28 dezembro 2012

Cartas para Rafael: Fail


And I thought that was only me...
but it was already all lost

Tuesday was just another way of finishing it
but this time with me telling you good bye.

That´s all ended. Nothing left to lose.
You´re not here anymore, even though I really wish we could be us again I don´t think it´s possible.
I don´t really think you can handle it.. and miracles happen, but to others, not to me... I guess.

I´m just trying to kill the ilusion of us I have inside.
I´m just trying to kill the ilusion of us I have inside

I´m failing.



18 dezembro 2012

Cartas para Rafael: carta final.

Eu quero ter Rafinhas com vc. Eu quero me irritar com eles de tanto que me demandam o porque das coisas.
Eu quero te levar ao aeroporto e ficar contando os minutos pra você voltar.. Eu quero ir te visitar nas suas férias do doutorado. Eu quero te ouvir falar dos caras que fizeram história... eu quero encher o saco de te escutar.
Eu quero fazer o seu café e te obrigar a comer enquanto vc passa imerso pelas madrugadas estudando. Eu quero fazer parte da sua vida, mesmo que seja somente como aquela que faz o café.
Eu quero acompanhar os noticiarios dos conflitos de uganda q eu nunca acompanharia, só pra saber se vc está bem. Eu quero te envolver com meu amor. Eu quero q vc vá e sempre volte.
Quero ficar chateada com você e mesmo assim continuar segurando o chapeu.
Eu quero te odiar por ser tão hesitante, mas nao conseguir te odiar por muito tempo. Quero contar essas coisas que eu não conto pra ninguém.
Eu te tiro da cadeia se for preciso, mas eu vou brigar com vc depois, mas só pq faz parte do meu show.. e quero ver vc dar de ombros e rir sabendo q não é sério... é pq eu te amo mesmo.
Eu queria poder te convencer a sentir o que sinto por vc

Eu to sentindo essas coisas estranhas... e como você foi o unico amigo (tipo homem-amigo) q eu já tive decidi te dizer... eu fico lembrando do jeito q vc sorri e fico em paz. São uns detalhes bizarros que não encontro em mais lugar nenhum... vc é magrelo... quando tira os pelos da sobrancelha vc tira um pouco d+... ai elas ficam muito afastadas e atrapalham na simetria do seu rosto... mas vc nao tem de saber isso... é coisa de designer reparar em simetrias.
Eu fico tentando entender o que que tem em você que faz com q esses clichês tão fora de moda me invadam todas as vezes q eu tento descrever...
são coisas como..."Eu nunca senti isso por ninguém antes"
"São coisas que só encontro em você"
"Eu quero ter Rafinhas com vc" (nossa essa foi a melhor!)

E aí sei lá, vêm na minha cabeça esses seus trejeitos como se eles fossem a explicação disso, sabe?

Eu sei que vc não tá na mesma vibe... vc já me disse isso... aliás, foi por isso q a minha confiança em você tipo que rachou... vc lá na praia aquele dia disse: " eu gosto de você como amiga, mas não gooosto de você, nem nunca gostei." Nem nunca gostei... Eu queria ter berrado q é mentira. Nem um pouquinho? Sério mesmo? Nesse tempo todo nunca, nada passou por aí no seu coração? Pq eu tenho um e-mail no qual vc diz q me achou linda e eu não acho q foi um comentário gay de um amigo que aprovou a minha indumentária, mocinho.

Por favor entenda q quando eu digo isso não quero te afrontar, nem provar q só pq talvez algo foi antes q seja agora tb... até pq opiniões mudam... e eu posso ter sentido esse tempo todo errado tb. Eu posso estar enganada tb.

Eu digo isso mais como um AHAN! Eu estava certa! heheh... é mais uma brincadeira... nada d+...

Mas voltando ao que eu dizia... eu sei q vc não está na mesma vibe... Não... Não...

Deixa eu te contar uma coisa antes... já que estamos botando tudo em pratos limpos... deixa eu te contar pq cargas d'água eu não disse isso antes...

Rafa, eu tenho essa tendência a destruir relacionamentos (e de alguma maneira é o que eu to fazendo agora te entregando isso)... lembra quando vc disse q rompia com as pessoas la na UFRJ? Eu sou tipo assim... mas eu faço isso tb com as pessoas q amo... sempre que chega a um embate q fica complicado e confuso d+ pra eu entender e resolver eu fico muito, muito angustiada... e como não consigo resolver a minha angustia e estar perto de uma pessoa específica, no caso a pessoa q estou tendo conflitos no relacionamento, faz com q essa angústia aumente eu afasto essa pessoa de mim. Aquilo q vc chama de romper com as pessoas.

E eu acho q de forma subconsciente eu nem me permiti chegar perto de vc pq eu sabia q ia destruir o relacionamento que tinha com vc como eu destrui cada relacionamento q tive ao longo desses anos.
Eu achei q já tava mais preparada e q conseguiria dar conta dessa vez, mas acho q não tô. Meio triste isso.

Eu sei q posso estar sendo muito egoísta te pedindo pra dedicar um pouco do seu tempo a isso, especialmente agora q vc ta no meio do doutorado. Eu sei q doutorados são muito dificeis, a Dani faz o mestrado e eu vejo q é muito difícil... imagina um doutorado. Mas é q esses é um dos meus outros defeitos tb... eu tenho muita dificuldade de entender certas coisas e eu sou meio cabeça dura.. e não consigo muito deixar de lado coisas que não consigo entender. É muito difícil pra mim desistir. Então talvez, sendo um pouquinho mais egoísta, eu vou pedir pra vc ter paciência comigo... se tudo der "certo" ( no sentido de correr como sempre correu) vc vai encher tanto o saco de mim q nunca mais vai querer me ver e eu vou ficar bastante mal.. e levar alguns anos pra superar, mas eventualmente eu supero.

Por favor, não se sinta pressionado com isso... eu sei q é dificil de pedir pra vc nao se sentir pressionado com isso e ao mesmo tempo te dizer isso, mas é q como eu disse vc foi o único amigo q eu tive... e eu gostava de poder te dizer as coisas.

Ah é! Outra coisa sobre mim q acho que vc podia saber: Eu sou MUUUUUUUUUUUUUITO insegura! Nossa vc não tem nem ideia do quanto! O meu pai não é muito de reacionar explosivamente sobre as coisas, então quando nós discutiamos ele não dizia nada... ficava quieto na canto dele... e eu me sentia MUITO abandonada por isso. Eu achava q ele ficava em silêncio pq não gostava de mim. Depois do Ygor (eu te falei do Ygor?) eu descobri q não! Q ele é um amigão... e hoje eu converso com ele sobre essas coisas q eu gostava de conversar com vc... mas eu fico um pouco com o coração apertado pq sei q ele e a minha mãe não vao durar muito.. ela já está doente e ele também não está muito bem... e aí eu me sinto abandonada outra vez... e dessa vez meio que duplamente pq eu tipo q to perdendo os 2 únicos homens q eu conversava...

Eu não to dizendo isso pra vc ter pena de mim. Eu só to dizendo isso pq eu preciso falar as coisas se não elas ficam engasgadas em mim e eu sei q vou ter um cancer um dia se continuar guardando tudo pra mim.

Então se vc quiser q eu não me sinta muito mal, por favor tenha uma reação. Eu realmente não lido bem com a indiferença. Ativa em mim os meus medos mais profundos!

Ah é! Eu passei a terapia toda hoje falando de vc.. e ela perguntou o que eu esperava da cartinha q te mandei e dessa situação toda. Eu não disse pra ela, pq eu fiquei com muita vergonha de dizer isso e me senti muito ridicula dizendo...

Eu sei q coisas não mudam com um passe de mágica como nos filmes... mas acho q no fundo eu acredito nisso.

O que espero disso... tipo sincera e ridiculamente... q vc sentisse essas coisas patéticas q eu disse no início. Eu queria ter a oportunidade de tentar exercitar a pessoa melhor q eu acho q posso ser ao lado de alguém q eu goste. Rafa, eu não confio em ninguém. Eu queria ter a oportunidade de viver do seu lado e melhorar com você... as pouquinhos mesmo. Rafa, eu não confio em ninguém e isso é algo q eu preciso fazer com alguém que eu confio, e eu confio em você.

Eu realmente tô abrindo o meu coração q provavelmente tá na minha boca se eu realmente estiver parada na sua frente como eu achei que estaria.

