Tenho uma amiga que passa por uma situação muito difícil. Vinda de uma cidade do interior de Goiás, ela não cabe em si.
Não sei o que a leva a se trancar nela mesma e tampouco creio que quaisquer explicações, por mais plausíveis que sejam, resolvam o problema.
Quando comecei a escrever esse post, fui buscar a ajuda de um amigo formado em Farmácia pela UFRJ. Trocamos e-mails, ele me recomendou textos que abordavam assuntos relacionados às drogas, a forma pela qual essas agem no nosso organismo, o porquê de tomarmos tantos remédios hoje em dia e depressão.
Não os li.
Vinicius, agradeço imensamente a colaboração. Pretendo ler tudo que você me enviou a título de curiosidade. Contudo devo confessar, amigo, que em se tratando de vida a única teoria cabível é aquela a qual é vivida e, vivendo, quis muito parar, por vezes ainda quero.
Há horas em que o mundo parece demais. É pesado, confuso, desestimulante. Uma angústia cortante que me avassala. Tudo que penso destoa, tudo que sou não encaixa, tudo que quero não existe e desisto. Paro e por vezes ainda ferida volto a caminhar por puro desespero.
Minha amiga usa drogas. Amy Winehouse usava drogas, Chorão, o Yuri também, a Emilie. Engraçado que me sentia um pouco superior por não ter cedido aos entorpecentes como tantos que conheci fizeram. Tola! Como se os livros não fossem tão viciantes quando o álcool. É neles que me afogo. Prendo-me à teorias banais que explicam, e só.
Sempre pensei quando os via fazendo uso de drogas: "O que te incomoda tanto ao ponto de você precisar se entorpecer para parar um pouco com isso?"
Confesso que nunca poderei responder, afinal cada um sabe a dor e a delícia de ser quem se é. Porém posso explicar porque drogas- e quando digo drogas incluo remédios, livros e entorpecentes em si - não vão acabar com a sua dor. Elas até dão um intervalo, para depois voltar mais forte.
Os entorpecentes e remédios psicotrópicos agem como um bloqueador da realidade, não confrontamos o que nos incomoda porque nossos conflitos ficam bloqueados por estímulos químicos de prazer. É a felicidade na caixinha. Vivemos numa matrix na qual alimentamos compulsoriamente nossos neurônios que, cada vez mais estimulados, tornam-se obesos mórbidos de prazer. É um prazer artificial, sem equilíbrio. A felicidade perdura na proporção da caixa. Mas isso vocês já sabem.
Explico, também, que o sistema de consumo atual prefere que nos mantenhamos nessa situação ébria, afinal quem vai conseguir contestar o que quer que seja estando alto?
Lembro de um post no facebook que dizia algo como: "Acho que nos é estimulado o consumo de álcool para que nas horas vagas não estejamos suficientemente conscientes para criticar".
Fudi-me, eu que não sou de beber!
Ao mesmo tempo penso no meu vicio de ler. Tão drogada quanto confesso meu deslize, e aproveito para expor que o vício é de mascarar a realidade e nada mais. Termino com essa frase de Owrell (meu mais novo herói). Ele diz:
(Em tradução livre) "Todos somos capazes de acreditar em coisas que sabemos não serem verdade, e então, quando nos é finalmente provado o contrário, imprudentemente distorcer os fatos de forma que estejamos certos. Intelectualmente, é impossível manter esse processo por tempo indeterminado: o único fato é que mais cedo ou mais tarde as falsas crenças saltarão contra a solida realidade, comumente num campo de batalha"
Infeliz ou felizmente, eventualmente confrontaremos a realidade. Ela caminha a passos lagos em nossa direção.
Amy já morreu. Chorão também. Por favor, não vai não.
Tampouco eu tenho forças para caminhar, mas é preciso.
Partilho agora um segredo: quando fica em paz aqui dentro, fica em paz ali fora também. Faz um pouquinho de cada vez. Só o que te dá prazer, o que te deixa feliz e depois me conta!
Se você está lendo e não me conhece, ou conhece pouco, conta também! Todos precisamos de boas notícias!
O meu amor em letras,
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