10 maio 2013

Quando me emputeci com os franceses e vi que bom mesmo é feijão e arroz quente!

Paris é uma cidade escrota. Não, não. Minto. 

Paris é uma cidade linda, a Torre Eiffel é encantadora, passear pela St Michel vendo aqueles prédios do sec XIX é tão romântico! A loja da Louis Vuitton na Champs Éllyséss tem a vitrine mais Alice no Pais das Maravilhas que eu já vi! Para não falar do Louvre! Ah! O Louvre - se pusermos à parte o imperialismo e a subtração dos direitos culturais de cada um dos povos que detinham as peças ali expostas - tem um energia tão boa! O edificio por si só é uma graça. As piramides de vidro? Aff! E a história do prédio em si, com suas desconstruções e reconstruções, sempre mudando de função, mas nunca exercendo um papel coadijuvante na história francesa, sem igual.

Paris é linda, realmente, mas os parisienses... Gente escrota! Podiam sair um por um de Paris que só faria bem à cidade! Nunca tem tempo para nada, estão sempre correndo, vestidos de preto ou no máximo cinza quando querem variar. Que merda de cidade da moda é essa que as pessoas só usam preto? Que falta de criatividade! 

A vida cultural parisiense? Sim, não dá para negar, é impossível visitar um parque, sentar num café ou entrar no metro e não encontrar pessoas com um livro na mão. Impossível também não sentir a catinga, porque, Jesus: o povo fede! Nossa! Mendigo é detectado por via nasal (humana!) num raio de 5km! Nunca vi gente para feder tanto! E é um suor antigo, catinga sobre catinga. Sei lá o que é, acho que é o suor de ontem misturado com a roupa de semana passada que não foi lavada. E o pior é que tem vezes que a porra do cabelo tá molhado e o suvaco fedorento! Ihhh! Será que eles fazem que nem meu irmão fazia quando adolescente que só molhava o cabelo e dizia que tomou banho? Deve ser!

O que mais me emputeceu em Paris foi sair do meu mundo tupiniquim buscando mergulhar na mais alta sofisticação e refino humano dos que fizeram a revolução, daqueles que declararam no final do sec XVII os Direitos do Homem e do Cidadão, gente culta que entende de gente! Saí, eu índia, do meu Brasil em busca da vivência cotidiana do respeito, gastei em Euro para chegar lá e ver aquelas gotas de petróleo ambulantes passarem por mulheres com bebês carregando os carrinhos escada acima ou abaixo nos tão embolorados metrôs de Paris e não-fazer-nada! Passavam direto! Assim: nem vi! Mais rápido que o coelho da Alice! 

Para que escreveu a porra dos Direitos Humanos se não usa?

Parisiense se diz muito educado, não pode por o pé em cima do banco da frente no metro, não pode tratar que não conhece de Tu, comida tem entrée, plat principal e desserts, escolher um garçom que fale português para te atender então! Dá licença para o outro te fuzilar com os olhos seu jantar inteiro. Antes de perguntar qualquer coisa na rua tem de dizer Bonjour, mesmo que seja à tarde. 

O que parisiense não entende, é que tão estúpido quanto quem não disse bom dia, é ele que se recusa a responder à pergunta antes que o outro o cumprimente. Tão insensível quanto os que mataram na Revolução é você que deixa seus filhos, esposa e mãe carregarem as malas pesadas metro acima, enquanto anda na frente com sua mochilinha, porque tudo que você vai usar e te pertence está ali dentro! A insensibilidade é a mesma, só a intensidade que diminuiu.

Uma coisa preciso reconhecer, eles realmente tem a cultura de deixar para lá o que foi ruim e reconstruir em cima algo bom. A exemplo do Obelisco da Praça da Concórdia. 

A praça da Concórdia foi palco das execuções feitas no período mais radical da Revolução francesa. Passado isso, eles colocaram no centro da praça um obelisco para que esse não tivessem lembranças do sangue ali derramado. Maneiro, né? Mas só isso!

Olha, os franceses, especialmente os parisienses, podem até entender de boas maneira, entrée e plat, mas de solidariedade e ternura, de todo o mundo ainda não vi igual ao Brasil.  












Um comentário:

Lau disse...

O taxista mais fedorento do mundo com certeza é o parisiense que me pegou. Hahaha Tive que abrir a janela e passear como cachorrinho admirando a noite na cidade luz!