A Maria Tereza sempre me pergunta por que eu tenho tanto problema em assumir responsabilidades e eu sempre responto a mesma coisa: e se eu não conseguir honra-las?

Então se eu nunca te entregar essa carta é pq eu fiquei com medo de fazer esse movimento todo e "fazer você se apaixonar por mim" e depois te magoar. Eu vou ficar muito mal se isso acontecer...

mas sabe uma coisa q eu fico pensando... todos (sem exceções) os meninos q fui apaixonada na adolescência e que queria muito ficar, mas achava q eles não queriam ficar comigo eu descobri depois de muitos anos q na verdade queriam. Eu digo quem foi pra vc não achar q eu to mentindo:

O Bruno, o Yuri e o Daniel D2. O Daniel eu não fui apaixonada não, mas eu achava ele bonito e queria ficar com ele.... ele me add no face tem um tempo e a gente conversa de vez em quando e ele me disse outro dia q lembrava de mim pq me achava bonita quando nos conhecemos.... e veja só.... uhnm... será q ele disse isso no sentido de achar bonita e não de querer ficar e eu entendi errado? E vc podia ter achado desse mesmo jeito tb...

Poooo... tá vendo? Aí que eu me confundo toda! E na minha cabeça eu só consigo ouvir a sua voz dizendo q eu sou uma patricinha escrota q não tem mais o que fazer e fica te enchendo com isso (2 p.s. aqui... 1- eu disse q eu era insegura... agora estou exemplificando... e 2- eu acho q no fundo eu concordo com vc)

Rafa, eu queria muito ser essa pessoa super madura q sabe lidar com as situações, mas a verdade é q não... e embora eu seja competente no meu trabalho em questões emocionais eu parei na adolescência (no início dela)....

Eu acho q já me estendi demais. Bom, era isso que eu queria q você soubesse como aflorei nesses anos. E queria saber q você sabe, pq de alguma maneira eu acho q vc não gosta de mim pq não sabe quem eu sou.

Bom, de qq maneira eu tenho um blog chamado Inefável Pereira. Tem umas outras cartas lá pra você se vc se interessar em ler...o meu blog é bastante eu... eu tipo q vomito lá há algum tempo.

Nany.







16 dezembro 2012

Cartas para Rafael: Sobre inseguranças e medos

Essa carta ia ser para você, mas chega. Já deu de você na minha mente!

Não porque vc seja chato, ou pq não te ame, mas eu estou me ponto em primeiro agora. E nesse primeiro de mim, eu quero heheheh

Eu voltei a sentir o indizível.

Assim, desde ontem estou me sentindo assim, meio sem valor, rejeitada. Ta sem vontade de ficar perto de nunguem, tudo q os outros fazem me machuca, magoa.
Nao é de ontem nao.,.. na verdade desde domingo passado eu to assim.
Algo me diz que esse estado de espirito esta ligado ao fato de eu nao me cuidar.

O que eu queria agora mesmo era sair com alguns amigos, não é pra fazer nada d+... mas que pudessemos sentar e conversar um pouco....

Essa falta que sinto na verdade e uma falta de muito tempo... um grupo que esteja sempre junto. Onde possamos ser abertos e conviver.

Essa é a maior falta que você me faz, Beans. Não só você, mas o Renan, a Cinthia, a galera de Paris.
Acho q é disso q eu mais gosto em viajar. Comunity.

Eu não posso negar quem sou, sabe... e eu sou essa pessoa insegura q tem necessidade de ouvir q está sendo aceita... q as pessoas ainda me amam e que está tudo bem... na minha cabeça eu sou essa pessoa bem resolvida q se o namorado fosse mega ocupado e tivesse de trabalhar muito eu ia aceitar bem pq é pro bem dele... e se nao pudessemos nos ver ou se ele quisesse ir ao show da banda do amigo dele e eu não quisesse ir pq e barulhento e tenho e acordar cedo no dia seguinte pra dar aula no centro eu ia ficar de boa, fazendo o que queria fazer e ele indo ao show... mas na prática eu nao sou essa pessoa... agindo eu sou essa pessoa insegura q quer ter o outro perto só pra ter certeza q ele esta aqui, ou melhor, q eu nao estou só.
Não sinto ciumes, não acho q ele vai pra lá pegar todas... juro q isso nem passa pela minha cabeça. A única coisa q sinto é esse abandono imenso.. e um impeto de romper logo com ele antes q ele rompa comigo. Porque eu nao vou aguentar ser rejeitada outra vez. Ou pior.. ser rejeitada aos poucos.. é isso é pior mesmo...
Aquela indiferença cotidiana, aquela anulação silenciosa q vai me consumindo e reafirmando a cada nova situação q eu nao sou ninguém importante. E quanto mais eu tento, mais eu me esforço, menos respostas positivas obtenho.. so vejo mais e mais q não sou nada.
Como uma senhora há muito já casada e ignorada pelo marido em suas necessidades, sentimentos e individualidade, é assim q me sinto.

02 dezembro 2012

Cartas para Rafael: à mim.

Eu quis destruir tudo. 
Eu ainda quero. 
...agora não é mais por você.   
meu exercício do perdoar.


Sobre tintas e nós.

Estou sentindo essa vontade de pintar... ela começou a me perturbar há algum tempo, e vem crescendo  Transcorrendo o percurso da constância da vontade já teorizada com a Dani.
a pintura me faz lembrar das coisas que deixei para trás... Quando penso na pintura si que a melhor parte é se sujar de tinta, mas que como parte de um mesmo corpo, o prazer da lambança vem acompanhado do esforço da maestria, da angústia do não saber. Aquele nó na garganta.

Estive fugindo da minha angústia e com isso deixei de construir castelos.


26 novembro 2012

Cartas para Rafael: Estreitando a amizade virtual

Sabe o que você estava falando sobre como não se abre com ninguém, mas quando está com uma pessoa, apaixonado, você despeja tudo nela?

Eu tipo que faço algo assim, mas não é bem assim... eu faço tipo. Eu estava pensando nisso enquanto conversávamos ali na cozinha (sim, os meus diálogos imaginários se estendem além papel)... eu faço o tipo indefesa atrapalhada. hehehe Chega a ser ridículo. A primeira coisa que eu finjo ser é atrapalhada do tipo que não consegue resolver as coisas, que se subir na cadeira pra trocar uma lâmpada vai cair.. HAHAHAHA Eu?! Por favor!

Aí eu fiquei pensando: já que eu sigo um padrão com relação aos homens (acho que não deveria estar perdendo o meu tempo escrevendo sobre isso, mas...), qual seria a correlação desse meu comportamento com o padrão de insegurança, baixa auto-estima, suscetibilidade à criticas que eles apresentam?

Se alguma conversa acontecesse de verdade você poderia vir a se perguntar por que eu decidi conversar com você assim... mas a verdade é que como as conversas ao vivo não ocorrem, eu sublimo. Sublimação é quando você não pode ter algo que quer e troca por outra coisa pra compensar a ausência, entendeu? (eu queria explicar o que é sublimação para você, meu amigo virtual)  

Ah!!! Boas notícias! Eu conheci alguém que parece com você, mas que não é você!! Olha que legal!!! Ele é mega inteligente, muito mesmo! E passamos algumas horas teorizando sobre a vida, a sociedade, relações de poder, de dependência. Muito legal! O problema é que ele faz parte de uma pesquisa que estou fazendo daí essas questões pessoais não podem ser postas em nossas pautas discussionais. 

