" ou pior, silêncio. Não me parece certo, nem ajuda em absoluto.
Fundamento o que digo nessa última foto e na qual é relatado que, logo em seguida ao estupro, a menina é amparada, reafirma-se que aquilo não foi culpa dela e que ela vai superar. Tenho certeza que fez toda a diferença. Ela é a única das fotos que sorri.





Nenhum comentário:
Postar um comentário