Tô lendo Foucault também. Microfísica do Poder. Tá dando uma depressão! Quando eu começo a pensar no que o cara sabe e que tudo que ele sabe ainda tem muito mais coisa alí... nossa! Fico pequenininha! Mas de alguma maneira eu acho que aquilo não é suficiente... que existe uma maneira mais fácil de viver e saber o que é certo e o que é errado sem ter de ler e estudar tanto... e é ai que eu preocupei um pouco com você. Eu não disse nada quando você me falou não... mas é meio patológica essa sua história de ser o trabalho a sua vida e sua vida o seu trabalho... essa história de você respirar e dormir e comer esses estudos mega complexos que você faz... isso daí, oh! Isso não é de Deus não! hehehe

Eu consigo ouvir você dizer: "É, mas eu não acredito em Deus"

Eu sei! Foi uma brincadeira! O que eu quero dizer é que... na verdade isso é algo que descobri essa semana... o que a gente sabe é muito importante sim. Mas o que fazemos conta mais. E eu preocupo um pouco com o que você tá fazendo com você. A gente veio ao mundo pra ser feliz e espalhar essa felicidade por aí. (a vantagem de conversar com você virtualmente é que nesse momento eu tenho certeza que você me interromperia e daria um discurso mega racional sobre como é possível eu dizer que viemos para ser felizes quando estão acontecendo coisas mega absurdas aí fora e que eu - assim como a maioria das pessoas - nem fica sabendo, mas que você como militante-mega-engajado-que-vive-para-isso sabe e se revolta. E ia me olhar com esse olhar que eu super acho que diz: "patricinha estúpida". E eu ia calar a boca porque me incomoda muito ser ofendida pelo seu olhar, mesmo que dentro da minha cabeça. Eu realmente não tenho como competir com você em discussões racionais. Você é muito mais racional que eu e tem um mestrado e agora um doutorado em explicações racionais para as ilogicidades da vida. E bom, eu sou só uma designer meio doidinha que curte psicologia, mas que não tem nenhuma formação concreta na área. Acho que foi por isso que eu passei a não conseguir mais conversar com você pessoalmente... com o tempo esse olhar seu passou a me acompanhar nas minhas declarações.. e eu fiquei meio inibida de dizer o que eu penso pra você. Acho que foi por isso que eu fiquei muito feliz de saber que cê tá fazendo terapia! De repente você aprende mais sobre os assuntos que eu falo e a gente consegue se entender) 

Entendo que acabou, que só será possível discutir mesmo na minha cabeça... mas é que eu fico achando que sinto muita falta (o que não deve ser verdade por que geralmente quando eu acho que sinto algo, é o contrário.. e meu coração nem enche mais quando te vejo... as vezes penso que devia deixar isso pra lá, mas volta e meia eu não consigo).

Bom, por enquanto eu gosto de conversar contigo por aqui.... Rafa, será que algum dia e alguma vez é possível alguém perder todos esses achismos sobre a outra pessoa e começar a confiar outra vez? Tipo, eu tenho vários achismos sobre você e sobre quem eu acho que você é... será que algum dia eu consigo perder esses achismos pra ver quem você é no lugar de quem eu tenho visto que você é? Entende? Eu tipo que já te pré-julgo e vejo isso... um cara que ficou mega intolerante, que tá levando a vida na ponta da faca, que não consegue ver a beleza que a ignorância traz e que as vezes em maneiras simples, não muito floreadas, o conhecimento chega. É só saber interpretar. Você é muito inteligente, e culto, e acadêmico... mas tá quase um direitista de esquerda. Arrogante. 

Tem alguma coisa sobre meninas que eu acho que você precisa entender também, mas aí já é me meter demais.

Não estou dizendo que não tenho as minhas coisas para mudar não.. mas é que achei que deveria te dizer isso aí que "falei"...












19 novembro 2012

À infância.

Uma das minhas melhores lembranças no Recreio durante a minha infância é a copa das árvores balançando no vento fresco à noite.

Não foi com grande maestria que capturei esse momento, porém foi com imensa felicidade que voltei à mim. Pude encontrar a beleza assim no meio da rua enquanto passava.



08 novembro 2012

Cartas para Rafael: Compiladas.

Date: Sun, 28 Nov 2010 01:44:45 -0800
From: yyyyyyyyyy@yahoo.com.br
Subject: Rafa,
To: xxxxxxxxxx0@hotmail.com


 O que tá me matando é achar que nunca vou ouvir o que passa aí dentro.

Não sentir mais o coração ficar quentinho e transbordar quando te via.
Sentir seu corpo magro sendo esmagado por mim. E você meio sem jeito. De um jeito pela metade que é todo seu.

Foram os anos que passaram e eu não percebi que, na verdade, ser receptivo, e lembrar de tudo que foi dito não significam necessariamente conexão. Muito menos interação. Reciprocidade.

Não ter notado que quem ligava era eu. Quem procurava era eu. Que da sua parte já havia acabado há anos.

Um misto de traição e culpa. Por não ter ouvido de você o mal te fiz pra fazer você se afastar. E se não fiz nada, o que te deu o direito de tirar meu direito de me importar? E principalmente por não ter tido maturidade suficiente para perceber o que estava acontecendo e para onde estávamos caminhando.

Dor por pensar em você agora e meu coração ficar apertado.

Vergonha e raiva por não ter gritado o tanto que eu queria nem ter te socado até doer.

Tristeza e confusão. Por estar com o coração apertado e ferido e não ter conseguido chorar. Logo eu.

Mais tristeza ainda por achar que nunca vou conseguir saber.

Desolada por acreditar que não sou especial para você. Não mais.

Ansiedade por pensar que o que passa aí dentro não vai agradar meus ouvidos. Muito menos satisfazer meu ego.

Medo por ser isso ou não ser nada. E não ser nada.

Certeza de que todas as verdades são apenas velhos clichês. As mentiras é que conseguem, às vezes, ser originais. E que prefiro uma verdade/clichê que doa a uma mentira que mate. De que não será saboroso. Mas bom.

Estou com ódio por estar passando por tudo isso. Por estar escrevendo este e-mail. Por não conseguir meter a mão dentro da porra do peito e arrancar você sem tirar o meu coração junto.

Porque em verdade eu não quero. Eu não sou de morrer assim. De uma vez.  As coisas vão minguando. Diminuindo. Decepcionando. Até que um dia, quando eu vou procurar elas não estão mais lá.

Que os dias vão passar, e o buraco com o cofre que te leva vai afundando, afundando até eu olhar pra você e não sentir mais nada.

Eu confio. Infelizmente não mais na amizade. Mas no caráter. Na integridade que sei que estão contigo aonde quer que você vá. Então eu te peço que você diga o que tá passando aí dentro.

 Mesmo que você a tenha dito. Repita. Como um último gesto de amizade. Repita. Pois não to conseguindo seguir em frente. E não gostaria mesmo de deixar enterrar alguém que ainda está vivo.

Ouvir que você não queria ficar comigo doeu. Foi chato, mas tudo bem. Get over it.

O problema foram os sentimentos que vieram depois disso e que não tinham muito a ver com isso.

O problema foi hesitar em te dizer algo. Pra você!

O problema são as horas de sono que ainda não tive.

O problema foi não ter sido completamente honesta. E ter de enfrentar a honestidade ou, ainda pior, o silêncio alheio.

Eu não tenho mais confiança de que você não vai me magoar. Eu não sei mais em quem você se tornou, e nem se o que eu sinto é por você mesmo ou por alguém que já não existe mais.

Eu só queria a chance de enxergar. E o direito de decidir se vale a pena continuar sentindo ou se é melhor só lembrar. A chance de poder ajudar. Logo você que eu sempre gostei tanto. Logo você, que eu sempre gostei tanto.

Entendo que você queira e precise viver situações para se encontrar. Mas é que ta muito difícil de aceitar que pra isso eu e você não possa mais existir.

Eu sei que estou te pressionando. Mas não se preocupe, pois não se tornará uma constante entre nós.

E agora? Agora sim.

Abraço-te carinhosamente, com todo o amor e e parte da dor que há em mim.
Nany. 

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De: Rafael
Para: yyyyyyyyyy@yahoo.com.br
Enviadas: Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010 19:42
Assunto: RE: Rafa,

Nany, inicialmente desculpa a demora pra responder, mas preferi responder quando tivesse um pouco mais de tempo pra te responder.
Vc falou de tanta coisa diferente que fica difícil de responder tudo, mas vou ir falando o que eu sinto.
Eu queria te dizer que acho vc uma pessoa muito especial, não só por tudo o que vc é, mas o que vc representou pra mim como pessoa. Vc foi a primeira pessoa com quem me abri durante uma fase muito difícil que eu passava na vida, e que se aproximou de mim num momento que era mto difícil pra eu me aproximar. Vc foi uma pessoa que revelou um lado mais humano e pessoal que eu descobri a aprender que tenho, mas que eu deixava ou deixo guardados por mto tempo.
Eu não sei o que dizer por nunca ter correspondido da forma como vc pensava ou gostaria, mas eu sempre te vi como uma amiga muito especial, talvez a única que eu tive ou tenho, não sei.
Mas o jeito que eu tenho pra demonstrar amizade é muito estranho, por isso eu não ligava, e nem costumo ligar pros meus amigos, mesmo os mais próximos. Eu tenho uma imagem de amigo como aquela pessoa que vc encontra ou vai encontrando no decorrer da vida e em cada momento é como se fosse a primeira vez que a gente tivesse se encontrado. Como uma pessoa que por vezes viaja e volta pra conversar contigo.
Não sei se é uma imagem muito distorcida a de vínculo que eu tenho, mas é a forma com a qual eu lido com tudo isso. Como se também eu estivesse prestes a fazer uma viagem pra ficar muito tempo fora....
Eu não sei e acho que nunca vou saber retribuir o quão importante vc foi pra mim, e das coisas que eu aprendi com vc. Mas acho que esse tipo de amor da forma que vc sente não é o que eu sinto.
E não é algo que eu possa prometer sentir um dia. Eu hoje posso te afirmar que não amo ninguém dessa forma como estou tentando colocar. Eu te contei um pouco dos conflitos internos que eu venho tendo, e acho que vou continuar tendo por um bom tempo e que vão  me levar por caminhos pelos quais eu não sei. Mas posso te afirmar que é isso que eu sinto e tenho vontade de sentir hoje.
Eu sempre acho que fui meio contido pra falar as coisas que eu sinto, mas acho que a principal coisa que sempre contive foi meu olhar de mundo, e de novo foi pra vc a primeira pessoa que eu contei sobre aquilo que eu sentia e continuo sentindo.
Eu com certeza mudei desde que a gente se conheceu, e acho que vc também, e isso é natural. São mais de 6 anos que nos conhecemos, e ainda temos muito pra mudar.
Não sei o que hoje seria melhor pra lidar com isso, se talvez se afastar por um tempo ou não. Mas eu posso te dizer que ainda te vejo como amiga, e se vc estiver com vontade de conversar qualquer dia desses, pode contar comigo.
Um beijo enorme,
Rafael
  

Eu só queria continuar a ser sendo. Porém foi há tempos que entendi que nem sempre os momentos são iguais, aliás, são quase sempre diferentes.
E como amigos que fazem uma longa viagem e a cada momento que se encontram é como se fosse a primeira vez, te desejo toda a sorte do mundo na sua caminhada.
Esteja seguro que para sempre te levarei no meu coração.

Te abraço,
Nany. 

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Rio, 08/11/2012
15:48

E eu levei quase um ano pra conseguir chorar. Logo eu que choro até com comercial de margarina.
Quando eu fecho os olhos e penso que te pode acontecer alguma coisa nas suas lutas políticas e nos lugares muito perigosos que eu sei que você quer ir o meu coração aperta forte. Muito forte e eu quase morro.
É uma dor que nem a de quando a Jú se foi. É grande. E eu penso que não vou aguentar perder outra pessoa assim, outra vez. 
Mas quando penso na dor que sinto ao ver alguém que amo sofrer porque eu quero vivenciar experiências e mudar de país: eu sei que não posso te fazer sentir isso. O olhar deles só faz aumentar a minha dor de ir. E eu quero que você vá! Eu sei que é isso que vai te fazer completo.
Eu não quero ficar cavucando feridas antigas, porque sei que isso dói em você também, mesmo você sendo melhor do que eu escondendo.
Eu tentei ficar longe, sair... mas... é que eu sinto tanta falta de sentir o que eu sentia por você. Eu nem sei se é de você mesmo que eu sinto falta, mas com certeza daquele sentimento.
E eu queria muito sentir por outra pessoa, mas é tão difícil encontrar outra pessoa para sentir o que eu sentia por você. Eu procuro, eu juro que eu procuro, mas não tô achando. Alguém, que pareça com você, que aja como você, mas que não seja você!
E por mais auto-destrutiva que eu seja, eu não quero. Não quero que acabe eu e você. Eu quero que nasça. Mas talvez seja necessário que eu e você de antes morra para que eu e você de agora nasça.

Eu quero ter você comigo. Não o tempo todo. Eu não ligo pra isso, mas eu quero dentro do coração, pra isso eu ligo. Eu quero redescobrir quem é você... pra ver se é você mesmo quem eu não quero que morra, pra ver se é por você mesmo que eu seguraria a barra e a porta do elevador. 

Eu sinto tanta falta de sentir o que eu sentia. Eu sinto tanta falta de ter meu coração transbordando ao te ver. Ele enchia de verdade!

Eu não sentia sua falta quando não te via, não... era tipo normal... e eu falava pras pessoas de você com orgulho!
Mas quando eu te via... eu sempre me surpreendia em como era possível eu sentir tanto a sua falta e estar TÃO feliz de te ver.

Naquele dia na praia eu vi que tinha acabado. E eu que não tinha percebido isso. Eu não quero falar de como você sempre foi cavalheiro e me trouxe até em casa e não faz mais. Eu acho que eu mereço você não mais me trazer. Eu não soube valorizar quando você fazia, é justo que tenha perdido.

Eu lembro de uma vez que você quis pagar o cinema pra mim. heheheh Foi lá no NY. Eu nem lembro se deixei ou não você pagar. Se bem que do jeito que eu sou, devo ter mandado você tomar no cú e pago a minha entrada. hehehehehe, mas isso é pq eu me faço de durona. No fundo eu fiquei meio sem jeito porque foi a primeira vez que... eu queria dizer que achei você fofo, mas não foi isso. Foi a primeira vez que senti meio boba perto de você e fiquei com um sorriso permanente na cara depois disso. Ainda tenho essa cena que passa como um curta de alguns segundos na minha cabeça! E sabe quando você fixa o olhar no nada e dá um risinho? É assim que eu fico! hehehe 

Sou dessas pessoas que lembra... e agora que tenho carro e você não, faço questão de te buscar e levar em casa. Isso vai um pouco de encontro ao cavalheirismo. O meu pai diz que quem tem de pagar a conta e trazer em casa é o homem e tal... eu discordava dele mas agora eu tô tipo que concordando... aparentemente os homens não valorizam muito as mulheres que não valorizam o cavalheirismo. Mas como é que vou te deixar caminhando de noite na chuva pra casa? Não posso! Não tá certo!

Ah! Deixa isso pra lá! Tanto faz mesmo! O cavalheirismo só se aplica para homens e mulheres que relacionam-se amorosamente e bom... não é o nosso caso.

Na verdade não tem nem caso nenhum... eu tô conversando com você mas só na minha cabeça... essa conversa nunca existiu. E de repente é melhor não existir mesmo... não quero ficar cutucando assuntos que já passaram. Por mais que todas as vezes que eu te encontre acabe tocando nesse assunto; disso que aconteceu.
Eu juro que tento não te encontrar! Mas eu me saboto! E quando vejo já estou te ligando e aí você atende e você sempre pode encontrar e ajudar e ai eu vou.. e é sempre tão legal (excluindo a parte que eu fico te atacando por debaixo dos panos, foi mal é um desvio de caráter. Uma reação quando me sinto insegura. Ei! Ninguém é perfeito! Você esperava o quê?) Mas pra não te atacar mais eu preciso que você morra. Não morrer, morrer. Mas que o velho Rafa morra pra que outro possa nascer.

Pra que eu possa te reconhecer. Mas já vou avisando que não sou dessas pessoas que vão se abrindo assim tão fácil não! Eu sou devagar... caso você ainda se interesse de ser meu amigo, é claro. Meu amigo imaginário na minha conversa imaginária. 

Putz! Eu tenho que parar com essa mania de escrever no blog no lugar de falar com as pessoas!

Mas vou dizer: eu acho até bom... evita uns desgastes. E no final eu acabo resolvendo uma coisa ou outra!
Ah! Mal ai pelo drama... mas cara é punk... todas as vezes que escrevo chorando sai um pouco melodramático!

Um abraço, forte!









  

04 novembro 2012

A ser recitado...


Linda poesia. Música terrível.

Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete,
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar.
Ser feliz é tudo que se quer!
Ah! Esse maldito fecheclair!...
De repente, a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar.
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo.
Tudo que vier, vem bem.
Quando bebo perco o juízo.
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém.
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume,
Faz que tenta se matar.
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura
Em carne e osso
Deixa marcas no pescoço.
Faz a gente levitar.
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Que o mais lindo dos mortais.
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou.

02 novembro 2012

Noticias de uma guerra particular.

Gostaria mesmo de pedir uma atenção especial para as reações (46:50) do rapaz que faz parte do movimento e do policial, capitão do BOPE, ao responderem à pergunta da jornalista sobre como eles se sentem ao matar.


30 outubro 2012

Cartas para Rafael: 3 (?)

... e por que isso agora?

Bandido Bom é Bandido Morto.


- Dum!Dum!Dum!Dum!
Um dos tiros acertou a cabeça de Binha, que caiu de bruços com o rosto sobre a marmita de comida. Teve morte instantânea.
[...]
Todos correram em direção ao beco que levava à área dos barrancos, menos Nein, o primeiro a ser ferido. [...] O Águia voava em círculos para o vento das hélices abrir espaço entre as folhas das árvores e facilitar a perseguição.[...] Tentou fugir pelo meio do campo. Não era dos mais velozes, mas escapou de vários tiros. Correu em ziguezague, tentando se esquivar dos disparos que levantavam pontos de poeira cada vez mais perto dele. 
Ele conseguiu escapar do Tortinho. Mas, em seguida, foi atingido por um tiro de fuzil na perna, quando corria em direção à casa da sogra, onde estavam a sua mulher e a filha. Elas viram quando ele passou pela frente da casa arrastando uma das pernas, sempre perseguido pelo helicóptero que continuava a disparar de lá de cima.
[...] Bastante machucado e sujo de sangue, parou em frente ao barraco da endolação. Bateu na porta, bateu na janela, mas nenhum dos amigos estava lá dentro.
Outros tiros acertaram Nein quando ele estava quase chegando no ponto de venda de drogas. [...] no meio da praça Raimundinho, onde Nein acabou de ser fuzilado.
[...] Poucos conseguiram ver o momento em que o Águia levantou vôo da praça, levando o corpo [...] do adolescente de 15 anos pendurado pelo cabo de aço.

26 outubro 2012

Praia

Praia é um negócio estranho, na verdade a faixa branca de areia e as ondas quebrando na beirada da imensidão azul é de inefável beleza, é naquilo que a praia foi transformada que eu acho estranho.

Uma vez ouvi uma senhora comparar as pessoas na praia ao churrasco: molha-se um pouco no sal, torra de um lado, depois do outro, mais um pouco de sal, torrando mais um pouco. Se quiser passa no molho a campanha, buzunta de farofa e pronto. 

Tem criança correndo sob a melodia do "coca, água, skol". Biquínis minúsculos enterrados na cratera mor de bundas lunáticas. A cratera é grande, bem o sei, contudo ela não dá conta das ondas. Então a cada onda, começa uma busca implacável na qual duas mãos não são suficientes para manter no lugar linhas, que não seguram nem pensamento, quiçá tetas. E assim charmosas elas saem se ajeitando sob os olhares das bermudas de tectel com suas faixas de cuecas azuis, brancas e que Deus nos proteja das vermelhas! A gente reza para não ser aquela zorba enrrugadinha em cima. Sabe aquela do comercial do pintinho amarelo que saía de dentro dela. Lembra disso? Sinceramente não sei o que é pior: o enrrugadinho ou o a idéia do pinto saindo do pinto. Na sequência, o surfista dá uma corridinha até o mar com sua sensual tattoo coberta com uma camada espessa de pasta d´água, formando um borrão branco num fundo marrom. Resta-nos apenas concluir o óbvio: Malevich é um idiota. Para quê branco sobre branco se o marrom de fundo é o que há? Desfila-se na PRAIA com isso, estão todos usando. É uma tendência nacional.

E como se não fosse suficiente, quando chega à praia a cidadã trajando vestimenta apropriada para o confronto com as marés, calçando sapatos fechados nas laterais para proteger da invasão de areia quente que inevitavelmente ocorre na utilização das sandálias da marca líder, portando acessório protetor de cabeça (à prova d´água e ondas) e filtro solar FPS 110 - uma camada do FPS 50 mais outra de FPS 60 -, senta-se em uma cadeira forrada por uma tolha grossa, debaixo do guarda-sol, é vista com estranheza. São 17,9 milhões de Km² abertos bem em cima de nossas cabeças e ela que é estranha. Não a lua de fio dental, não a zorba enrrugadinha rolando de um lado para o outro na grelha ao ar livre. Não, não, nenhum deles merece nossa atenção. É para aquela alí, a de maiô, que a gente vai olhar.


25 outubro 2012

Banho de salão

Estava hoje no bazar do centro conversando com as meninas que frequentam a casa e fazem os estudos comigo. Elas falavam sobre como é complicado encontrar roupas para gordos - tamanho 54, etc -, que as roupas são caras, coisa e tal. Uma delas dizia que recentemente estivera no hospital com seu marido e quando saiu sentiu que precisava de um banho de salão, uma prática comum entre as mulheres que para sentir-se bem, vão ao salão de beleza, pintam o cabelo, fazem a unha, depilação. Ela teve uma reação alérgica ao esmalte e por isso não podia usar cordão no pescoço. O que ela disse foi:

- Porque já não besta estar velha e gorda, com o cabelo branco e essa cara de hospital ainda não posso nem usar algum penduricalho que me melhore um pouquinho.

Elas divagaram então sobre como na juventude - as meninas estão todas na faixa dos 55 - 60 anos - só saiam de rimel, blush, salto, brincos e pulseiras. Com o passar do tempo perderam o interesse por essas coisas. Envelheceram.

Achei isso muito interessante, pois quanto mais envelheço, mais sinto vontade de usar essas coisas, rimel, blush, brincos. Que caminho no sentido inverso das que adornavam demasiado. 
Penso que minha vontade de auto prazimento está diretamente ligada à melhora na minha convivência comigo mesma, quanto mais bem lido comigo mesma mais vontade tenho de adornar-me.

É bem provável que tenha sido isso mesmo que aconteceu com elas ao longo da vida. Elas se desentenderam.

21 outubro 2012

Lágrimas furtivas

Fomos olhar um carro hoje. Com 10 minutos de conversa o proprietário tinha os olhos mareados, a lágrima transbordava e ele chorava. 

Não sei o que foi pior: vê-lo chorar ou chorar também.

18 outubro 2012

Diálogos com uma psicóloga imaginária.



- Eu tenho essas vozes na minha cabeça...
- E o que você acha que é?
- Eu não sei... Ainda vou pensar sobre isso. Na verdade, não me importo muito com o que é... mas o que isso faz. Isso tira a minha paz. É uma ruminação louca de pensamentos e lembranças que não me fazem chegar a qualquer conclusão, só tiram a minha energia e ocupam a minha mente. São discussões, ponderações sobre algo que ouvi. São conversas que tive e as imagens e falas ficam repetindo na minha mente como um filme que vai e volta, quando termina, recomeça e depois corta para uma parte no meio e volta para o início. E essas conversas acontecem debaixo da minha mente, como se estivéssemos tendo essa conversa agora e, como uma música de fundo esses filme passasse. E passa tão rápido e constante que não identifico o seu conteúdo, mas no fim, sinto-me exausta por ter usado minha fala e pensamento em dobro: com você e no filme de fundo. 
- Você já conseguiu identificar alguma vez o conteúdo desses pensamentos?
- Essa semana foi o encontro com o Rafa na quinta passada e 10 bilhões de outras coisas que não tem qualquer relevância, entre fatos e hipóteses. Tudo misturado. Tento me lembrar do que exatamente acordei essa manhã pensando, para ser mais exata fui acordada por esses pensamentos, eles vão aumentando de volume na minha cabeça até que se torna impossível permanecer na cama. Já levanto exausta.
- E por que você acha que tem vozes o tempo todo na sua cabeça?
- Não sei... mas me vem algo como eu ter de estar sempre fazendo alguma coisa. Quando tudo o que eu podia fazer fora feito, mas mesmo assim não consigo parar de tentar. Sempre acho que tem algo a mais que eu podia ter feito e não fiz.
- E o que na conversa que você teve com o Rafa, você podia ter feito e não fez?
-Tê-lo convencido a me amar. 
- Você acha que pode convencer alguém a te amar?
- Não, não acho. Mas tampouco consigo aceitar que ele não me ame e deseje como eu gostaria.
- E por que você quer que ele te ame e deseje?
- Quero acabar com isso logo. Quero ser feliz de uma vez. Ter minha família, meu trabalho, minha vida. 
- E você acha que vai conseguir isso se ele te amar?
- Não, tenho de conseguir sozinha. Ele me amar ou não, não me exime das minhas responsabilidades. E mesmo se ele o fizesse, mesmo que ele me desse de bandeja família, trabalho e vida eu rejeitaria.  Por que me saboto então pensando nele e que ele me amar resolveria quando sei que não resolveria nada?
- Por quê?
- Eu tenho medo de mim. 
- Medo de você?
- É. As pessoas dizem tantos impropérios, né? Já ouvi coisas tão absurdas. Como quando esse ano tive uma crise nervosa e fiquei sem dormir uma noite inteira. Eu vinha tendo dificuldades para dormir há alguns meses, mas aquela noite foi o ápice da minha insônia, e às 5 da manhã minha mãe acordou e me viu varrendo o quarto – meu quarto tinha passado por uma reforma e havia 2 ou 3 semanas que não era limpo, então decidi limpar para ter o que fazer já que não dormia – e minha mãe insinuou que eu cheirava cocaína e que era por isso que não conseguia dormir. Essa declaração entrou como um punhal no meu peito. Que ela não saiba que eu só vi cocaína uma vez na minha vida, quando estava em um bar e saí para falar ao telefone, e vi do outro lado da rua dois homens cheirando. Que ela não saiba que entrei em pânico, que petrifiquei e assim que consegui pensar novamente, corri para o bar e fui embora para casa. Tudo bem, eu entendo. Mas como ela, minha mãe, que convive comigo todos os dias, que teoricamente conhece meu caráter, meus hábitos, que tornou a minha adolescência um inferno, me afastou dos meus amigos porque eles fumavam maconha, me entupiu de culpa até o ânus para que eu nunca – nunca – usasse qualquer tipo de entorpecente. Ela que me viu indo para psicóloga toda semana nos últimos 7 anos para tentar organizar a bagunça que sempre foi a minha cabeça e tentar não botar uma bala nela ou tomar alguma substância – lícita ou não -  que me desligasse por um minuto que fosse. Como que essa louca! tem a coragem de insinuar uma coisa dessas? Não é possível! Tem olhos e não vê! Não sabe mesmo quem é sua filha! Ou quando, no fim de um relacionamento, adotei um gato de rua e meu então parceiro disse que eu já podia terminar com ele, pois tinha o gato agora para transar. De boa, qual é a pessoa que pensa uma coisa dessas? E, por favor, quais são os mecanismos internos que permitem sua boca articular tamanha asneira? Vou mais fundo: como alguém pode ser tão sujo internamente ao ponto de cultivar algo assim? Como?  Tenho outra muito boa também! Viajávamos juntos eu, uma amiga lésbica, sua filha, um ficante meu. Em algum ponto da viagem ele me disse: “Mas não tem uma pessoa aqui que não pense que vocês [eu e minha amiga] já ficaram!”. Minha cara de “ahn?” e, bom... existe algo que possa ser dito depois de ouvir isso? Eu não consigo pensar em nada! O... cidadão, tinha uma verruga no pênis.  Eu havia feito sexo oral nele umas duas vezes antes de efetivamente ver sua genitália. Quando vi tomei um susto! Senti um nojo daquilo! Imediatamente pensei que era um câncer, DST, sei lá, e perguntei se ele já havia levada para algum médico ver e dizer se era maligno, sei lá! Falei que era grosseiro e tinha um aspecto muito particular, a frase foi: “Cara, sei lá, vai ver essa parada, porque além de feio é nojento e pode ser um câncer!”, ao que ele me respondeu “É, mas você adorou enquanto meteu a boca aí.”. Eu queria ter dito a verdade, que eu não curti tanto assim não, que aproveito mais quando a genitália é... Como posso dizer? Gigantesca e grossa, e que aí sim eu me lambuzo. Que na verdade optei por essa expressão de prazer a dois porque ele tinha um problema nas costas, ele sentia muita dor e brochava. Contudo, não queria ofender, ao que respondi com um risinho, “É, mas tava escuro!”. Sei que não tenho muito tato ao falar, principalmente de coisas tão delicadas como a impotência fálica alheia. E é aí que tenho medo de mim, hoje me arrependo um pouco de não ter dito o que penso, mas aí me lembro de como me sinto quando escuto esse tipo de impropérios e não queria causar o mesmo constrangimento às outras pessoas, aquele velho “Não faça com os outros o que não queria que fizessem com você”, que vou me igualar, etc, etc. A culpa me domina e eu escrevo no lugar de falar, mas os pensamentos continuam como um filme no backgound a me perturbar. Ao mesmo tempo penso que escolho me ofender, que me falta um pouco mais de confiança para afirmar o óbvio: morro de medo de me viciar em drogas, jamais contrairia coito com um animal e que a sexualidade dos meus amigos não interfere na minha. E que se tivesse essa confiança esse tipo de coisa passaria por mim sem ferir. E que é uma escolha deles se ofender também e eu, bom, não tenho nada a ver com isso. Mas eles revertem o jogo e eu me deixo levar, o que mais lembro dos 2 meses em que eu e o Fabrício, o da verruga, passamos juntos é a respeito de suas críticas à minha candura, ao fato de falar o que pensava e que não podia ser assim, que era errado e dele me xingando enquanto eu tentava desligar o telefone.  Agressividade e xingamentos me penetram como um tiro de 762 numa folha de papel. 

15 outubro 2012

Achismos

Eu sempre tive medo de me apaixonar porque achava que se me apaixonasse, ficaria burra, cometeria os maiores impropérios e me diria amando. Deixaria meus valores de lado e daria um jeitinho de engambelar minha psique para justificar a presença do meu "amor" e as atitudes equivocadas que cometeriamos juntos. Justificaria o mal caratismo do meu amante com um infância difícil. Passaria uma camada de verniz nas agressões físicas para manter meu objeto de desejo perto. Não aceitaria palpites que não estivessem em concordância com minhas atitudes destrutivas.

Bom, não foi bem assim que aconteceu... Sim, eu me apaixonei. De um jeito torto e fulminante eu era caidinha por ele! 

Um dia descobri que sua história pessoal era muito estranha. Nada se encaixava. História cheia de explicações voluptuosas, porém nada consistentes. Descobri também que não estava mais conseguindo fazer um bom julgamento da situação e, quando pensei que seria prepotente e não permitiria a interferência de quem quer que fosse, chamei pessoas de minha confiança que julgaram por mim. E quando achei que cederia meus valores e faria de tudo para justificar nossa permanência juntos, o deixei. Quebrei em mil naquele dia, levei 2 anos para juntar os cacos e agi exatamente como achei que deveria. Meus valores e crenças vigoraram plenamente, inclusive os que se referem à mágoa e como ela é destrutiva para nós mesmos e que por isso devemos perdoar. E perdoei.

Eu pensava que era fraca, mas na verdade só dou pouco crédito a quem sou.

E esse pouco crédito que me dou é que faz com que eu tenha tanto medo de pegar grandes responsabilidades, como aquela máxima que diz: "Se você quer conhecer o verdadeiro caráter de um homem, dê-lhe poder." No fundo acho que vou me corromper, embora não haja um histórico que comprove isso.

Interessante: Nada no meu backgound aponta para o desvio de caráter. Nenhuma das minhas atitudes me aproxima daqueles que acreditam que o dinheiro tem o poder de pô-los acima da lei e das pessoas. Não encontro em minhas atitudes a soberba dos que segragam pelo português, pela cor ou logadouro. Talvez seja apenas uma questão de humildade, de me enxergar como realmente sou.

Lembro-me de uma peça de teatro na qual minha mãe trabalhava, onde os atores em uníssono perguntavam: "Em que esquina ficou perdida a minha face?"

A Dani no sábado me perguntou porque mudo com as pessoas, se acho que quem sou é ruim e por isso preciso esconder-me. E em seguida ela disse: "Porque entre as duas Nanys eu prefiro mil vezes essa que está aqui comigo agora!" 

Eu fiquei meio quieta quando ela me disse isso, nem sei se aquieci por fora, mas por dentro o fiz. Eu realmente penso que quem acho que sou é tão feio, que precisa ser mascarado. Observe que disse: "quem acho que sou"... mas quem acho que sou não é quem sou. Eu acho que sou aquela pessoa de lá do início. 

... (rs) achismos.











13 outubro 2012

Ó Pedaço de Mim!

Há 02 metades de mim. Há essa metade que quer entender como as coisas funcionam, essa metade que quer ter um PhD. Por quê? Nem eu sei! Teria de perguntar para ela, mas ela é uma metade calada e risonha, todas as vezes que pergunto algo, ela calada se ri. E há essa outra metade de mim: faladeira, extrovertida, adora dar ordens, guiar as pessoas pelos caminhos que devem seguir. Essa metade de mim é o touro que me puxa quando eu caio e não quero levantar. É um furacão cheio de força e vitalidade. Essa outra metade gosta de porpurina, ação. A minha outra metade de reclusão, mas não é dessa metade que eu quero falar. Quero falar da minha metade prática, que precisa tomar uma decisão. Minha metade prática precisa trabalhar. Precisa de dinheiro. Mas como a minha outra metade exerce grande influência nessa minha metade, ela quer dinheiro, mas não pode ser qualquer dinheiro, quero dizer... o dinheiro pode ser qualquer um... dinheiro é dinheiro. A forma de ganhar que é importante. Ela quer trabalhar com design de interiores mesmo! Ela quer ver como é que é... criar... trabalhar com isso. E depois organizar.. e mandar! Ela gosta disso! Ou acha que gosta! Vamos ver como fica quando experimentar de verdade! Ela já tipo que sente que vive essa loucura das pessoas que não param quietas, ela está querendo viver isso mais completamente.

Estou tentando não pensar nas minhas dúvidas. Pensar nelas faz com que elas cresçam, percebi isso esses dias!  

Vamos pensar nas certezas: PhD, se possível dividir o que aprendeu com alguém que queira ouvir. Criar, uma casa e alguma paz.

Listo!

12 outubro 2012

Quando mentir é preciso

Ontem fui assistir à uma aula do Rafa em Niterói. Tive boas idéias ao longo de sua explanação:

Quero entender os acordos não ditos. O porque que o tempo todo é dito de forma indireta (acordos não ditos) o que podemos ou não fazer o que devemos ou não fazer. Quero descobrir onde aquilo que eu acredito que deveria ser entra em choque com aquilo que me é dito de forma não verbal que deve ser. Quero saber se estou ou não sozinha nisso? Será que alguém mais passa por esse conflito? Existe mais gente aí querendo aflorar e sente-se tolido desde a terna infância? (Instituições que forjam caráter e comportamento: Escolas, universidades, prisões)

Foucault estuda e fala sobre como tudo começou. A loucura foi produzida num momento histórico em que era interessante deslocar quem destoava e concentrar-los longe. (ler Foucault). O que mais foi produzido com objetivos não ditos?

Confesso que desprezava um pouco esse estudo da sociedade, mas ontem vi que movimentos coletivos ajudam a explicar a sistemática da sustentação dos processos doentios individuais.

Quero criticar os que falam difícil (lutar internamente para não passar a falar difícil com o tempo). O estudo científico fica preso ao campo acadêmico."Vocês falam muito difícil!" Será que consigo falar mais fácil? Sim, consigo. Só entendo quando é simples. 

O que preciso para conseguir isso? O que preciso para realizar o que quando criança já havia traçado como meta: Poliglota e PHD? (Poliglota: check!)

Sim, saber muito, mas saber muito de quê? Quero entender como as coisas funcionam e porque nos é tão difícil aflorar e seguir o que a vozinha diz. Quero saber como é que a banda toca, para tentar minimamente  mudar esse soneto.

Como "devemos ser a mudança que queremos ver", a primeira cobaia do meu estudo sou eu. Preciso entender como as coisas funcionam... não, não... preciso aflorar... pensar depois... organizar só no mestrado.

Mas não quero que seja doloroso.. acho que penoso é a palavra mais adequada. Como as línguas, quero que flua naturalmente. "É só não ter pressa", ela me diz. 

É um projeto de vida, bem o sei. Um projeto de vida que já começou. 

Não patinarei sobre o fino gelo das minhas inseguranças. Tão pouco explanarei sobre minhas incapacidades. A meta está traçada. A missão vai ser cumprida (lembro do funk, não consigo me conter: sorrio).

Mandela me ensinou que sou o mestre do meu destino / a capitã da minha alma. Ontem aprendi com ele a "dar la cara". A coragem pode ser forjada: pode ser mentida, num momento de medo, e pode também ser construída pela repetição desta mentira... ou acabamos apenas mentindo por uma vida toda. Como isso vai ser feito não me importa mais. Nasci frouxa. Cresci mole. Resta-me somente a dissimulação. 

I'm the captain of my fate
I'm the master of  my soul.

03 outubro 2012

Isso também vai passar.

- E aí filha, ainda dói?
- Não muito... na verdade dói pouco, mas eu fico pensando que ainda não passou, que não parou de doer em absoluto. Pronto. Nunca mais. E aí dói.

...e veja você que nunca mais é só até a próxima vez. ´Nunca mais´ é esse espaço de tempo entre um remédio e outro. Não dá para pensar em quando não vai mais doer em absoluto. Não dói agora. Dói depois. Mas isso também vai passar.

27 setembro 2012

Cão sarnento

Há homens que dividem as mulheres entre as que servem para ficar e as que servirão para casar. 
Assim passam o tempo: a ficar. 
Então, um dia, como era de se esperar, encontram uma mulher para casar. 
Dedicam-se, e verdadeiramente esforçam-se para a ela agradar. 
Contudo, esquecem-se que a vida toda imprimiram em seus caracteres a podridão de um presente de coisificação.
Ora, rapazes! Não sejais ingênuos! Não muda-se quem se é, só porque ela é linda, inteligente e rica: um ótimo cartão de visita, bem o digo!
Vivestes na fartura das mãos que passeiam pelas curvas de corpos inabitados. 
Deliciastes-vos na personificação das capas de revistas e marcas de biquíni.
Agora suma, cão!
Já ganhastes a vossa recompensa.

  

Bis II

Não queria sentir o que sentiu, novamente.

O coração despedaçando-se em mil, as pernas ruindo enquanto descia ao encontro do chão.

Não queria sentir o que sentiu, novamente. Evitou o máximo que pode. Fugiu. Escondeu-se... mas no final sentiu o que sentira, novamente.

Descobriu que não há remédio, não há como se proteger. 

Que respire e tenha coragem então de, antes de sentir o que não quer sentir, novamente, sentir o que quer sentir, novamente. E quando o coração despedaçar-se, as pernas ruírem e o chão encontrar, lembrar-se de que de qualquer maneira alí estaria. Mas, contudo e porém desta vez, sentiu o quer queria sentir. Novamente.  

26 setembro 2012

Bis


Queria sentir o que sentiu, novamente.
Queria ficar boba, fazer algo estúpido... e foi aí que o beijou.
Fez sem pensar. Não raciocinou. Não cogitou. Não mediu. Viveu.

E agora esse filme fica passando na minha cabeça, como se tivesse sido eu quem o protagonizara. Os raios rosa claro que emanavam de sua aura. Aquele segundo em que não sabia-se o que fazer com as mãos... Seu lábio... e o meu.

É claro, a mente estúpida prega-me peças e tira-me a coragem, mas minha mente estúpida e suas peças esvanecem, quando fecho os olhos e sinto o que senti.

Queria sentir o que sentiu, novamente. Sentiu. E quero sentir o que senti, novamente.

23 julho 2012

Quando entrei em pânico

Rolou um pânico ainda há pouco. Sinto que estou no limiar entre o transtorno do pânico e a sanidade. Sinto nitidamente ele vindo, mas dessa vez consegui desviar. Será que um dia ele me acerta em cheio?


Estou sozinha. Estou sozinha nesse apartamento sem jardim. Estou sozinha. Estou sozinha em Paris.


O medo ia crescendo cada vez mais, sem perceber já havia comido e comprado mais do que devia e com o retorno à casa o pânico só fez aumentar.


Sozinha. Sozinha. Sozinha.


Como se isso fosse algum tipo de maldição. Na verdade foi uma maldição.


Cenário: Sala de cinema do Colégio Afonso Celso, 75 anos de existência.
Ano: 2003
Contexto: Filme Vidas Secas.


O Charada (um que estudava comigo), segura na minha mão e enquanto a acaricia diz: "Você vai morrer sozinha. Vai morrer sem ninguém. Você não dá valor a mim que te amo, então eu te digo, você vai ficar sozinha, sem ninguém."




Não chorei na frente dele, é claro. Chorei no banheiro. Sozinha.




Tem quase 10 anos isso. E ainda me assombra. Não pelo que ele disse, mas porque tem-se revelado verdade. Tenho certeza que é porque interiorizei o que ele disse e passei a provocar a minha própria solidão, mas o objeto em discussão não é esse. O objeto em questão é meu pânico, ou melhor, o que tirei dele.


- Por quê? Qual é o problema de ficar sozinha?
- Porque parece um estado permanente, parece que se eu ficar sozinha um minuto que seja, é isso! Maus pais vão morrer, eu nunca vou encontrar um marido que me ame e eu ame também, não vou ter filhos, nunca vou conseguir um emprego, não vou me realizar profissionalmente, vou ter vivido em vão! Não vou deixar marcar, legado, herança. Nada! Uma existência inteira desperdiçada comigo!


O interessante disso tudo, é que quando meu pânico passa, e continuo só, é um prazer imenso. Sempre arrumo o que fazer: consigo desfrutar de um bom livro, tomo um bom banho, brinco de me maquiar, arrumo armários, roupas, objetos, volto a criar historinhas. E, de repente, não existe Pai, Mãe, marido. Existo eu. E o prazer da minha própria companhia. Produzo textos, desenhos, comidas.


Meu psiquiatra disse que não tenho nenhum problema psiquiátrico, mas sim um problema de estruturação de pensamento, que é muito rígido, que cria regras e regras e explicações e rótulos, e quando tenta entrar neles adoece. Ele disse basicamente que tenho de relaxar.


Bom, vou olhar em outra direção que não a da minha mala desarrumada e caçar o que fazer. Sozinha.





07 julho 2012

Clone

Olhou no espelho, mas não se reconhece mais. É alguém como ela, mas não é ela. São os mesmos olhos, mas diferentes olhares, a mesma boca, mas palavras distintas. As sobrancelhas são iguaizinhas, iguaizinhas, mas levantam de outra maneira.

Não é mais a mesma. Essa pensa em ser médica, mesmo não gostando de sangue e órgãos internos expostos.

- Mas isso não tem a menor lógica!

Não. Não tem, mas aqui não mais mora um ser racional.


02 julho 2012

À que me olha do espelho

Olá Psicóloga Imaginária,

Sabe que a melhor coisa de conversar com você é que como não pago, posso consultá-la mais de uma vez na semana, na hora que sentir necessidade. Então, muito obrigada Psicóloga Imaginária por existir dentro de mim.


Tá vendo essas donas aí em cima? Eu não sou como elas. Não tenho essa delicadeza rebelde, esse olhar doce numa casca dura, esse jeito de quem não tá nem aí. Bom, numa análise mais profunda talvez eu tenha. Engraçado que comecei esse texto me sentindo mal por não ser como essas mulheres de tatuagens sensuais, mas agora já estou achando que talvez esse seja um esteriótipo e que eu atenda a isso em essência.

Uma essência muito esquisita... não tão essencial. 

Um professor no pré-vestibular sempre dizia o seguinte: "Eu não sou gay, só fui criado por avó" todas as vezes que alguém mexia com ele por conta do seu jeito delicado de ser.

Hoje eu estava andando e esse pensamento me invadiu: "Eu não sou lésbica, só fui criada para resolver" e com isso, troco lâmpadas, furo paredes, monto móveis, reboco carros, instalo chuveiros, pinto paredes, camas, cadeiras, vou uma vez no lugar e sei como voltar e não ando de salto. 

Ouvi uma vez dizer que o salto foi inventado para dificultar o caminhar das mulheres e assim impedi-las de fugir. Não sei assegurar a veracidade dessa informação, mas posso dizer que quando estou de salto não consigo nem mesmo andar direito, que dirá correr.

Acontece também que fui educada para ver o lado prático das coisas, se vou mexer com tinta na segunda, vale mesmo a pena gastar 1 hora e vinte reais fazendo a unha na sexta? Essa linha de raciocínio me impede de ter um secador de cabelos queimando meu coro cabeludo para "ficar mais bonita". Ponho esse ficar mais bonita entre aspas porque o conceito de beleza e relativo e variante. Relativo porque depende de cada um de nós achar ou não algo belo e variante porque o padrão de beleza carioca pode até ser de mulheres com cintura fina, seios e nádegas grandes, pernas torneadas. Contudo na Mauritânia, o padrão de beleza é o da mulher divorciada, gorda com estrias. Vai entender?

Na verdade tem uma explicação para isso, é porque os índices de portadores de HIV lá é muito grande, então, se você é uma mulher que passou muito tempo com o mesmo parceiro, e tem um corpo pouco desejável por assim dizer, as chances de ser portadora do vírus é menor, o que a torna um partidão.  

Bom, não estou na Mauritânia, e tão pouco tenho cintura fina e nádegas fartas, na verdade nas costas sou bem reta. Herança genética do lado de mamãe.

Minha questão é: acho que não atendo a padrão algum de beleza.  Não atendo ao metrossexual em busca de sua parceira torneada, nem tampouco ao skatista de camisa quadriculada. Acho que estou em uma espécie de limbo estético.

Essa é a primeira vez que estou tentando avaliar minha aparência como alguém de fora. Exercício difícil esse: deixar de lado o que penso que sou e ver o que sou realmente. O que penso que sou não vai me ajudar em nada, já deu provas que não condiz com a realidade e essa miopia só tem prejudicado a confecção do meu relatório final, tão necessário para a continuidade da minha vida.

Então tentemos o que eu realmente vejo: Olhos castanhos, do tipo claro com aquele anel mais escuro na parte mais externa do olho, cabelos curtos, acima dos ombros, sardinhas, rosto quadrado, meio baixinha, ombros largos, cintura larga.

É, fudeu, não dá. Deixa eu tentar descrever como eu me sinto com relação à que me olha do espelho:

Ela não precisa falar para dizer as coisas que realmente importam, anda pela rua tão entretida nos seus próprios pensamentos que as vezes nem sabe como chegou, imaginar é um prazer, o mundo é mais divertido na sua cabeça. Quando ama de verdade nem fala, só faz. É ruim de conquistar, ela é meio pouco a pouco, quando vê a pessoa tá ali, e ela tem sentimentos mais fortes que acreditava ter. Fica brigona só quando deixa de lado quem é para atender a pedidos alheios, mas no resto é firme, sabe o que quer. E o que ela quer ela quer e ponto. Não vai te desrespeitar, mas também não vai mudar. É altamente provável que tenha vezes que está errada, e escuta isso. Parece que ela nem ligou, mas tá sempre ouvindo, mas não é de fazer promessas, se tiver de mudar, muda. Com os homens não tem muito jeito, ao menos não com os comuns. Minha atenção é variante, tem de ter um algo mais para captá-la. É como escolher as fotos para tratamento...vai-se passando uma a uma, mas muito rápido, naquela que a atenção parar é a que vale a pena editar. Está aprendendo a calar mais. Já falou muito e não adiantou, agora prefere o papel coadjuvante; daquele que ora em segredo. Gosta de conceitos, vive de conceitos: "Aquele que fura a fila, paga propina pro guarda, vende voto por vantagens, é tudo uma questão de se dar bem", acredita que sujeira é sujeira, falta de comprometimento é falta de comprometimento. As mudanças tem de ser estruturais, tem-se de modificar a causa primária, secar a fonte. Reconstruir casas depois da enchente não vai impedir que outra aconteça. Muitas vezes é radical, principalmente com ela mesma. Tem de deixar seu carinho jorrar, ela tem d+ e não tá dando para ninguém em especial nos últimos anos. Tem deixado o orgulho de lado nas últimas semanas, e isso já lhe rendeu umas boas fotos, alguns almoços baratos e contato com velhos amigos. Lembrou quando foi a última vez que teve um ato heroico: superou a si mesma, em 2010. Fato que inspirou-a a fazer novamente, esse ano, esse mês. Perdeu algum dinheiro, mas conseguido mais momentos; então considerarei como um investimento e não uma perda. Viajou, quer dizer, voltou a viajar, dentro da sua própria mente. Foi tão bom! Eu tava lá, eu vi. Era outra pessoa quando chegou, na verdade era a mesma pessoa quando chegou, deixou lá a Raquel e me trouxe de volta Rutinha. O que desejo para ela? Que compre mais quadros em feiras hippies, ligue mais pros amigos, solte o cabelo... ignoro quais são as roupas mais indicadas a vestir. A questão é: para agradar a quem? Se é a você use o que quiser! Eu vou sempre me amar.